Em 1942, uma costureira do Rio de Janeiro, após ser demitida sem receber os salários atrasados, entrou com uma…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e discutir o papel do trabalhismo como força política, social e cultural no Brasil, em diferentes escalas (nacional, regional, cidade, comunidade).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em 1942, uma costureira do Rio de Janeiro, após ser demitida sem receber os salários atrasados, entrou com uma reclamação na Justiça do Trabalho recém-criada. Alegava que havia trabalhado horas extras sem receber adicional e não tinha registro em carteira. A Justiça convocou o antigo empregador, ouviu ambas as partes e definiu que ele deveria pagar os valores devidos e registrar o período trabalhado. Naquele período, a mediação nesses conflitos era vista como expressão ativa do Estado sobre as relações de trabalho, indo além da livre negociação direta entre patrões e empregados. Com base na situação apresentada, explique como a atuação da Justiça do Trabalho, ao mediar conflitos como o relato da costureira em 1942, expressava a intervenção estatal nas relações entre capital e trabalho durante a Era Vargas.
- A) A Justiça do Trabalho apenas solucionava disputas pontuais, sem interferir diretamente nas relações entre patrões e empregados, atuando de forma neutra.
- B) A Justiça do Trabalho foi criada exclusivamente para beneficiar os empresários, ampliando o poder deles sobre os trabalhadores.
- C) A atuação da Justiça do Trabalho servia apenas como orientação moral, não tendo força para impor decisões obrigatórias aos empregadores.
- D) A principal função da Justiça do Trabalho era permitir que patrões e empregados resolvessem livremente seus desacordos, sem intervenção estatal.
- E) A atuação da Justiça do Trabalho demonstrava a intervenção estatal porque garantia que o Estado regulasse os direitos trabalhistas, decidindo sobre questões antes tratadas entre patrões e empregados, e consolidava o controle estatal sobre as relações de trabalho, refletindo o projeto político de Vargas.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifique o fato central. Uma trabalhadora sem registro em carteira e sem o pagamento de horas extras e salários atrasados recorre à Justiça do Trabalho recém-criada, que convoca o empregador, ouve as partes e determina o pagamento e o registro do período trabalhado. Passo 2: Relacione o caso ao contexto da Era Vargas. Naquele período, o Estado passou a regular as relações entre capital e trabalho por meio de leis e instituições próprias, como a CLT e a Justiça do Trabalho, e não deixou o conflito apenas à negociação direta entre patrão e empregado. Passo 3: Analise a alternativa correta. A alternativa E afirma que a atuação da Justiça do Trabalho demonstrava intervenção estatal, pois garantia a regulação dos direitos trabalhistas e decidia sobre questões antes tratadas somente entre patrões e empregados, consolidando o controle estatal e refletindo o projeto político de Vargas. Isso corresponde exatamente ao que o caso mostra: a decisão veio do Estado e foi impositiva. Passo 4: Analise as alternativas erradas. A) está errada porque a Justiça do Trabalho não era neutra nem apenas pontual; ela impunha decisões sobre as relações de trabalho. B) está errada porque a instituição foi criada para proteger o trabalhador e regular as relações, e não para beneficiar exclusivamente os empresários. C) está errada porque as decisões judiciais tinham força obrigatória, como mostra o caso, em que o antigo empregador foi obrigado a pagar e registrar. D) está errada porque a intervenção estatal era justamente o oposto da livre resolução entre as partes. Conclusão: o gabarito oficial E está correto.
💡 Dica: Relacione a decisão obrigatória da Justiça à intervenção do Estado nas relações trabalhistas.
Alternativa por alternativa
O aluno acha que a Justiça do Trabalho apenas resolvia casos isolados sem alterar a relação entre patrões e empregados, como se fosse um árbitro totalmente neutro e sem efeito sobre a estrutura do trabalho.
O aluno associa a Justiça do Trabalho a uma instituição voltada aos interesses dos empresários, desconsiderando que ela foi criada para proteger direitos trabalhistas e corrigir abusos contra os trabalhadores.
O aluno entende que a Justiça do Trabalho apenas aconselhava moralmente, sem poder de impor sentenças, ignorando que o caso mostra a obrigação de pagar valores e registrar o trabalhador.
O aluno confunde a ideia de mediação com a ausência total de Estado, imaginando que a Justiça do Trabalho existia para deixar patrões e empregados resolverem tudo livremente, quando o texto destaca justamente a atuação estatal além da negociação direta.
Por que engana: Confundir a mediação estatal com neutralidade ou livre negociação entre patrões e empregados.
A resposta considera o papel mediador da Justiça do Trabalho como instrumento do Estado que regula e intervém nas relações trabalhistas, afastando a autonomia total das partes e reforçando o controle estatal, como foi característico da Era Vargas.
Raio-X da questão
Intervenção estatal nas relações entre capital e trabalho.
Identificar o papel
Características políticas da Era Vargas. · Noções de direitos trabalhistas e relações de trabalho.
Trabalhismo e corporativismo na Era Vargas.
Confundir a mediação estatal com neutralidade ou livre negociação entre patrões e empregados.
Trabalho, direitos sociais e cidadania.
Cidadania e responsabilidade social.
Era Vargas, direitos
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