Após um velório, oito familiares combinaram encontros de apoio e ações para recordar a pessoa falecida. Em um…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Após um velório, oito familiares combinaram encontros de apoio e ações para recordar a pessoa falecida. Em um cenário hipotético, um gráfico de linhas registra, no eixo horizontal, os dias após o velório (2, 9, 16 e 23). No eixo vertical, a primeira linha mostra o número acumulado de encontros realizados: 1, 2, 3 e 3. A segunda linha mostra quantos familiares relataram, em cada data, ter associado uma ação de memória a um sentido pessoal: 1, 3, 3 e 5. Os registros não informam o que cada participante vivenciou fora dos encontros nem permitem comparar os familiares com outras pessoas. Considerando as tendências descritas e a perspectiva de Viktor Frankl, qual interpretação é mais adequada?
- A) O aumento dos relatos indica que os encontros favoreceram a construção de sentido, pois a participação coletiva oferece referências compartilhadas para elaborar a perda.
- B) A estabilidade final dos encontros mostra que a atribuição de sentido depende da continuidade das reuniões, cuja regularidade sustenta o apoio entre familiares.
- C) A sequência sugere que a atribuição de sentido levou os familiares a ampliar os encontros, já que a elaboração pessoal se expressa na ação coletiva.
- D) As diferenças entre os familiares confirmam que o sentido é produzido principalmente pelo grupo, e os encontros organizam uma interpretação comum da perda.
- E) A variação dos relatos não demonstra que os encontros causaram a atribuição de sentido; eles podem oferecer uma ocasião de apoio, mas a construção de sentido permanece singular.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Os dados mostram que os encontros acumulados passam de 1 para 3 e depois permanecem em 3, enquanto os relatos de associação de uma ação de memória a um sentido pessoal variam de 1 para 5.
- Essa evolução, por si só, não estabelece que os encontros causaram os relatos: não há comparação com outras pessoas nem informações sobre vivências fora dos encontros. Além disso, na perspectiva de Frankl, o sentido é encontrado por cada pessoa, embora relações e situações possam oferecer apoio.
- Portanto, E é a interpretação mais cautelosa e adequada. A afirmação não exclui que os encontros apoiem os familiares; apenas evita atribuir a eles uma causalidade que os dados não comprovam.
- A erra ao tratar o aumento como prova de que os encontros favoreceram a construção de sentido; B atribui à regularidade um papel causal não demonstrado; C inverte a relação e supõe que os relatos levaram à ampliação dos encontros; D generaliza que o sentido é produzido principalmente pelo grupo, contrariando seu caráter singular. O gabarito oficial E é compatível com a leitura dos dados e com essa perspectiva.
💡 Dica: Diferencie associação de causalidade e considere os limites dos dados apresentados.
Alternativa por alternativa
Interpreta a coincidência entre o aumento dos relatos e a realização de encontros como prova de que estes causaram a construção de sentido. Os registros não permitem concluir essa causalidade.
Por que engana: Concluir que os encontros causaram a atribuição de sentido apenas porque ambos os registros variam.
Supõe que a estabilidade dos encontros sustenta necessariamente a atribuição de sentido. O gráfico não mostra que a regularidade das reuniões seja condição para isso.
Inverte a relação entre os dados ao afirmar que a atribuição de sentido levou à ampliação dos encontros. A sequência observada não comprova essa influência.
Conclui que o grupo produz principalmente o sentido a partir de diferenças nos relatos. Na perspectiva de Frankl, o sentido é pessoal, ainda que o grupo possa oferecer apoio.
Os relatos aumentam no período descrito, mas a coincidência temporal com a realização dos encontros não comprova uma relação causal. A perspectiva de Frankl permite compreender o sentido como algo pessoal, sem reduzir sua construção à participação em uma atividade coletiva.
Raio-X da questão
Sentido como construção singular em Viktor Frankl.
avaliacao
Perspectiva de Viktor Frankl sobre a busca de sentido. · Distinção entre correlação e causalidade.
Limites de inferência causal a partir de dados observacionais.
Concluir que os encontros causaram a atribuição de sentido apenas porque ambos os registros variam.
Saúde e bem-estar; luto e apoio familiar.
Empatia diante do luto e respeito às experiências individuais.
cotidiano
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