Atividades de A ditadura civil-militar e os processos de resistência para o 9º ano com gabarito
Reúna atividades de História para analisar a ditadura civil-militar brasileira e diferentes formas de resistência no 9º ano. As oito questões vêm com alternativas e gabarito comentado para apoiar a revisão e a avaliação.
Quando trabalho a ditadura civil-militar no 9º ano, procuro não deixar o tema restrito à sequência de governos e atos institucionais. A turma precisa compreender também como a repressão afetou a vida pública e como diferentes grupos construíram formas de oposição, desde manifestações culturais até movimentos comunitários, sindicais e de defesa dos direitos humanos.
Na prática, textos de época e situações-problema ajudam a discutir essas experiências com contexto. As atividades abaixo permitem observar se os estudantes distinguem as justificativas do golpe das consequências do regime e se reconhecem que resistência não significava apenas luta armada: organização social, denúncias e reivindicações por direitos também foram caminhos importantes.
O que o aluno de 9º ano precisa saber sobre A ditadura civil-militar e os processos de resistência
O aluno precisa compreender que o golpe de 1964 instaurou uma ditadura e que os militares justificaram a ação, entre outros argumentos, como combate ao comunismo, embora o regime tenha enfraquecido instituições democráticas e restringido direitos. Também é importante reconhecer que a resistência ocorreu de formas variadas e em diferentes espaços. A música podia expressar oposição mesmo sob censura e repressão; comunidades eclesiais de base e setores da Igreja organizaram redes de apoio, denúncia e mobilização; moradores transformaram problemas cotidianos, como custo de vida e serviços, em reivindicações coletivas; e trabalhadores defenderam autonomia sindical, direito de greve e participação política. As mobilizações após a morte de Vladimir Herzog, em 1975, fortaleceram organizações de direitos humanos e a pressão por apuração. Ao analisar esses casos, a turma deve relacionar ações concretas ao contexto, identificar quem as organizava e perceber como demandas sociais e defesa de garantias democráticas se articulavam.
O que ele precisa saber antes
Para interpretar as questões, convém retomar o golpe de 1964 e situá-lo no contexto da Guerra Fria, especialmente o discurso anticomunista utilizado para justificá-lo. Também é necessário conversar sobre conceitos de democracia, direitos humanos, censura e repressão política, sem tratá-los como palavras abstratas: podem ser relacionados à liberdade de reunião, à eleição de representantes e ao direito de defesa.
Outro ponto de partida é conhecer movimentos sociais e sindicalismo no Brasil e compreender que a Igreja Católica não atuou de maneira única e imutável durante todo o período. As questões abordam comunidades de base e redes de apoio, assim como iniciativas de moradores, trabalhadores e entidades de direitos humanos. Retomar esses elementos antes da leitura longa ajuda os estudantes a localizar as ações descritas e a não confundir mobilização civil com apoio ao regime ou com luta armada.
Onde os alunos mais erram
Um equívoco recorrente indicado pelas questões é interpretar uma manifestação musical como aceitação da ditadura ou como ausência de mobilização. A palavra “música”, por si só, não basta: é preciso considerar que o enunciado informa que ela era contra o regime e relacionar essa expressão ao contexto de censura e repressão. O mesmo cuidado vale para a atuação da Igreja: escolher o distrator que afirma apoio irrestrito ignora as ações de denúncia e organização descritas no enunciado.
Nas questões com textos mais extensos, o erro pode estar em inverter causas e consequências ou em reduzir toda resistência à luta armada. A morte de Herzog, por exemplo, antecede as mobilizações por direitos humanos apresentadas no item; não é consequência delas. Já abaixo-assinados, assembleias, boletins, comissões de rua e redes de apoio são formas de resistência civil e política. Peço aos alunos que sublinhem a ação descrita e identifiquem qual direito ou forma de participação ela defende. Isso os ajuda a distinguir evidência textual de uma alternativa que apenas parece familiar.
Como trabalhar em sala
- Monte uma linha do tempo comentada. Inclua o golpe de 1964, a morte de Vladimir Herzog em 1975 e mobilizações e movimentos abordados nas fontes. Peça que a turma indique o que aconteceu antes e depois, reforçando relações temporais sem transformar a atividade em mera memorização de datas.
- Leia as fontes em etapas. Em textos longos, os estudantes podem marcar atores, ações, dificuldades e reivindicações com cores ou símbolos. Depois, cada grupo resume em uma frase qual forma de resistência aparece e que proposta de participação social está em jogo.
- Compare formas de resistência. Organize no quadro categorias como cultural, comunitária, sindical e ligada aos direitos humanos. Os exemplos das questões permitem perceber diferenças entre os meios utilizados e também pontos de contato, como a defesa de direitos e da participação.
- Faça uma análise de alternativas. Em vez de olhar apenas o gabarito, peça que os alunos expliquem qual trecho torna cada distrator inadequado. É uma forma prática de trabalhar leitura cuidadosa e detectar inversões, generalizações e afirmações que contradizem o texto.
- Feche com uma síntese curta. Cada estudante pode escrever uma evidência do material analisado e relacioná-la a uma forma de resistência. Essa produção serve como avaliação formativa e indica se vale retomar conceitos como censura, autonomia sindical ou garantias democráticas.
Questões prontas de A ditadura civil-militar e os processos de resistência para o 9º ano (com gabarito comentado)
As questões a seguir percorrem desde o discurso que justificou o golpe até diferentes iniciativas de oposição e reorganização social. Ao aplicá-las, recomendo reservar tempo para a correção comentada: justificar por que uma opção está errada ajuda a consolidar a leitura histórica, não apenas a escolha da letra certa.
1. A imagem mostra pessoas cantando uma música contra a ditadura civil-militar. Analise a imagem de uma manifestação cultural popular da época e seu impacto na resistência da sociedade. O que essa manifestação representa?
- ❌ A) A união do povo em prol da repressão. Cantar contra a ditadura não significa apoiar a repressão; a alternativa inverte o sentido informado.
- ✅ B) A resistência cultural, mesmo sob repressão. A música descrita expressa oposição e mostra como a cultura podia ser usada para resistir.
- ❌ C) A ausência de mobilização popular. Pessoas reunidas para cantar indicam mobilização, não ausência dela.
- ❌ D) A aceitação da ditadura pelos artistas. O enunciado diz que a música era contra a ditadura, portanto não comprova aceitação do regime.
- ❌ E) A promoção da propaganda oficial do governo. Uma canção de oposição não promove a propaganda governamental.
Gabarito: B. O ponto central é relacionar manifestação cultural, oposição e repressão, sem interpretar a reunião como apoio ao governo.
2. Em 1964, o Brasil sofreu um golpe militar que instaurou uma ditadura. Qual foi uma das principais justificativas usadas pelos militares para essa ação?
- ❌ A) Fortalecimento da democracia. A ditadura enfraqueceu instituições democráticas; a alternativa confunde a justificativa do golpe com uma consequência democrática que não ocorreu.
- ✅ B) Combate ao comunismo. O discurso anticomunista foi usado pelos militares para justificar a ação.
- ❌ C) Apoio popular irrestrito. A existência de resistência e críticas ao regime não permite afirmar apoio total da população.
- ❌ D) Desenvolvimento econômico imediato. A opção não corresponde à justificativa política destacada no enunciado; além disso, crescimento econômico não elimina custos sociais.
- ❌ E) Unificação das Forças Armadas. Não é a justificativa apresentada para o golpe, e o período também foi marcado por divisões e conflitos internos.
Gabarito: B. Vale distinguir o argumento usado para legitimar o golpe de seus efeitos e de outros temas do período.
3. Entre o final dos anos 1960 e a década de 1980, como a atuação da Igreja Católica e das comunidades eclesiais de base contribuiu para resistências ao regime e quais consequências sociais isso gerou?
- ❌ A) Apoio irrestrito ao governo militar por parte da Igreja. A alternativa generaliza a atuação da Igreja e ignora posicionamentos contra abusos do regime.
- ❌ B) Reforço da ideologia do regime sem oposições. As ações descritas envolveram organização, críticas e oposição, não ausência de contestação.
- ❌ C) Negligência em relação às violências contra os trabalhadores. A atuação mencionada incluiu denúncia e apoio a trabalhadores oprimidos.
- ✅ D) Organização de redes de apoio, denúncia e mobilização social que fortaleceram movimentos por direitos e ampliaram a visibilidade das violações. CNBB e comunidades de base ofereceram articulação e apoio a trabalhadores e perseguidos, contribuindo para a denúncia pública.
- ❌ E) Isolamento total das comunidades eclesiais de base. A alternativa contradiz sua participação em redes e iniciativas de mobilização.
Gabarito: D. Evite apresentar a Igreja como um bloco sem diferenças: a resposta decorre das ações concretas de apoio, articulação e denúncia indicadas no item.
4. Em 1978, cadernos de assinaturas circularam por feiras, pontos de ônibus e bairros de São Paulo. Moradores registraram queixas sobre preços de alimentos, aluguéis e tarifas e se reuniram apesar da vigilância policial. Como a iniciativa expressa resistência?
- ❌ A) Substituição de reivindicações sociais pela defesa das medidas do governo autoritário. Os participantes apresentavam queixas e reivindicações, não apoio às medidas governamentais.
- ❌ B) Limitação da participação popular às eleições permitidas pelo regime. O texto mostra associações e espaços cotidianos, não uma campanha eleitoral restrita.
- ❌ C) Redução da resistência às organizações armadas e clandestinas. O exemplo evidencia resistência social aberta, organizada por encontros e abaixo-assinados.
- ✅ D) Conversão de problemas cotidianos em ação pública por direitos e participação coletiva. Assinaturas e reuniões transformaram demandas sobre condições de vida em organização coletiva sob vigilância.
- ❌ E) Separação entre demandas econômicas e debates sobre direitos. O texto relaciona as condições de vida à possibilidade de organização e manifestação da população.
Gabarito: D. A reivindicação material também se tornou uma defesa da participação coletiva; não é necessário que toda resistência se apresente como ação clandestina.
5. Qual foi a causa imediata das mobilizações por direitos humanos após a morte de Vladimir Herzog em 1975 e qual consequência política essas mobilizações tiveram entre 1975 e 1979?
- ❌ A) Mobilizações anteriores à morte; enfraquecimento das organizações e menor pressão por apurações. A opção inverte a sequência temporal e apresenta um efeito contrário ao fortalecimento indicado.
- ✅ B) Morte sob custódia policial em outubro de 1975; fortalecimento de organizações de direitos humanos e maior pressão por apurações e responsabilização. A morte desencadeou mobilizações, que ampliaram a pressão pública nos anos seguintes.
- ❌ C) Morte de Herzog; ausência de mobilizações e de pressão. Embora identifique a morte, nega as mobilizações mencionadas no comando.
- ❌ D) Pressão por apurações como causa; redução das mobilizações como consequência. A alternativa troca causa e consequência e não corresponde ao fortalecimento descrito.
- ❌ E) Fortalecimento das organizações como causa; morte de Herzog como resultado. Inverte a cronologia: a morte antecedeu as mobilizações.
Gabarito: B. A questão avalia a relação entre acontecimento, mobilização e pressão política. Vale pedir que a turma identifique a ordem dos fatos antes de escolher.
6. Um acervo comunitário reúne panfletos e atas de moradores que discutem custo de vida, creche e transporte, organizam comissões de rua e reivindicam liberdade de reunião, associação e eleições diretas. Como essas ações combinam resistência e proposta de reorganização da sociedade?
- ❌ A) Centralização administrativa e aceitação de restrições a reuniões. A insistência em reunir-se, apesar da repressão, demonstra oposição às restrições.
- ❌ B) Negociação apenas entre lideranças institucionais, sem moradores. Comissões de rua, assinaturas e reuniões indicam participação popular direta.
- ✅ C) Fortalecimento de organizações de base para ampliar direitos sociais e participação política. A mobilização comunitária e a articulação com sindicatos expressam resistência civil e defesa de democratização.
- ❌ D) Apoio ao sistema político controlado, com participação limitada a partidos autorizados. As demandas por eleições diretas e liberdade de associação contestam esse controle.
- ❌ E) Tomada imediata do poder por grupos armados como estratégia principal. O texto trata de organização comunitária e reivindicações públicas, não de luta armada.
Gabarito: C. A leitura deve conectar as ações descritas — comissões, assinaturas e articulação — aos direitos e à participação que os moradores defendiam.
7. Uma operária relata assembleias de metalúrgicos, boletins mimeografados, escolha de representantes sem interventores e greves usadas para pressionar por mudanças políticas. Que proposta de reorganização se relaciona a essas práticas?
- ❌ A) Manutenção do bipartidarismo oficial como representação suficiente. O relato aponta falta de voz e busca ampliá-la, não aceitar como suficiente uma representação controlada.
- ❌ B) Controle estatal dos sindicatos e criminalização permanente das greves. A crítica aos interventores e à criminalização demonstra oposição a esse controle.
- ✅ C) Autonomia sindical e participação política organizada pelos trabalhadores. Escolher representantes sem tutela e levar demandas à política articula resistência e reorganização democrática.
- ❌ D) Luta armada como principal estratégia. O foco do texto está na organização sindical, nas greves e na representação dos trabalhadores.
- ❌ E) Sindicatos subordinados ao Estado como modelo ideal. A personagem rejeita a intervenção estatal, portanto a alternativa contradiz o relato.
Gabarito: C. A reivindicação não se limita ao aumento salarial: o texto associa condições de trabalho à autonomia dos sindicatos e à participação política.
8. Um grupo reúne informações sobre presos e desaparecidos, guarda depoimentos, divulga denúncias de violência e defende eleições livres, direito de defesa e fiscalização civil do Estado. Que proposta de reorganização orienta essa resistência?
- ❌ A) Manutenção do bipartidarismo oficial como representação suficiente. Isso não corresponde à defesa de participação sem tutela e de eleições livres.
- ✅ B) Garantias democráticas e controle civil do Estado para impedir novas violações. O grupo articula denúncias, direitos, eleições e fiscalização das ações estatais.
- ❌ C) Crescimento econômico com restrição temporária de direitos. A alternativa substitui o foco em garantias e participação por uma prioridade que o texto não apresenta.
- ❌ D) Luta armada como estratégia principal. As ações descritas são redes civis, denúncias e defesa jurídica, não uma estratégia armada.
- ❌ E) Fortalecimento do Executivo e ampliação dos poderes policiais. Isso contraria a denúncia de abusos e a reivindicação de controle civil.
Gabarito: B. A assistência às famílias aparece ligada a uma mudança institucional: fortalecer direitos e mecanismos de controle para evitar a repetição de violações.
Próximos passos
As oito questões podem servir como revisão, avaliação formativa ou ponto de partida para uma sequência com fontes históricas. Para ampliar o trabalho, consulte também as questões da habilidade EF09HI20 e as questões da habilidade EF09HI19. No gerador de provas do GeraProva, você pode organizar avaliações para sua turma; o cadastro grátis permite começar a explorar a plataforma.
Use as questões como apoio e ajuste a seleção ao percurso da sua turma. O gabarito comentado ajuda na correção, mas a conversa sobre as fontes e os argumentos é parte essencial da aprendizagem.
O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.
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