Final Feliz Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Final Feliz Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um projeto em que devem ter entrado amor e filhos, talvez netos e esperanças. Deve ter chegado com ar triunfante ao alto da colina das Perdizes, quando os raros moradores ainda dividiam espaços com as preás*, pois consta que perdizes não havia. Ele deve ter descortinado lá embaixo o vale desabitado do Pacaembu; na colina oposta, as elegantes chaminés de Higienópolis e, lá longe, as fumaças da laboriosa Lapa. E deve ter pensado: é aqui o lugar! A casa deve ter sido imponente: seis enormes janelas laterais, uma espaçosa e comprida varanda voltada para um extenso terreno onde houve, algum dia, um pomar e um jardim. Dois bancos de alvenaria protegidos por quatro colunas sugerem a existência de uma pérgula*. Atrevo-me a imaginar que alguém, às tardes, ficava ali a ler, ou a bordar, sob uma parreira de uvas roxas... Mas agora, abandonada, é como se a casa tivesse desistido aos poucos de viver. Moradores levianos param de amá-las, depois que desaparecem aqueles que mandaram erguê-las e, assim, a casa ressente-se da ausência humana e logo perde o viço*. A tinta das janelas racha, as paredes estalam, o vento levanta sua pele de cal e silêncios, os telhados cedem ao peso da responsabilidade de décadas sem uma palavra de agradecimento, vidraças explodem castigadas e ratos e morcegos se instalam oportunistas. Mas, para ter um final feliz, imaginei contar, ao contrário, a história de um desses casarões que se deixam morrer nessa cidade. Ela começaria com um sem-teto arrancando a janela rachada para aquecer-se numa noite fria, assustando os morcegos e ratos, e iria caminhando para trás, ano após ano, a pintura refazendo-se, o pó sumindo, o verde voltando, os moradores a desfrutando, prazerosamente, a festa de inauguração, a janela de pinho-de-riga sendo instalada, a mesma janela viajando de navio para o Brasil, junto com outros materiais, e terminaria com um senhor trajado de roupas do início do século passado dizendo com confiança e energia: - Vou construir aqui uma casa que meus netos e bisnetos vão amar! (Ivan Ângelo, Veja SP, 24.01.2001. Adaptado) *Preás: pequeno roedor *Viço: força; beleza *Pérgula - Parque da Água Branca Considere o trecho: Ela começaria com um sem-teto arrancando a janela rachada para aquecer-se numa noite fria, assustando os morcegos e ratos, e iria caminhando para trás, ano após ano, a pintura refazendo-se, o pó sumindo, o verde voltando... Os trechos em destaque colaboram para expressar, correta e respectivamente, as ideias de (ETEC 2010)
- A) oposição e localização.
- B) oposição e tempo.
- C) finalidade e causa.
- D) finalidade e tempo.
- E) companhia e localização.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Analise o primeiro trecho destacado: "para aquecer-se numa noite fria". A expressao "para aquecer-se" responde a pergunta "com que finalidade o sem-teto arranca a janela?", indicando finalidade. A noite fria e o motivo da acao, mas a construcao introduzida por "para" expressa o objetivo.
- Analise o segundo trecho destacado: "ano após ano, a pintura refazendo-se, o pó sumindo, o verde voltando". A expressao "ano após ano" indica a sucessao de momentos ao longo do tempo, ou seja, a ideia de tempo, pois o texto retrocede cronologicamente.
- Confira as alternativas. A alternativa D (finalidade e tempo) corresponde exatamente aos dois sentidos identificados.
- Justificativa das demais. A: oposicao nao ocorre em nenhum dos trechos; localizacao so apareceria com ideia de lugar. B: o primeiro trecho nao expressa oposicao. C: causa nao e o sentido de "para aquecer-se", e "ano apos ano" nao expressa causa. E: companhia nao aparece; "assustando" indica modo ou consequencia, nao companhia, e "ano apos ano" nao e localizacao.
💡 Dica: Pergunte-se o que a expressao responde: para que (finalidade) ou quando/com que frequencia (tempo). Teste conectivos equivalentes.
Alternativa por alternativa
Interpreta 'ano apos ano' como ideia de lugar, confundindo a sucessao temporal com localizacao, e nao identifica oposicao nos trechos.
Percebe corretamente o tempo no segundo trecho, mas atribui oposicao ao primeiro, sem perceber que 'para aquecer-se' indica objetivo.
Toma 'para aquecer-se' como causa, pela presenca da noite fria, sem distinguir causa de finalidade.
Por que engana: Confundir finalidade com causa ao ler 'para aquecer-se' como consequencia da noite fria, e tomar 'ano apos ano' como localizacao.
CORRETA. 'Para aquecer-se' expressa finalidade (para que arranca a janela) e 'ano apos ano' expressa a ideia de tempo, marcando a sucessao temporal do retrocesso narrativo.
Associa 'assustando' a companhia e 'ano apos ano' a localizacao, sem analisar o sentido das locucoes.
Raio-X da questão
Relacoes semanticas de finalidade e tempo expressas por conectivos e locucoes
avaliacao
Conectivos e oracoes subordinadas adverbiais · Oracoes reduzidas de gerundio e infinitivo
Classificacao de conectivos por sentido (causa, finalidade, tempo, oposicao, localizacao)
Confundir finalidade com causa ao ler 'para aquecer-se' como consequencia da noite fria, e tomar 'ano apos ano' como localizacao.
pensamento_critico
literario
Questões parecidas com resolução
- Final Feliz Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um projeto em que…
- Final Feliz Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um projeto em que…
- Final Feliz Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um projeto em que…
- Final Feliz Há uma casa morrendo na minha rua. Penso em quem a pôs de pé. Tinha certamente um sonho, um projeto em que…
- ENEM - 2009 Como se assistisse à demonstração de um espetáculo mágico, ia revendo aquele ambiente tão característico de…
- Por que alguns traços de memória insistem em sobreviver mesmo quando as paredes parecem calcinadas pelo tempo? No…
🔎 Procurar outra questão
Procure no banco do GeraProva pelo tema ou por um trecho do enunciado. Cada questão já vem com resolução comentada e a análise de cada alternativa.
Professor: monte a prova com questões como esta, com gabarito e folha de respostas, em 30 segundos. Ver planos · Blog
