Atividades de Globalização e Neoliberalismo para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito
Uma proposta de atividades para discutir Globalização e Neoliberalismo em Sociologia na 2ª série, com questões, alternativas e gabarito comentado. As situações abordam território, fronteiras, agentes sociais e controle do espaço.
Quando trabalho Globalização e Neoliberalismo com a 2ª série, procuro aproximar conceitos amplos de situações que os estudantes conseguem analisar: circulação de mercadorias, decisões de empresas, mudanças no trabalho e formas de organizar os espaços. Em sala, ajuda muito separar os conceitos antes de relacioná-los: globalização não significa que tudo acontece da mesma maneira em todos os lugares, e neoliberalismo não é sinônimo de qualquer mudança econômica.
Também uso textos curtos e situações-problema para observar como a turma identifica agentes, interesses e relações de poder. As questões abaixo mobilizam a habilidade EM13CHS204 e exploram principalmente território, fronteiras e territorialidades. Algumas dialogam diretamente com plataformas digitais, controle do trabalho e uso de espaços; outras são boas oportunidades para ampliar a discussão sobre Estado, soberania e relações entre escalas, sem confundir esses temas com uma definição automática de neoliberalismo.
O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Globalização e Neoliberalismo
Na 2ª série, espero que o estudante compreenda a globalização como um processo histórico de intensificação das conexões entre lugares, pessoas, empresas e governos, por meio de fluxos de informação, mercadorias, capitais, serviços e trabalho. Esses fluxos não eliminam as fronteiras nem distribuem igualmente oportunidades e impactos: empresas e tecnologias podem conectar territórios, enquanto decisões políticas e econômicas produzem efeitos diferentes para grupos sociais. Neoliberalismo, por sua vez, é uma orientação político-econômica que valoriza mecanismos de mercado, concorrência, abertura econômica e redução ou reorganização de certas formas de atuação estatal; seus efeitos dependem de contextos e políticas concretas. Em Sociologia, não basta decorar definições: é importante investigar quem controla recursos, regras e informações, quem se beneficia e quem enfrenta limites. As questões desta seleção trabalham a habilidade EM13CHS204 pela análise de território, fronteiras e territorialidades, incluindo plataformas digitais e trabalho urbano. Elas permitem relacionar escalas locais e globais, desde que eu explicite essa conexão e não apresente todos os casos como exemplos diretos de neoliberalismo.
O que ele precisa saber antes
Antes de aplicar a sequência, retomo território e fronteira como conceitos que envolvem relações sociais, regras e poder, e não apenas linhas em um mapa. As questões também pedem noções de soberania, geopolítica, territorialidade urbana e atuação de diferentes agentes, como Estado, empresas, grupos sociais e comunidades. Para as situações com entregadores e aplicativos, vale revisar conceitos sociológicos básicos e as ideias de dominação em Weber, controle do trabalho em Marx e coesão social em Durkheim. Não é necessário transformar essa retomada em uma aula expositiva longa: um mapa, um pequeno glossário construído pela turma e exemplos locais já ajudam a preparar a leitura.
Onde os alunos mais erram
Um erro recorrente nas questões de fronteira é supor que o limite administrativo determina sozinho a identidade das pessoas. A alternativa B da questão 1 é um exemplo: ela confunde a classificação oficial de um território com os vínculos culturais e cotidianos construídos pelos moradores. Na questão 2, o distrator D pode atrair quem identifica corretamente a presença de invasores, mas não considera o comando, que pede analisar o choque entre concepções de território indígena e estatal. É preciso distinguir um fator visível no texto da explicação mais completa solicitada.
Nas questões sobre espaços urbanos, aparece outro atalho: atribuir toda mudança a um único agente. O aplicativo, a prefeitura, uma empresa e a organização coletiva podem influenciar a ocupação de modos diferentes. Na questão 6, por exemplo, a empresa instala cordas e seguranças, mas a alternativa correta destaca a autorização pública como elemento de validação formal. Na questão 5, reduzir tudo à tecnologia ou ao Estado apaga tanto a organização coletiva dos entregadores quanto as regras que afetam o trabalho. Peço que a turma volte ao texto e indique a evidência que sustenta cada interpretação.
Também vale observar respostas absolutas, como “resolve definitivamente”, “não interfere” ou “apenas”. A questão 3 mostra por que delimitar fronteiras marítimas pode fortalecer direitos e negociação sem eliminar disputas nem a necessidade de fiscalização. Nas questões sobre povos indígenas, a leitura precisa considerar os efeitos das fronteiras sobre circulação e práticas tradicionais, sem tratar as comunidades como grupos homogêneos ou ignorar seus direitos.
Como trabalhar em sala
- Comece por conceitos visuais: peça que a turma desenhe um mapa simples de um território conhecido e marque limites oficiais, trajetos cotidianos e lugares de encontro. Depois, compare o que é fronteira administrativa com o que é território vivido.
- Faça leitura com marcação de evidências: em duplas, os estudantes sublinham no enunciado quem age, que regra aparece e quem sofre ou negocia seus efeitos. Essa estratégia funciona bem antes de olhar as alternativas.
- Monte um quadro de agentes: use colunas para Estado, empresas, comunidades e trabalhadores. A turma registra o tipo de poder exercido em cada caso: regulamentar, controlar informação, organizar coletivamente ou ocupar o espaço.
- Relacione local e global com cuidado: nas questões sobre aplicativos, discuta como uma plataforma pode organizar zonas urbanas e condições de trabalho. Convide os estudantes a identificar conexões com a economia global sem afirmar que toda experiência digital é, por si só, neoliberal.
- Feche com justificativa oral: cada grupo escolhe uma alternativa correta e explica por que um distrator parece possível, mas não responde ao comando. Isso revela se houve interpretação ou apenas reconhecimento de palavras-chave.
Questões prontas de Globalização e Neoliberalismo para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
Observação para o planejamento: as questões a seguir são as oito propostas disponibilizadas para esta sequência e têm como eixo a habilidade EM13CHS204. Elas se concentram em território, fronteiras e territorialidades. Para uma aula especificamente dedicada a Globalização e Neoliberalismo, recomendo contextualizar a relação de cada caso com o tema, sobretudo nas situações de plataformas e trabalho, e não atribuir às questões conteúdos que o enunciado não apresenta.
1. Limites interestaduais e pertencimento territorial
Em 2023, uma atualização de marcos geográficos oficiais transferiu bairros periféricos de Porto Esperança (MS) para Nova Aliança (SP). Moradores que utilizavam serviços e mantinham vínculos cotidianos com a cidade anterior relataram ruptura identitária e dificuldades de acesso a políticas públicas. Com base no contexto, qual alternativa explica a relação entre definição de limites e pertencimento territorial?
- ❌ A) As fronteiras administrativas se sobrepõem totalmente aos vínculos de pertencimento e garantem automaticamente o acesso a todos os serviços. Errada: o texto relata justamente dificuldades práticas e sentimento de ruptura após a mudança oficial.
- ❌ B) A identidade territorial é determinada pelo governo estadual, e não pelas relações estabelecidas pelos moradores. Errada: confunde a administração oficial com os vínculos sociais e culturais construídos ao longo do tempo.
- ❌ C) A delimitação dos estados torna homogêneos os aspectos culturais da população. Errada: limites administrativos não apagam a diversidade nem produzem automaticamente uma identidade cultural uniforme.
- ❌ D) A alteração do limite não interfere na vida da população, pois território é apenas espaço físico. Errada: o caso mostra efeitos sobre serviços, relações cotidianas e sentimento de pertencimento.
- ✅ E) A redefinição pode provocar perda de identidade local e romper vínculos, pois a fronteira administrativa nem sempre corresponde ao território vivido. Correta: reconhece que pertencimento se constrói nas relações cotidianas e pode ser afetado por mudanças oficiais.
2. Território Yanomami e concepções de fronteira
Lideranças Yanomami denunciaram invasões por garimpeiros e madeireiros em território demarcado na fronteira Brasil-Venezuela. O Estado reforçou a fiscalização e bloqueou rotas, enquanto moradores relataram restrições à circulação e impactos nas práticas tradicionais. Qual alternativa identifica o fator central dos conflitos considerando as diferentes concepções de território e fronteira?
- ❌ A) Os impactos resultam do bloqueio de rotas, sem relação com diferentes concepções territoriais. Errada: trata uma medida de resposta como causa principal e deixa de lado o choque de territorialidades.
- ❌ B) A causa principal é a falta de fiscalização efetiva na fronteira internacional. Errada: fiscalização é relevante, mas não resolve por si só a divergência entre delimitação jurídica e uso tradicional.
- ❌ C) O conflito ocorre unicamente pela falta de precisão geográfica da fronteira na selva. Errada: reduz uma disputa social e territorial a um problema técnico de cartografia.
- ❌ D) A entrada de invasores é a principal causa, sem relação com fronteiras oficiais. Errada: considera um agente importante, mas ignora o foco do comando nas concepções distintas de território.
- ✅ E) A sobreposição entre território indígena tradicional e fronteira estatal propicia conflitos, pois limites jurídicos contrastam com usos e circulações tradicionais. Correta: identifica o choque de territorialidades sem reduzir o caso a uma única causa imediata.
3. Fronteiras marítimas e posição geopolítica brasileira
O texto apresenta a Zona Econômica Exclusiva brasileira, acordos internacionais, exploração de recursos submarinos e fiscalização no Atlântico Sul. Como a delimitação das fronteiras marítimas impacta a posição do Brasil no cenário geopolítico?
- ✅ A) Fortalece a soberania sobre recursos, amplia a capacidade de negociação e torna o país estratégico diante de disputas por recursos e rotas. Correta: relaciona delimitação, direitos de exploração e relevância geopolítica, sem supor que os desafios desapareçam.
- ❌ B) Resolve definitivamente todas as disputas e elimina ameaças estrangeiras. Errada: o texto menciona a necessidade contínua de proteção e fiscalização.
- ❌ C) Restringe o Brasil e reduz sua participação em acordos internacionais. Errada: contradiz o fortalecimento da capacidade de negociação descrito no enunciado.
- ❌ D) Tem função apenas ambiental, sem influenciar defesa ou economia. Errada: desconsidera soberania, recursos e segurança mencionados no caso.
- ❌ E) Limita o acesso brasileiro ao Atlântico Sul e reduz o espaço de atuação do país. Errada: inverte o efeito apresentado: a delimitação reconhecida amplia direitos, não os reduz.
4. Fronteiras políticas e povos indígenas transfronteiriços
Na Amazônia, povos como Tikuna e Cocama mantêm territórios ancestrais que atravessam fronteiras entre países. O texto relata circulação, redes familiares e práticas culturais, além de maior controle estatal e mudanças no acesso a recursos. Qual é a principal consequência das fronteiras políticas para essas populações?
- ❌ A) As fronteiras ampliam os territórios indígenas e facilitam o acesso a espaços tradicionais. Errada: o texto aponta restrições e impactos, não ampliação garantida.
- ❌ B) Aumentam oportunidades de comércio formal com o Estado como consequência principal. Errada: essa consequência não é destacada; o enunciado enfatiza mobilidade e cultura.
- ❌ C) Servem apenas para mapear recursos naturais, sem impacto cultural ou sobre a mobilidade. Errada: ignora diretamente os efeitos descritos sobre circulação e práticas tradicionais.
- ❌ D) Não interferem nos modos de vida e permitem autonomia total e livre circulação. Errada: contradiz o controle estatal intensificado e os obstáculos relatados.
- ✅ E) Restringem a circulação e podem criar obstáculos à continuidade cultural e ao acesso tradicional a recursos. Correta: articula fronteiras políticas, mobilidade e territorialidade dos povos transfronteiriços.
5. Entregadores, aplicativo e formação de territorialidades
Entregadores se organizam sob uma marquise, compartilham apoio e encontram obstáculos após a instalação de grades. Ao mesmo tempo, o aplicativo reduz chamadas para quem fica fora de determinado raio, e a prefeitura propõe outro ponto de apoio. Qual síntese articula dominação, controle do trabalho e coesão do grupo?
- ❌ A) O ponto depende apenas dos valores morais do grupo, que tornam irrelevantes as regras e o mapa do aplicativo. Errada: ignora tanto a regulação do espaço quanto os mecanismos que afetam a renda e o trabalho.
- ❌ B) Depende apenas da tecnologia, pois GPS e tomadas determinam automaticamente a ocupação. Errada: trata a tecnologia como causa única e apaga regras, conflitos e ação coletiva.
- ❌ C) Depende apenas de escolhas individuais dos entregadores. Errada: não considera a organização coletiva nem os constrangimentos criados pelo aplicativo.
- ❌ D) Depende apenas da decisão estatal, que elimina os conflitos ao criar outro ponto. Errada: o texto mostra resistência e também a influência da plataforma na ocupação.
- ✅ E) Depende da organização coletiva, limitada por regras formais e pelo controle do aplicativo sobre ritmo e renda. Correta: reúne apoio mútuo, regulação pública e controle do trabalho exercido pela plataforma.
6. Uso da praia e validação de uma nova fronteira
Em um balneário, um complexo turístico instalou cordas e seguranças para orientar o uso da areia. A prefeitura autorizou a exploração de quiosques e serviços por regras específicas, enquanto moradores contestaram a divisão. Qual agente torna socialmente válida a nova fronteira de uso descrita?
- ✅ A) O poder público, ao regulamentar o acesso e permitir a delimitação do espaço. Correta: a autorização e as regras municipais formalizam a fronteira; a execução material não é o mesmo que validação legal.
- ❌ B) Os turistas, ao escolher serviços pagos e concentrar a circulação. Errada: preferências influenciam os fluxos, mas não estabelecem por si mesmas uma regra reconhecida.
- ❌ C) A empresa, ao empregar seguranças e instalar cordas. Errada: a empresa executa o controle físico, mas o enunciado destaca a autorização municipal como base formal.
- ❌ D) O coletivo local, ao denunciar a divisão nas redes sociais. Errada: a denúncia expressa contestação, não é o ato que institui a delimitação.
- ❌ E) Os pescadores, ao reposicionar suas redes. Errada: eles adaptam suas rotinas à mudança, mas não criam a fronteira descrita.
7. Diferentes agentes na territorialização urbana
Em um corredor urbano, motoboys formam filas improvisadas, empresas instalam docas de patinetes e a prefeitura coloca placas e reposiciona bancos para orientar pedestres. Quais funções cada agente exerce, respectivamente?
- ✅ A) Demarcação espontânea de áreas de espera; privatização comercial de trechos de calçada; ordenamento institucional do fluxo pedonal. Correta: diferencia apropriação informal, ocupação comercial e organização pública do espaço.
- ❌ B) Apropriação por moradores; mercantilização de rotas por aplicativos; ordenamento informal de pedestres. Errada: troca os agentes descritos e classifica como informal a ação da prefeitura.
- ❌ C) Áreas de espera por usuários de patinetes; calçadas privatizadas por empresas de delivery; ordenamento do espaço veicular. Errada: inverte os agentes e o foco da intervenção municipal.
- ❌ D) Áreas de lazer por motoboys; privatização estadual; ordenamento institucional de pedestres. Errada: o texto não fala em lazer nem em atuação estadual.
- ❌ E) Rotas formais criadas por motoboys; regulação estatal das estações; mercantilização de espaços de convivência. Errada: atribui formalidade aos motoboys e uma regulação das estações que não aparece no caso.
8. Aplicativo e territorialidade informacional
Um aplicativo divide a cidade em zonas numeradas para orientar entregadores. A prefeitura regula a circulação em vias centrais, associações reivindicam pontos de encontro e consumidores escolhem restaurantes por avaliações. Qual agente exerce a territorialidade informacional ao definir as zonas de entrega?
- ❌ A) Os consumidores que escolhem restaurantes por avaliações. Errada: usam informações para decidir, mas não definem a divisão territorial do aplicativo.
- ❌ B) O sindicato de restaurantes ao cobrar comissões. Errada: a cobrança tem dimensão econômica, mas não cria as zonas descritas.
- ❌ C) A associação de motofretistas ao reivindicar pontos fixos. Errada: disputa pontos físicos de encontro, mas não define o mapa digital das zonas.
- ✅ D) A empresa de aplicativo responsável pela divisão de zonas numeradas. Correta: a plataforma organiza informação espacial e direciona atividades por meio de seu sistema.
- ❌ E) A prefeitura ao regulamentar a circulação em vias centrais. Errada: regula o trânsito, mas o enunciado atribui à empresa a divisão informacional das zonas de entrega.
Fechamento: transforme as questões em uma sequência
Você pode aplicar as questões como diagnóstico, selecionar algumas para discussão em duplas e retomar os distratores em uma revisão. Para ampliar o repertório da habilidade, consulte também as questões da habilidade EM13CHS204. Depois, adapte a seleção ao foco da sua aula sobre globalização, trabalho e relações de poder.
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Use as questões como ponto de partida e ajuste a sequência ao que sua turma já estudou. O GeraProva pode ajudar a preparar novas atividades, mas a escolha dos exemplos e a mediação do conteúdo continuam nas suas mãos.
O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.
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