Em cidades da fronteira seca entre Brasil e Uruguai, como Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai)…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em cidades da fronteira seca entre Brasil e Uruguai, como Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai), separadas apenas por uma rua, brasileiros e estrangeiros circulam livremente para trabalhar, estudar e consumir. Enquanto documentos oficiais marcam a “linha de fronteira”, muitos habitantes afirmam sentir-se parte de um mesmo espaço urbano, cultivando laços familiares e de trabalho que cruzam nacionalidades. Em entrevistas, trabalhadores locais relatam que atravessar a fronteira faz parte da rotina, praticamente sem barreiras no dia a dia. Já brasileiros recém-chegados ou uruguaios vindos do interior destacam sentimentos diferentes: para alguns, a fronteira representa oportunidade e acesso a outros mercados; para outros, incerteza por conta de línguas, leis e regulamentos distintos. Assim, a experiência da fronteira é vivida de maneiras diversas, influenciando as formas de pertencimento e territorialidade. Com base no texto, compare as percepções de trabalhadores brasileiros e estrangeiros sobre a fronteira na região de circulação livre entre Santana do Livramento e Rivera. Qual diferença central pode ser identificada na forma como esses grupos vivenciam o território e a fronteira?
- A) Tanto trabalhadores brasileiros quanto estrangeiros identificam a fronteira apenas como uma linha política nos mapas, sem impacto nas relações ou práticas cotidianas.
- B) Para os trabalhadores estrangeiros, a fronteira é vista como uma divisão apenas simbólica, já para brasileiros, ela é sempre percebida como uma barreira concreta que limita sua circulação e integração.
- C) Todos os trabalhadores, independentemente do tempo de residência, sentem a fronteira como uma barreira rígida e permanente, limitando a integração e a circulação entre Brasil e Uruguai.
- D) A convivência na fronteira faz com que não existam diferenças culturais ou institucionais entre brasileiros e estrangeiros, igualando completamente a experiência territorial para todos os trabalhadores.
- E) Trabalhadores que vivem na região há mais tempo tendem a perceber o território como um espaço compartilhado, com fronteira simbólica, enquanto recém-chegados brasileiros e estrangeiros, por vezes, experimentam a fronteira como uma separação marcada por diferenças culturais e institucionais.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção. Ele descreve dois modos de viver a fronteira. Os trabalhadores locais, que atravessam a fronteira no dia a dia, têm uma rotina praticamente sem barreiras e cultivam laços familiares e de trabalho que cruzam nacionalidades, por isso sentem a região como um mesmo espaço urbano. Já os brasileiros recém-chegados e os uruguaios vindos do interior destacam diferenças de línguas, leis e regulamentos, que geram incerteza, embora alguns vejam a fronteira como oportunidade.
- Compare essa descrição com a alternativa E. Ela diz que quem vive na região há mais tempo percebe o território como espaço compartilhado, com fronteira simbólica, e que recém-chegados, brasileiros e estrangeiros, experimentam a fronteira como separação marcada por diferenças culturais e institucionais. Essa correspondência é direta com o texto, por isso E é a resposta correta.
- Por que as outras estão erradas. A: o texto afirma que a fronteira influencia as formas de pertencimento e territorialidade, então não é apenas uma linha no mapa. B: inverte os grupos, pois são os trabalhadores locais brasileiros que vivem quase sem barreiras, e não os estrangeiros. C: ignora a diferença entre quem vive há mais tempo e quem chegou recentemente, que é justamente o ponto central do texto. D: nega diferenças que o texto menciona explicitamente, como línguas, leis e regulamentos distintos.
- Conclusão. A diferença central está no tempo de convivência e na familiaridade com o território: quem está estabelecido vivencia a fronteira como espaço comum, e quem chega sente mais a separação institucional e cultural.
💡 Dica: identificar distinção entre percepção de moradores antigos e recém-chegados
Alternativa por alternativa
O aluno entendeu que a fronteira só existe como marcação oficial nos mapas, ignorando que o texto diz que ela influencia o pertencimento e as práticas cotidianas.
O aluno inverteu os grupos, atribuindo aos estrangeiros a visão simbólica e aos brasileiros a barreira concreta, quando o texto mostra que os trabalhadores locais brasileiros circulam quase sem barreiras.
O aluno generalizou que todos sentem a fronteira como barreira rígida e permanente, desconsiderando a diferença entre moradores antigos e recém-chegados que o texto destaca.
O aluno acreditou que a convivência diária apaga diferenças culturais e institucionais, uma intuição do dia a dia que contraria o texto, que cita línguas, leis e regulamentos distintos.
Por que engana: confundir opinião de moradores antigos com recém-chegados
A alternativa correta reflete a diferença entre a territorialidade vivida por residentes antigos, que enxergam a fronteira como algo simbólico e permeável, e a experiência dos recém-chegados, para quem a fronteira ainda é marcada por barreiras legais e culturais.
Raio-X da questão
territorialidade e percepção social na fronteira
comparar diferentes
noção de território e fronteira · leitura e interpretação de texto
conceito de fronteira e espaço urbano
confundir opinião de moradores antigos com recém-chegados
diversidade cultural e integração social
empatia e respeito à diversidade cultural
situação real de fro
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