Uma prefeitura criou um sistema para definir onde instalar pontos de apoio climático, com água, sombra e…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Uma prefeitura criou um sistema para definir onde instalar pontos de apoio climático, com água, sombra e assentos, durante ondas de calor. O programa classifica os bairros por fluxo diário de pessoas, custo de instalação e facilidade de manutenção. Bairros com muitas pessoas idosas, mas com menor circulação comercial, ficaram nas últimas posições. A secretaria informou que o resultado decorre apenas de cálculos objetivos e que, por isso, não cabe discutir prioridades sociais. Considerando a crítica à racionalidade instrumental, a principal questão sociológica levantada pela situação é que o sistema
- A) explica a menor prioridade dos bairros pela falta de interesse de seus moradores em utilizar serviços públicos de proteção.
- B) demonstra que bairros com menor circulação comercial não precisam receber pontos de apoio climático durante ondas de calor.
- C) elimina a necessidade de discutir prioridades sociais, pois cálculos objetivos asseguram que todos os bairros sejam avaliados sem preferências.
- D) transforma escolhas sobre proteção e vulnerabilidade em critérios técnicos, ocultando os valores sociais presentes na definição das prioridades.
- E) rejeita o uso de cálculos na gestão pública, pois toda decisão baseada em indicadores impede uma ação social racional.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- A questão trata da crítica à racionalidade instrumental, associada à Escola de Frankfurt, que aponta a tendência de reduzir decisões humanas e políticas a cálculos de eficiência, custo e meios técnicos, deixando de lado os fins e os valores envolvidos. Passo 2: No caso, o sistema usa três critérios (fluxo diário de pessoas, custo de instalação e facilidade de manutenção). Esses critérios são técnicos, mas a escolha deles já é uma decisão de valor: ao medir o fluxo de pessoas, o sistema privilegia a circulação comercial e deixa em segundo plano a vulnerabilidade de idosos ao calor. Passo 3: A secretaria afirma que o resultado é apenas objetivo e que não cabe discutir prioridades sociais. Essa afirmação é o núcleo da crítica, pois apresenta uma escolha social como se fosse neutra e natural. Passo 4: A alternativa D descreve exatamente isso: transforma questões de proteção e vulnerabilidade em critérios técnicos e oculta os valores sociais que orientam a definição das prioridades. Passo 5: A alternativa A está errada, pois o texto não menciona falta de interesse dos moradores; a menor posição decorre dos critérios adotados pelo sistema. A alternativa B está errada, pois inverte a questão: o texto não conclui que esses bairros não precisam dos pontos, e sim que foram rebaixados pelo método. A alternativa C está errada, pois é justamente a afirmação da secretaria que a crítica contesta: cálculos não eliminam a necessidade de discutir prioridades, apenas as escondem. A alternativa E está errada, pois a crítica não rejeita o uso de cálculos na gestão, e sim o uso deles como substitutos da deliberação sobre valores. Passo 6: Conclusão: a alternativa correta é a D, que corresponde ao gabarito oficial.
💡 Dica: Observe se os critérios técnicos substituem ou ocultam a discussão sobre vulnerabilidade e justiça social.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter interpretado a menor posição dos bairros como resultado de desinteresse dos moradores, atribuindo a culpa à população e não ao método de classificação.
O aluno pode ter confundido a constatação de que esses bairros ficaram em últimos lugares com a conclusão de que eles não precisam dos pontos, invertendo a crítica social do texto.
O aluno pode ter aceitado literalmente o argumento da secretaria de que a objetividade dos cálculos dispensa a discussão de prioridades, sem perceber que a própria escolha dos critérios já é uma decisão de valor.
Por que engana: Confundir crítica à racionalidade instrumental com rejeição de qualquer cálculo ou indicador.
Os critérios de fluxo, custo e manutenção parecem neutros, mas orientam a distribuição de recursos e podem desfavorecer grupos mais vulneráveis. A crítica não rejeita os cálculos, mas questiona sua apresentação como decisão puramente técnica.
O aluno pode ter entendido a crítica à racionalidade instrumental como uma rejeição total ao uso de dados e cálculos na gestão pública, quando a crítica se dirige ao uso que substitui o debate sobre valores.
Raio-X da questão
Racionalidade instrumental
Identificar valores
Diferença entre meios técnicos e fins sociais · Desigualdade e vulnerabilidade social
Neutralidade técnica e definição social de prioridades
Confundir crítica à racionalidade instrumental com rejeição de qualquer cálculo ou indicador.
Direitos humanos, saúde e justiça ambiental
Responsabilidade social
Políticas públicas,
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