Por que alguns traços de memória insistem em sobreviver mesmo quando as paredes parecem calcinadas pelo tempo?…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar efeitos de sentido decorrentes de usos expressivos da linguagem, da escolha de determinadas palavras ou expressões e da ordenação, combinação e contraposição de palavras, dentre outros, para ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de uso crítico da língua.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por que alguns traços de memória insistem em sobreviver mesmo quando as paredes parecem calcinadas pelo tempo? No coração de um casarão centenário, as rachaduras e manchas formam desenhos imprecisos que rememoram vozes antigas. Entre corredores silenciosos, padrões de bolor e tinta desbotada revelam histórias não escritas. Ali, as paredes esboçam caligrafias do passado, convidando o visitante a decifrar fragmentos de vidas esquecidas. Cada sombra e relevo arquitetônico assume o papel de narrador mudo, transmitindo, através do desgaste, o testemunho firme de gerações que habitaram aquele espaço. Analise o efeito de sentido decorrente da personificação em "paredes esboçam caligrafias do passado". Que função expressiva essa figura de linguagem assume no contexto?
- A) Enfatiza a tensão entre ruído urbano e silêncio interior
- B) Evoca a sensação de que o ambiente colabora ativamente para preservar memórias
- C) Neutraliza qualquer carga emotiva ao enfatizar caráter estático das paredes
- D) Destaca a objetividade do narrador em relatar eventos passados
- E) Sugere a indiferença das construções históricas ao desgaste do tempo
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- A personificação atribui a seres não humanos ações e características próprias de pessoas. Em 'paredes esboçam caligrafias do passado', as paredes realizam a ação humana de esboçar uma escrita, o que as transforma em quase agentes. Passo 2: No contexto, essa figura reforça a ideia central do texto: o ambiente funciona como narrador mudo e guarda, pelo desgaste, o testemunho das gerações que ali viveram. Assim, a personificação transmite a sensação de que o espaço colabora ativamente para preservar memórias, o que corresponde à alternativa B. Passo 3: A alternativa A está errada, pois o texto não contrapõe ruído urbano a silêncio interior; o silêncio aparece, mas sem tensão com barulho externo. Passo 4: A alternativa C está errada, porque a figura não neutraliza a emoção, e sim a intensifica ao dar voz e atividade às paredes. Passo 5: A alternativa D está errada, pois o texto é subjetivo e evocativo, sem nenhuma objetividade no relato de fatos. Passo 6: A alternativa E está errada, já que as paredes são retratadas como guardiãs ativas da memória, e não como indiferentes ao tempo.
💡 Dica: Analise o efeito da personificação no trecho destacado e relacione com a função expressiva no contexto.
Alternativa por alternativa
O aluno percebe a palavra 'silêncio' no texto e a associa a uma oposição com algum ruído, criando um contraste que não existe no enunciado.
Por que engana: Confundir a função da personificação com outras figuras de linguagem ou interpretar de forma literal o trecho.
A personificação atribui ação às paredes, sugerindo que elas participam da lembrança e conservação histórica.
O aluno confunde personificação com descrição estática e entende que 'paredes' são objetos inertes, o que anula a ideia de ação humana atribuída a elas.
O aluno associa a fala sobre 'fatos passados' a um relato objetivo e confunde a narração de memórias com um registro impessoal de eventos.
O aluno lê a menção ao desgaste do tempo como indício de indiferença, sem perceber que o texto apresenta esse desgaste como testemunho e preservação.
Raio-X da questão
personificação e função expressiva
diagnostico
figuras de linguagem básicas · interpretação de texto literário
figuras de linguagem e interpretação de texto literário
Confundir a função da personificação com outras figuras de linguagem ou interpretar de forma literal o trecho.
pensamento_critico
literario
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