Em 1944, exilados nos Estados Unidos, Theodor Adorno e Max Horkheimer afirmaram, em Dialética do…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em 1944, exilados nos Estados Unidos, Theodor Adorno e Max Horkheimer afirmaram, em Dialética do Esclarecimento, que o projeto iluminista prometia libertar os seres humanos do medo e da superstição por meio da razão. Para os autores, porém, a razão esclarecida passou a se reduzir a cálculo e controle: a natureza e as pessoas viram objetos a serem medidos, classificados e utilizados. A narrativa corrente sobre a modernidade costuma associar o avanço científico e técnico ao progresso moral e à liberdade crescente. Os frankfurtianos escreviam depois da experiência do nazismo e da guerra, quando a técnica foi usada para a organização burocrática da violência, e observavam também a padronização da vida pela indústria cultural. Tabela de comparação elaborada para esta questão: Narrativa corrente da modernidade | Matriz da Escola de Frankfurt Razão = instrumento de emancipação | Razão instrumental = instrumento de dominação Técnica avança, liberdade avança | Técnica pode avançar junto com a barbárie Progresso medido por eficiência e produção | Progresso exige reflexão sobre fins humanos ADORNO, Theodor; HORKHEIMER, Max. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 1985 (adaptado). Com base no texto e na tabela, indique como a Escola de Frankfurt avalia criticamente a narrativa corrente sobre a modernidade, relacionando essa avaliação ao contexto histórico vivido pelos autores.
- A) Espera-se que o aluno explique que, para Adorno e Horkheimer, a razão iluminista, ao se reduzir a instrumento de cálculo, eficiência e controle, não garante liberdade: pode servir à dominação das pessoas e da natureza. Esse diagnóstico decorre do contexto de exílio, nazismo e guerra, em que a técnica avançada organizou a violência e a vida foi padronizada pela indústria cultural. Assim, contestam a identificação automática entre progresso técnico e progresso moral, defendendo que o progresso exige reflexão crítica sobre os fins humanos da técnica.
- B) Considera-se que a dominação identificada pelos frankfurtianos decorre da concentração do controle técnico nas mãos de grupos políticos, e não da redução da razão a cálculo e eficiência. O nazismo e a guerra mostrariam os riscos de restringir esse controle a poucos agentes; com maior participação social nas decisões e acesso mais amplo aos recursos técnicos, a técnica poderia favorecer a liberdade. Desse modo, o progresso dependeria principalmente de quem controla os meios disponíveis, sem exigir uma revisão dos fins da produção.
- C) Avalia-se que a experiência do nazismo e da guerra revela uma falha de organização política e burocrática, pois a técnica disponível não foi acompanhada por instituições capazes de limitar a violência. Nessa leitura, a eficiência e a produção continuam sendo medidas válidas do progresso moderno, enquanto a dominação resulta da fragilidade dos mecanismos de controle político. A crítica dos autores apontaria, portanto, para a necessidade de aperfeiçoar as instituições, sem contestar a confiança na razão técnica como caminho para a emancipação.
- D) Interpreta-se que o nazismo e a guerra demonstram a permanência de preconceitos e crenças irracionais que o projeto iluminista ainda não conseguiu superar. A crítica de Adorno e Horkheimer seria, assim, uma defesa de maior racionalização da vida coletiva: com ciência e técnica mais desenvolvidas, a sociedade poderia afastar a barbárie e ampliar a liberdade. A padronização cultural indicaria uma etapa de transição para referências comuns, e não uma forma de dominação ligada ao modo como a razão organiza a produção e as relações sociais.
- E) Entende-se que, para os autores, a razão instrumental se torna problemática sobretudo quando organiza as relações entre as pessoas, enquanto o domínio técnico da natureza preserva seu sentido emancipador. O contexto do nazismo e da guerra ilustraria o uso político do controle social, sem questionar o avanço científico em si. Assim, a liberdade poderia acompanhar a técnica voltada à transformação da natureza, e a crítica frankfurtiana se dirigiria à aplicação da racionalidade nas relações humanas.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto distingue a razão como possível instrumento de emancipação da razão instrumental, reduzida a cálculo, eficiência e controle. Para Adorno e Horkheimer, essa redução pode transformar pessoas e natureza em objetos de dominação, sem garantir liberdade.
- O contexto histórico sustenta a crítica: os autores escreveram após o nazismo e a guerra, quando a técnica e a burocracia foram mobilizadas para organizar a violência; também criticaram a padronização promovida pela indústria cultural.
- Portanto, avanço técnico não equivale automaticamente a progresso moral. A alternativa A expressa essa crítica e destaca que o progresso exige reflexão sobre os fins humanos da técnica.
- B erra ao atribuir o problema sobretudo a quem controla a técnica, sem questionar seus fins. C reduz a crítica a falhas institucionais e mantém a confiança na razão técnica. D propõe mais racionalização, embora os autores critiquem a própria razão reduzida a instrumento. E separa o domínio da natureza da dominação, mas o texto critica a instrumentalização de ambos.
💡 Dica: Relacione razão instrumental e dominação ao contexto do nazismo, da guerra e da indústria cultural.
Alternativa por alternativa
O texto contrapõe a narrativa de que a técnica traz liberdade à tese frankfurtiana da razão instrumental. O contexto do nazismo e da guerra sustenta a crítica: a eficiência técnica convive com a barbárie, e por isso o progresso depende de reflexão sobre seus fins.
Supõe que a dominação decorre principalmente da concentração do controle técnico e que uma distribuição mais ampla desse controle bastaria. O texto também questiona a redução da razão a cálculo e a orientação dos fins da produção.
Por que engana: Atribuir a barbárie apenas ao uso político da técnica, sem reconhecer a crítica à própria razão reduzida a cálculo e controle.
Interpreta o nazismo e a guerra como simples falhas de organização política, preservando eficiência e produção como medidas suficientes do progresso. Com isso, deixa de perceber a crítica à razão instrumental.
Entende que os autores defendem mais ciência e racionalização para superar a barbárie. A crítica apresentada é justamente que a razão, quando reduzida a cálculo e controle, pode servir à dominação.
Supõe que o domínio técnico da natureza permanece emancipador e que a crítica se limita às relações humanas. O texto inclui a natureza entre aquilo que a razão instrumental transforma em objeto de controle.
Raio-X da questão
Crítica da razão instrumental
avaliacao
Iluminismo e projeto de emancipação pela razão · Contexto histórico do nazismo e da Segunda Guerra Mundial
Progresso técnico e progresso moral
Atribuir a barbárie apenas ao uso político da técnica, sem reconhecer a crítica à própria razão reduzida a cálculo e controle.
Ciência, tecnologia e ética
historico
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