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Atividades sobre Relação entre textos com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP30)

Atividades sobre Relação entre textos com gabarito — 6º ano, 7º ano, 8º ano, 9º ano (EF69LP30)

Quando a EF69LP30 aparece no planejamento, eu sei que não basta pedir uma pesquisa para a turma. O desafio é transformar esse código em situações concretas: ler uma notícia, desconfiar de um número sem fonte, comparar uma postagem com um texto confiável e justificar uma conclusão.

Na prática, essa é uma habilidade muito presente na vida dos estudantes. Eles recebem informações o tempo todo, em vídeos, grupos de mensagens, redes sociais e sites. Meu papel é ajudá-los a sair do “eu vi na internet” e chegar ao “como sabemos se isso é confiável?”.

O que a habilidade EF69LP30 pede, de verdade?

A EF69LP30 pede que o estudante compare informações de fontes diferentes, considerando quem produziu cada texto, em que contexto ele circula e quais referências apresenta. Não é somente localizar uma informação ou decidir se concorda com ela: é colocar dados lado a lado, perceber quando duas fontes coincidem, quando uma completa a outra e quando há contradição. A turma também precisa aprender a reconhecer imprecisões, como porcentagens sem pesquisa identificada, afirmações exageradas e opiniões apresentadas como fatos. Para mim, o ponto central é fazer o aluno justificar seu posicionamento com evidências: “esta informação parece mais confiável porque informa a fonte, apresenta dados verificáveis e dialoga com outras referências”. Isso vale do 6º ao 9º ano, com textos e grau de autonomia adequados à faixa etária. A habilidade pertence a Língua Portuguesa, no objeto de conhecimento Relação entre textos.

“Comparar, com a ajuda do professor, conteúdos, dados e informações de diferentes fontes, levando em conta seus contextos de produção e referências, identificando coincidências, complementaridades e contradições, de forma a poder identificar erros/imprecisões conceituais, compreender e posicionar-se criticamente sobre os conteúdos e informações em questão.”

Vale lembrar que a expressão “com a ajuda do professor” é importante. Eu modelo perguntas, ofereço critérios e vou retirando os apoios aos poucos. Não espero que a turma aprenda a checar tudo sozinha de uma hora para outra.

Como trabalhar EF69LP30 em sala?

1. Comparação de manchetes. Levo duas ou três manchetes sobre o mesmo assunto, retiradas de fontes distintas, e peço que os alunos marquem o que coincide, o que muda e o que cada uma deixa de informar. Depois, discutimos título, autoria, data e presença de links ou dados.

2. Caça à fonte do número. Escrevo no quadro frases como “80% dos jovens preferem...” e pergunto: qual pesquisa? Quantas pessoas participaram? Quando? Onde? Essa atividade curta funciona muito bem como abertura de aula e mostra que um número, sozinho, não prova muita coisa.

3. Tabela de evidências. Em duplas, os estudantes preenchem uma tabela simples com as colunas: fonte, autor ou instituição, data, informação principal, evidência apresentada e grau de confiança. Podemos usar uma notícia, um cartaz de campanha e uma postagem fictícia, sem necessidade de laboratório ou material caro.

4. Mesma informação, formatos diferentes. Comparo um infográfico, uma reportagem e um vídeo curto sobre dengue, vacinação ou descarte de lixo. A pergunta não é “qual formato é melhor?” de modo solto, mas “melhor para qual objetivo e segundo quais dados?”.

5. Correção coletiva de uma informação duvidosa. Apresento uma frase com exagero, como “novo remédio é 100% eficaz”. A turma levanta hipóteses de checagem e identifica que tipo de fonte seria mais adequada. Assim, a crítica não vira opinião apressada: vira investigação.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EF69LP30 precisa apresentar fontes, dados ou formas de circulação que possam ser comparados. O aluno deve mobilizar critérios: autoria, instituição responsável, evidências, data, finalidade, público e coerência entre informações. Também é válido pedir que identifique qual dado falta para verificar uma afirmação ou qual conclusão respeita todos os indicadores apresentados.

Um erro comum é avaliar apenas a memorização de conceitos como “fake news” ou “fonte confiável”. Outro é criar alternativas em que a correta seja óbvia por ser a única “bonita”. Eu prefiro situações concretas e alternativas plausíveis, que revelem se o estudante leu os dados por inteiro. Na plataforma, há 56 questões alinhadas a esse código; na consulta completa do código EF69LP30, eu encontro opções para selecionar conforme minha turma e meu objetivo.

Questões prontas de EF69LP30 (com gabarito comentado)

1. Leia a seguinte afirmação: “A maioria dos especialistas recomenda a vacina Y para todas as idades”. Como confirmar a veracidade dessa informação?

  • ❌ A) Verificando apenas a data da afirmação. A data é relevante, mas não basta para confirmar a informação.
  • ❌ B) Consultando especialistas em redes sociais. Perfis em redes sociais não garantem confiabilidade ou validação.
  • ❌ C) Verificando a autoria da afirmação. A autoria importa, mas precisa ser acompanhada de outras evidências.
  • ✅ D) Consultando sites de curadoria de saúde. Fontes confiáveis ajudam a confirmar a veracidade da informação.
  • ❌ E) Através de opiniões populares na internet. Popularidade não é prova de verdade.

2. Uma notícia diz: “A pesquisa aponta que 70% das pessoas acreditam em teorias da conspiração”. Para conferir o número apresentado, qual informação falta na frase?

  • ❌ A) O significado da palavra “pessoas”. A palavra é compreensível e não informa a origem da porcentagem.
  • ❌ B) A quantidade de letras. Isso não ajuda a verificar o dado.
  • ❌ C) A opinião do leitor. Opinião não comprova o resultado da pesquisa.
  • ❌ D) O tamanho da porcentagem. O número já foi informado; falta saber de onde ele veio.
  • ✅ E) A fonte da pesquisa. Sem identificar a pesquisa, não é possível conferir a porcentagem.

3. Um artigo diz que “um novo remédio é 100% eficaz”. Como você deve proceder?

  • ❌ A) Acreditar na informação imediatamente. Antes de aceitar a afirmação, é preciso verificá-la.
  • ✅ B) Buscar outros artigos científicos sobre o remédio. Outras pesquisas ajudam a validar ou questionar a informação.
  • ❌ C) Desconsiderar a eficácia sem provas. Não se deve acreditar sem análise, mas também não descartar sem evidências.
  • ❌ D) Confiar em testemunhos de usuários. Testemunhos não substituem evidências científicas.
  • ❌ E) Divulgar a informação sem checar. Isso pode ampliar a desinformação.

4. Uma secretaria municipal de Educação apresentou o mesmo conteúdo sobre prevenção à dengue a 900 estudantes do 9º ano, divididos em cinco grupos. Os resultados foram: vlogs e vídeos curtos — 86% consultaram todo o material e 82% responderam corretamente; cartazes informativos — 64% e 59%; apresentações orais formais — 58% e 61%; relatórios escritos longos — 41% e 68%; artigos em revistas acadêmicas — 29% e 72%. Considerando os dois indicadores, qual formato foi o mais eficaz?

  • ❌ A) Relatórios escritos longos. Tiveram 68% de acertos, mas somente 41% de consulta integral e não superaram os vlogs.
  • ❌ B) Apresentações orais formais. Seus dois índices ficaram abaixo dos resultados dos vlogs.
  • ❌ C) Artigos em revistas acadêmicas. Apesar de 72% de acertos, tiveram apenas 29% de consulta integral.
  • ❌ D) Cartazes informativos. Os dois indicadores são inferiores aos dos vlogs.
  • ✅ E) Vlogs e vídeos curtos. Obtiveram os maiores índices de consulta integral e de respostas corretas.

5. Um boletim informativo apresenta dados sobre a saúde pública na região. Qual é a importância da transparência nas informações?

  • ❌ A) Para enganar a população. Transparência não tem esse objetivo.
  • ✅ B) Para conscientizar a população. Informações claras ajudam as pessoas a compreender situações de saúde pública.
  • ❌ C) Para aumentar a desconfiança. A transparência busca construir confiança.
  • ❌ D) Para coletar dados pessoais. Isso não define a função da transparência informativa.
  • ❌ E) Para promover disputas políticas. Transparência não deve servir a esse fim.

6. Uma reportagem compara uma carta enviada pelos Correios no século XX com uma mensagem por aplicativo. A carta podia levar dias e não permitia alterações no percurso; a mensagem digital chega em segundos, pode ser editada ou apagada e receber respostas imediatas. Apesar das diferenças, ambas transmitem notícias, opiniões ou solicitações. Qual característica do gênero mensagem permanece?

  • ❌ A) Participação de vários destinatários. O texto não apresenta isso como característica comum.
  • ✅ B) Compartilhamento de informações. Carta e mensagem digital servem para transmitir notícias, opiniões ou solicitações.
  • ❌ C) Dependência de dispositivos eletrônicos. A carta não depende deles.
  • ❌ D) Alteração do conteúdo enviado. Isso é possibilidade da mensagem digital, não da carta.
  • ❌ E) Imediatismo das respostas. A carta podia levar dias, portanto essa característica varia conforme o meio.

Próximos passos

Eu começaria com uma comparação breve e retomaria os critérios de checagem em diferentes gêneros ao longo do bimestre. Para ganhar tempo no planejamento, posso selecionar itens por habilidade em o gerador de provas do GeraProva e montar uma avaliação ajustada à turma. Se você ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis.

Estas questões são um ponto de partida: adapte textos, apoios e mediações à realidade da sua turma. O mais importante é ensinar nossos estudantes a perguntar, comparar e justificar antes de compartilhar.

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