EM 1966, ARMANDO NOGUEIRA PUBLICOU O LIVRO EM QUE APARECE A CRÔNICA QUE VOCÊ LERÁ A SEGUIR. CONSIDERE-A PARA…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
EM 1966, ARMANDO NOGUEIRA PUBLICOU O LIVRO EM QUE APARECE A CRÔNICA QUE VOCÊ LERÁ A SEGUIR. CONSIDERE-A PARA RESPONDER ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 22 A 26. A rua do Caloca Bendito o bairro em que os meninos ainda podem jogar futebol pelas calçadas. Ipanema, as ruas amenas de Ipanema estão sempre cheias de meninos a chutar bolas. Hoje de manhã, mesmo, passei por dois garotinhos, um de seis anos, outro de três, no máximo: o maior ensinava, pacientemente, o menor a chutar com o peito do pé e, ontem, a turma da Rua Barão de Jaguaribe enfrentou o time da Rua Redentor. Quando estou folgado, subo e desço as ruas da vizinhança, olhando os meninos no futebol: são vinte, trinta de cada lado, todos garotinhos abaixo de dez anos, ardendo na pelada que nunca tem hora para acabar; não há muito rigor contra a violência e só uma regra é respeitada - a mão na bola. Tocou o dedo na bola, falta, “quem cobra sou eu” e forma-se um bolinho em volta da bola, parece cobrança de pênalti no Maracanã. De quando em quando, um automóvel interrompe a partida de futebol, mas invariavelmente os motoristas têm o carinho de reduzir a marcha a uma velocidade que não ponha em risco a vida das crianças e que, por outro lado, lhes permita desfrutar, ainda que como espectadores, das emoções da pelada. Das ruas, a mais encantadora, sem desmerecer as outras, é a Redentor, que eu saúdo como a rua do time do Caloca. Pena é que, numa das esquinas, more uma senhora estranha ao clima espiritual deste bairro, onde as meninas brincam de cantigas de roda e os meninos de jogar futebol. Se eu fosse alguma coisa neste país, já teria corrido de Ipanema aquela mulher rabugenta, que, na presença de vinte meninos, furou a bola deles com uma tesoura e, depois, cortou em pedacinhos. Só porque uma rebatida imprecisa do Diguinho jogou a bola contra a casa dela. Era uma bonita bola, rosada, Seleção de Ouro, que os meninos tinham comprado em uma vaquinha por novecentos cruzeiros. (NOGUEIRA, Armando. Na grande área. Rio de Janeiro: Bloch Editores, 1966. Adaptado) Assinale a alternativa correta sobre as informações contidas no texto. (ETEC 2011)
- A) Os times, por terem poucos integrantes, não precisavam de regras para o jogo, e não havia lances violentos.
- B) O cronista se ressentia da perversidade da mulher ranzinza que destruiu a bola comprada pelos garotos.
- C) Diariamente o escritor passava pelas ruas de Ipanema e se deleitava ao observar os meninos que jogavam bola.
- D) Os motoristas reduziam a marcha do carro para proteger as crianças, embora passassem alheios à brincadeira de rua.
- E) Das três ruas: Barão de Jaguaribe, Redentor e do Caloca, o cronista preferia a última, pois ali os garotos fizeram até uma vaquinha para comprar uma bola oficial.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia o texto e localize as informacoes principais: os meninos jogam futebol nas ruas de Ipanema, existe a regra 'mao na bola', os motoristas reduzem a marcha, a rua Redentor e a preferida do cronista, e uma mulher rabugenta furou e cortou a bola comprada por vaquinha.
- Verifique a alternativa correta (B). O cronista critica a mulher que destruiu a bola dos garotos, o que indica seu ressentimento com o ato; por isso a alternativa afirma corretamente que ele se ressentia.
- Descarte a alternativa A, porque o texto mostra que havia regra e muitos jogadores (vinte a trinta de cada lado).
- Descarte a alternativa C, porque o cronista passa pelas ruas quando esta folgado, e nao diariamente.
- Descarte a alternativa D, porque os motoristas reduzem a marcha justamente para proteger as criancas e permitir que desfrutem da pelada, nao passam alheios.
- Descarte a alternativa E, porque a rua preferida e a Redentor, e a bola comprada por vaquinha era uma Seleção de Ouro, nao uma bola oficial.
💡 Dica: Confira cada alternativa com o trecho correspondente do texto, atento a palavras absolutas e a trocas de elementos (rua, bola, quem destruiu).
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter entendido que, por serem criancas, nao havia regras e a violencia era aceita, ignorando a regra 'mao na bola' e o numero de jogadores citado.
CORRETA. CORRETA. A alternativa B afirma que o cronista se ressentia da mulher que destruiu a bola. Essa leitura e a compativel com o texto: o cronista critica a mulher rabugenta que furou e cortou a bola dos meninos, comprada por vaquinha, e diz que, se fosse alguma coisa no pais, a expulsaria. Observacao: a palavra 'perversidade' e uma interpretacao da indignacao do cronista, nao um termo do texto.
O aluno pode ter absorvido o tom afetuoso do texto e generalizado 'quando estou folgado' como uma passagem diaria e um prazer constante.
O aluno pode ter lido a reducao de marcha como cuidado apenas formal, sem perceber que os motoristas sao descritos como participantes da alegria da pelada.
O aluno pode ter misturado os elementos das ruas e da bola, tratando a rua do Caloca como uma rua separada e a Seleção de Ouro como bola oficial.
Por que engana: Aceitar a alternativa B por causa do tom de indignacao sem notar que a 'perversidade' e atribuida de forma exagerada e que o texto nao diz que o cronista se ressente
Raio-X da questão
Interpretacao de texto literario: informacoes explicitas e atitude do narrador
avaliacao
Leitura e compreensao de textos narrativos · Distincao entre fato e opiniao
Leitura de cronica e localizacao de informacoes
Aceitar a alternativa B por causa do tom de indignacao sem notar que a 'perversidade' e atribuida de forma exagerada e que o texto nao diz que o cronista se ressente
cidadania_etica
empatia
literario
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