Atividades sobre Causas da violência e cultura de paz com gabarito — 9º ano (EF09HI26)
Quando recebo a EF09HI26 no planejamento de História do 9º ano, sei que não basta separar uma lista de definições ou pedir uma pesquisa genérica sobre preconceito. O desafio é transformar um tema pesado, presente no noticiário e na vida de muitos estudantes, em uma aula historicamente situada, cuidadosa e que convide à reflexão.
Eu costumo partir de situações concretas: quem foi perseguido, por quais interesses, quais discursos justificaram a violência e quem se beneficiou dela. Assim, a turma percebe que discriminação e exclusão não são fatos isolados nem “coisas do passado”. A seguir, reuni caminhos de trabalho e questões para apoiar esse planejamento.
O que a habilidade EF09HI26 pede, de verdade?
A EF09HI26 pede que o estudante vá além de reconhecer que a violência existe: ele precisa discutir e analisar suas causas históricas, sociais, econômicas, raciais, culturais e de gênero contra grupos marginalizados. Na prática, eu levo a turma a investigar como estereótipos, disputas por terra, racismo, misoginia, criminalização da pobreza e interesses de poder transformam pessoas e comunidades em alvos. Também é importante não tratar os grupos apenas como vítimas passivas: suas resistências, identidades e direitos fazem parte da conversa. O objetivo final não é decorar exemplos de violência, mas tomar consciência de seus mecanismos e pensar atitudes coerentes com uma cultura de paz, empatia e respeito. Uma boa aula abre espaço para análise de fontes, argumentação baseada em evidências e escuta responsável, sem expor experiências pessoais de nenhum aluno. Em outras palavras: História aqui ajuda a compreender o presente e a recusar explicações que culpam quem sofre a violência.
“Discutir e analisar as causas da violência contra populações marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às pessoas.”
Esta habilidade pertence ao componente de História, no objeto de conhecimento Causas da violência e cultura de paz. Para conferir o detalhamento e mais itens do acervo, vale acessar a consulta completa do código EF09HI26.
Como trabalhar EF09HI26 em sala?
- Leitura de casos históricos: apresente pequenos textos sobre perseguição às mulheres acusadas de bruxaria, repressão a quilombos ou criminalização da população negra no pós-abolição. Peça que a turma destaque vítimas, agentes, justificativas e interesses envolvidos.
- Mapa de causas: no quadro ou em cartolina, organize um caso no centro e crie setas para causas como racismo, patriarcado, disputa territorial, desigualdade e discursos religiosos ou políticos. Depois, discutam como uma causa se relaciona à outra.
- Análise crítica de linguagem: leve títulos fictícios ou históricos que usem termos como “vadiagem”, “desordem” ou “suspeito”. Pergunte: quem nomeia? Que imagem esse termo produz? Que violência ele pode legitimar?
- Roda de propostas: depois da análise, cada grupo formula uma ação possível para fortalecer respeito e convivência na escola: revisão de apelidos, acolhimento de denúncias, valorização de histórias locais ou combinados de debate.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EF09HI26 precisa apresentar contexto e pedir que o estudante identifique a causa principal da violência, sem reduzir o problema a uma característica da população atingida. O foco está nos mecanismos de exclusão: interesses econômicos, hierarquias raciais, controle patriarcal, criminalização cultural ou discursos que criam bodes expiatórios.
Eu evito perguntas que cobram apenas datas, que naturalizam expressões preconceituosas ou que sugerem que a vítima “provocou” a violência. Outro erro comum é oferecer alternativas vagas, todas aparentemente corretas. O estudante precisa comparar evidências do texto e reconhecer a explicação mais consistente. Além da prova, um parágrafo argumentativo ou mapa de causas ajuda a observar se ele relaciona passado, presente e cultura de paz.
Questões prontas de EF09HI26 (com gabarito comentado)
1. Em um vilarejo da Europa Central, no século XVII, registros locais relatam que viúvas e mulheres solteiras eram acusadas de provocar más colheitas e doenças. As denúncias muitas vezes surgiam depois de conflitos pessoais, mas sermões religiosos transformavam essas suspeitas em ameaças à comunidade. Com medo de represálias divinas, moradores apoiavam julgamentos que podiam terminar em agressões e execuções. Ao apresentar essas mulheres como responsáveis pelos infortúnios, autoridades religiosas encontravam um alvo vulnerável e fortaleciam uma ordem social patriarcal. Com base no texto, identifique a causa que melhor explica a transformação de conflitos pessoais em perseguição coletiva contra as mulheres acusadas de bruxaria.
- ✅ A) A mobilização da superstição religiosa para reforçar o controle patriarcal sobre mulheres vulneráveis. É a correta: sermões ampliaram suspeitas e fortaleceram a ordem patriarcal.
- ❌ B) A permanência dos conflitos pessoais como acusações restritas ao convívio privado. O texto mostra justamente a coletivização das acusações.
- ❌ C) O fortalecimento da autonomia das mulheres pela atuação das autoridades religiosas. Houve controle e perseguição, não autonomia.
- ❌ D) A participação dos moradores como rejeição aos julgamentos e às execuções. Os moradores apoiavam os julgamentos por medo.
- ❌ E) A atribuição das más colheitas e doenças a fenômenos naturais inevitáveis. Os infortúnios foram atribuídos às mulheres.
2. Na segunda metade do século XIX, documentos de fazendas no interior paulista relatam ataques frequentes a comunidades quilombolas que buscavam manter-se em território tradicional. Proprietários locais mobilizavam capangas para expulsar moradores sob justificativa de “ilegitimidade da posse”. Relatos apontam incêndios de casas, prisões arbitrárias e execuções sumárias, visando limpar terras para expansão da monocultura cafeeira. Analise o texto-base e identifique a principal causa dos atos de violência contra as comunidades quilombolas nesse contexto histórico.
- ❌ A) A crença em suposta inferioridade cultural dos quilombolas. O racismo existia, mas o texto destaca a motivação fundiária e econômica.
- ❌ B) A criminalização das tradições religiosas afro-brasileiras. Não há perseguição religiosa no enunciado.
- ❌ C) A imposição de leis imperiais contra a propriedade comunitária. A causa apresentada é a ação dos proprietários.
- ❌ D) A resistência armada dos quilombolas à escravidão. O foco é a posse de terras e a expansão cafeeira.
- ✅ E) A busca por expandir a monocultura cafeeira em novas terras. É a correta: a violência visava liberar territórios para o café.
3. Em meados do século XVII, uma vila europeia registrou repetidos fracassos na colheita e surtos de doença. Sob intensa pregação de líderes religiosos, moradores passaram a acusar mulheres de bruxaria, responsabilizando-as pelos infortúnios. Julgamentos sumários resultaram em confissões obtidas sob tortura e em execuções públicas, reforçando o clima de medo. Analise o texto-base e identifique a causa principal da violência contra as mulheres acusadas de bruxaria nesse contexto histórico.
- ❌ A) Regulamentação oficial da prática religiosa para conter superstições populares. Não há medidas de contenção das superstições.
- ❌ B) Reivindicação de autonomia feminina diante da pressão patriarcal. O texto não descreve esse movimento.
- ✅ C) Busca de bodes expiatórios motivada por crises sociais e econômicas. É a correta: crises de colheita e doença levaram à procura de culpadas.
- ❌ D) Fortalecimento do poder real por meio da perseguição de hereges. A monarquia não aparece no caso.
- ❌ E) Consolidação de rivalidades camponesas por disputa de terras aráveis. Não há disputa de terras no enunciado.
4. Na primeira década da República, a prefeitura de uma capital brasileira passou a registrar prisões de homens negros, mulheres que vendiam comida nas ruas e jovens suspeitos de “vadiagem”. Em relatórios policiais, a presença desses grupos era tratada como sinal de desordem, e práticas como a capoeira, os batuques e a circulação sem trabalho fixo foram associadas à criminalidade. Ao mesmo tempo, leis municipais exigiam roupas, horários e formas de circulação compatíveis com o ideal de “cidade moderna”. Em consequência, aumentaram revistas, despejos e punições sobre quem dependia do espaço público para viver. Esse cenário revelava que a violência não era casual, mas ligada a disputas sobre quem poderia ocupar a cidade e segundo quais regras. Considere o texto-base e identifique a principal causa histórica da violência dirigida a esses grupos.
- ❌ A) A valorização da cultura afro-brasileira, que buscava integrar capoeira e batuques às instituições oficiais. Essas práticas eram reprimidas e associadas ao crime.
- ❌ B) A ampliação da participação política, que garantia direitos iguais e reduzia conflitos na cidade. O cenário é de restrição de direitos.
- ❌ C) A necessidade de substituir o trabalho urbano por ações assistenciais, com prioridade para os mais pobres. Não se trata de assistência, mas de criminalização.
- ❌ D) A proteção de costumes populares, que ampliava a liberdade de circulação e de trabalho nas ruas. Houve prisões, despejos e punições.
- ✅ E) A defesa de uma ordem social excludente, que criminalizava a pobreza e a presença negra no espaço urbano. É a correta: as normas controlavam quem podia ocupar a cidade.
5. — Mãe, por que temos medo de andar sozinhos depois do anoitecer? , perguntou João. No bairro de Nova Esperança, relatos cotidianos mostram jovens negros sendo abordados com violência por policiais e grupos de vigilantes. Relatório fictício de Direitos Humanos (março de 2024) aponta que 65% dos homicídios na cidade são de jovens negros, frequentemente tratados como suspeitos apenas pela cor da pele. A associação histórica entre negritude e criminalidade, forjada desde o período escravocrata e reforçada por manchetes sensacionalistas, legitima ações violentas contra essa população. Analise o texto-base e identifique a principal causa histórica da violência contra jovens negros apresentada no relato.
- ✅ A) A construção social da criminalização racial de jovens negros. É a correta: o texto aponta um estereótipo racial histórico que legitima a violência.
- ❌ B) O conflito agrário sobre a posse de terras na região. O caso é urbano e não envolve terras.
- ❌ C) O fator econômico da desigualdade de renda nas periferias urbanas. O destaque do texto é racial, não econômico.
- ❌ D) A política de segurança pública pautada pela militarização policial. Ela pode agravar o problema, mas não é a causa histórica indicada.
- ❌ E) A divisão social baseada em castas impostas desde a colonização. O texto trata de estigmatização racial, não de castas.
6. Em 1691, registros do governador de Pernambuco indicam o aumento de “atos violentos” contra comunidades quilombolas estabelecidas próximas às margens do rio São Francisco. Relatório de 1691 — dados ficticios: das 47 ocorrências registradas, 38 envolveram tropas oficiais lideradas por senhores de engenho, justificadas pela necessidade de “manter a ordem” na região. As páginas descrevem buscas sistemáticas em quilombos, apreensão de armas improvisadas e punições severas, incluindo trabalho forçado e execuções. Mesmo após petições de padres jesuítas denunciando excessos, as ações permaneceram sem punição. Historiadores apontam que a violência visava não apenas controlar a fuga de escravizados, mas também afirmar a supremacia social e racial dos colonizadores. Analise o texto-base e identifique qual foi a causa principal da violência contra as comunidades quilombolas no contexto colonial descrito.
- ❌ A) A violência originava-se das pressões econômicas para reduzir custos de manutenção dos quilombos. Essa motivação não aparece no texto.
- ✅ B) A violência era motivada pela afirmação da supremacia social e racial dos colonizadores. É a correta: o próprio texto aponta essa finalidade.
- ❌ C) A violência sucedia disputas territoriais entre colonos e indígenas aliados aos quilombolas. Não há referência a essa aliança.
- ❌ D) A violência decorria da necessidade de conter fugas de mão de obra escrava. Isso contribui, mas não explica a causa principal destacada.
- ❌ E) A violência resultava de conflitos religiosos estimulados por ordens jesuíticas. Os jesuítas denunciaram os abusos.
Próximos passos
Eu sugiro aplicar duas ou três questões como diagnóstico e usar as demais para retomada coletiva, sempre pedindo que os estudantes localizem no texto a evidência da resposta. Para montar uma avaliação completa, você encontra 35 questões alinhadas à habilidade no gerador de provas do GeraProva.
Use este material como ponto de partida e adapte a conversa à realidade da sua turma. Se quiser economizar tempo no planejamento, faça seu cadastro grátis e experimente criar atividades alinhadas à BNCC.
