Temple Grandin empacou diante da porteira. Alguns parafusos cravados na madeira lhe saltaram aos olhos. “Tem…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Estabelecer relações entre as partes do texto, tanto na produção como na leitura/escuta, considerando a construção composicional e o estilo do gênero, usando/reconhecendo adequadamente elementos e recursos coesivos diversos que contribuam para a coerência, a continuidade do texto e sua progressão temática, e organizando informações, tendo em vista as condições de produção e as relações lógico-discursivas envolvidas (causa/efeito ou consequência; tese/argumentos; problema/solução; definição/exemplos etc.).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Temple Grandin empacou diante da porteira. Alguns parafusos cravados na madeira lhe saltaram aos olhos. “Tem que limar a cabeça desses parafusos, se não o gado pode se machucar”, aconselhou à dona da fazenda, Carmen Perez, que ao lembrar a cena comentou: “Sempre passo no curral antes do manejo, observo tudo, dizem que tenho olho biônico, e ela notou uma coisa que eu não tinha visto.”. Grandin tem um parafuso a mais quando se trata do bem-estar dos bichos. Professora de ciência animal, ela é autista e dona de uma hipersensibilidade visual e auditiva. Tocada pelas angústias do gado desde a juventude, ela compreendia por que a rês recuava na hora da vacinação, por que atacava um vaqueiro, por que tropeçava, por que mugia. Grandin traduziu esse entendimento em projetos que propunham mudanças no manejo. Hoje, instalações criadas por ela são familiares a quase metade dos bovinos nos Estados Unidos. O Brasil, com seus quase 172 milhões de cabeças de gado, segundo o Censo Agropecuário de 2017, vem aos poucos fazendo ajustes alinhados com as propostas da americana. Em julho passado, Grandin, hoje com 71 anos, veio ao Brasil pela sexta vez. Na fazenda Orvalho das Flores, localizada em Barra do Garças (MT), ela testemunhou como a equipe de Perez conduz suas 2 980 cabeças de Nelore, raça predominante no país. Os vaqueiros massageiam os bezerros, não gritam com os bois, tampouco deixam capas de chuva, correntes ou chapéus no caminho dos animais. A engenheira agrônoma Maria Lucia Pereira Lima foi aluna de pós-doutorado de Grandin na Universidade do Estado do Colorado, em Fort Collins, em 2013. Viajara aos Estados Unidos para aprender como medir o bem-estar dos bovinos e se inteirar de inovações que pudessem ser implantadas em currais brasileiros. Uma delas, por exemplo, tranquiliza o animal conduzido à vacinação: o gado em geral se via obrigado a passar espremido por espaços afunilados. Grandin projetou um acesso em curva, sem cantos, que dá à rês a ilusão de que voltará ao ponto de partida. Outra: uma lâmpada acesa na entrada do tronco de contenção – o equipamento que permite o manejo individual do boi – a indicar o trajeto reduziu em até 90% o uso de choque elétrico durante o processo. [...] No auditório da universidade, outros pesquisadores se revezavam no palco discutindo aspectos econômicos e sociais relacionados ao bem-estar animal. O tempo de manejo cai pela metade nos estabelecimentos agropecuários que seguem os manuais de Grandin. De ovos transportados com cuidado nascem pintinhos sadios. Sem falar na melhor qualidade de vida de quem lida com esses bichos. Vaqueiros bem treinados sofrem menos acidentes no trabalho e desenvolvem uma relação mais harmoniosa nos casamentos. “A melhoria do bem-estar animal melhora o bem-estar humano”, afirmou o zootecnista Mateus Paranhos da Costa, da Universidade Estadual Paulista. Monica Manin <https://tinyurl.com/y8xeoqul> Acesso em: 12.10.2018. Adaptado. De acordo com as informações apresentadas no texto sobre os trabalhos da professora Temple Grandin, a mudança proposta por ela no tratamento dos animais acarreta (FATEC 2019)
- A) benefícios aos animais e aos tratadores, pois os tratadores se expõem menos a riscos e ganham maior qualidade de vida.
- B) benefícios aos animais em detrimento do encarecimento dos produtos derivados dos gastos excessivos no bem-estar da criação.
- C) prejuízos aos tratadores de gado em detrimento dos animais que, não só recebem tratamentos piores, mas ainda são antropomorfizados.
- D) benefícios aos criadores de animais de pequeno porte, pois não detêm poder aquisitivo suficiente para investir na infraestrutura e concorrer com os grandes proprietários.
- E) prejuízos aos animais de grande porte, pois os investidores gastam mais para manter a infraestrutura necessária, como currais sem cantos ou pregos fora do lugar e, consequentemente, menos em seu bem-estar.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique o foco da pergunta: o efeito da mudança proposta por Grandin no tratamento dos animais. Passo 2: No texto, há dois tipos de benefícios: ao gado (acesso em curva que tranquiliza o animal, lâmpada que reduz o choque elétrico em até 90%) e aos humanos (vaqueiros sofrem menos acidentes e têm relação mais harmoniosa). Passo 3: A alternativa A reúne exatamente essas duas dimensões, sendo a correta. Passo 4: A alternativa B é errada porque o texto indica redução do tempo de manejo, não encarecimento. Passo 5: A alternativa C é errada porque inverte a relação, atribuindo prejuízo aos tratadores e pior tratamento ao gado, o que contraria o texto. Passo 6: A alternativa D é errada porque o texto não fala de pequenos criadores nem de disputa econômica entre produtores. Passo 7: A alternativa E é errada porque apresenta as mudanças como prejudiciais, quando o texto as descreve como melhorias ao bem-estar animal.
💡 Dica: Procure no texto os trechos sobre benefícios aos animais e aos vaqueiros e escolha a alternativa que reúne ambos.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O texto mostra que as mudanças propostas por Grandin reduzem o uso de choque e o estresse do gado (benefício aos animais) e também reduzem acidentes de trabalho e melhoram a qualidade de vida dos vaqueiros (benefício aos tratadores).
O aluno pode associar a adoção de melhorias a gastos extras e a aumento de custo, sem que o texto diga isso.
Por que engana: Aceitar a alternativa que menciona apenas um dos lados ou que distorce uma informação do texto
O aluno pode inverter a relação entre animais e tratadores, achando que o foco do texto é a perda dos vaqueiros.
O aluno pode trazer para o texto uma ideia externa sobre pequenos produtores e concorrência, que não aparece nas informações apresentadas.
O aluno pode ler a menção a currais e pregos como problemas, sem perceber que o texto trata esses elementos como fatores a serem corrigidos.
Raio-X da questão
Interpretação de consequências de uma proposta em texto informativo
avaliacao
Leitura de textos jornalísticos · Identificação de informações explícitas
Localização de informações explícitas e relação entre partes do texto
Aceitar a alternativa que menciona apenas um dos lados ou que distorce uma informação do texto
saude
empatia
cientifico
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