Abaixo, leia o depoimento e os dados sobre trabalho feminino na indústria brasileira na metade do século XX…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e discutir o papel do trabalhismo como força política, social e cultural no Brasil, em diferentes escalas (nacional, regional, cidade, comunidade).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Abaixo, leia o depoimento e os dados sobre trabalho feminino na indústria brasileira na metade do século XX: Depoimento de Maria, ex-operária têxtil (anos 1950): "No início, entrei na fábrica com 14 anos, como muitas vizinhas. Trabalhávamos oito, às vezes dez horas. As mulheres cuidavam das máquinas leves, porque diziam ser mais delicadas. A lei falava que não podíamos fazer horas extras à noite, mas sempre que era precisado a gente ficava. Era só não contar para a fiscalização. Mesmo com carteira assinada, o salário era menor que o dos homens." Dados do IBGE (1960): No setor têxtil brasileiro, mulheres representavam cerca de 40% do total de empregados, mas acumulavam funções de menor remuneração. Segundo a legislação da época, mulheres tinham restrições legais ao trabalho noturno e jornadas ampliadas. Norma de proteção (CLT, artigo 379, ano 1943): “É proibido o trabalho da mulher em horário noturno nas indústrias.” Considerando os relatos e os dados apresentados, avalie como o depoimento de Maria revela tensões entre a experiência das operárias e as normas de proteção ao trabalho feminino aprovadas na época. Qual opção analisa de modo mais adequado esse cenário?
- A) A legislação de proteção impediu que as mulheres conseguissem entrar no setor industrial e limitou as oportunidades de emprego feminino.
- B) As normas trabalhistas garantiam que todas as operárias fossem rigidamente protegidas, sem exceções, e suas condições eram sempre melhores que as dos homens.
- C) Os conflitos no trabalho industrial feminino se davam exclusivamente pelos baixos salários em comparação com os homens, sem ligação direta com o respeito ou descumprimento das regras legais.
- D) O depoimento evidencia que, apesar das leis proibirem o trabalho noturno para mulheres, a necessidade econômica e a interferência dos empregadores levavam as operárias a cumprir jornadas acima do permitido, expondo uma tensão entre proteção legal e condições reais de trabalho.
- E) As normas de proteção só tinham o objetivo de limitar a atuação das mulheres, evitando que ocupassem funções importantes ou horários valorizados nas fábricas.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O depoimento de Maria mostra jornadas de oito a dez horas, entrada na fábrica aos 14 anos e a prática de ficar até tarde quando era preciso, sem que a fiscalização soubesse. Passo 2: Os dados do IBGE indicam que as mulheres eram cerca de 40% dos empregados têxteis, mas ocupavam funções de menor remuneração. A CLT de 1943 (artigo 379) proibia o trabalho feminino noturno nas indústrias. Passo 3: Há portanto uma tensão entre a norma escrita e a realidade vivida: a necessidade econômica e a interferência dos empregadores levavam as operárias a cumprir jornadas acima do permitido. Essa é exatamente a análise feita pela alternativa D, que é a correta, e o gabarito oficial coincide com a resolução. Passo 4: Por que as outras estão erradas: a alternativa A contradiz os dados, pois as mulheres já representavam cerca de 40% dos empregados da indústria têxtil. A alternativa B contradiz o depoimento, que relata descumprimento da lei e salários menores que os dos homens. A alternativa C nega a ligação com as regras legais, mas o próprio depoimento mostra o descumprimento da norma noturna. A alternativa E atribui às normas uma intenção de exclusão que o texto não comprova, já que a lei tratava de proteção e o problema relatado é o seu descumprimento.
💡 Dica: Compare o que a lei determinava com o que ocorria no cotidiano das fábricas.
Alternativa por alternativa
Entende que a proteção legal impedia a entrada das mulheres na indústria, confundindo restrição de horário com proibição de emprego. O depoimento mostra justamente o contrário, com Maria entrando na fábrica aos 14 anos.
Acredita que a lei era plenamente cumprida e que as operárias estavam em melhor situação que os homens, ignorando o relato de horas extras escondidas e de salários menores.
Restringe o conflito apenas aos salários e ignora que o próprio depoimento relata o descumprimento da norma de trabalho noturno, o que liga o conflito às regras legais.
Por que engana: Confundir a existência da lei com seu cumprimento efetivo nas fábricas.
A resposta ressalta que as proteções legais não eram integralmente cumpridas e, mesmo com normas estabelecidas, as operárias enfrentavam jornadas longas e exigências que contrariavam a lei, demonstrando conflito entre legislação e prática.
Vê as normas de proteção apenas como instrumento de exclusão, sem considerar que o texto trata de proteção e que o problema relatado é o seu descumprimento.
Raio-X da questão
Tensão entre proteção legal e exploração do trabalho feminino.
Relacionar legislaçã
CLT e direitos trabalhistas no período Vargas. · Inserção feminina no trabalho industrial e desigualdade de gênero.
Trabalhismo e legislação social no Brasil.
Confundir a existência da lei com seu cumprimento efetivo nas fábricas.
Trabalho, gênero e direitos humanos.
Empatia e percepção de desigualdades sociais.
Brasil dos anos 1940
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