No poema "Traduzir-se", Ferreira Gullar escreve: "Uma parte de mim / é todo mundo: / outra parte é ninguém: /…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
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Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No poema "Traduzir-se", Ferreira Gullar escreve: "Uma parte de mim / é todo mundo: / outra parte é ninguém: / fundo sem fundo. [...] / uma parte de mim é permanente: / outra parte / se sabe de repente". No poema, a oscilação entre “uma parte de mim” e “outra parte” constrói qual compreensão sobre o sujeito lírico?
- A) O sujeito lírico é retratado como alguém cuja identidade se explica apenas pela influência do mundo externo, sem qualquer conflito interior relevante.
- B) O sujeito lírico é apresentado como uma figura em crescimento linear, que supera suas contradições e alcança uma identidade definitiva ao final.
- C) O sujeito lírico é definido como uma voz totalmente impessoal, sem singularidade, que se dissolve por completo na coletividade.
- D) O sujeito lírico é apresentado como alguém de identidade dividida e móvel, que alterna entre o pertencimento coletivo, o vazio interior, a permanência e a mudança.
- E) O sujeito lírico é mostrado como uma consciência coerente e estável, capaz de conciliar sem conflito suas dimensões íntima e social.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O trecho opõe, em versos paralelos, duas metades do eu: "uma parte de mim" e "outra parte". A primeira aparece como pertencimento coletivo ("é todo mundo"), a segunda como vazio ("é ninguém: fundo sem fundo"). Já na segunda estrofe, uma parte é "permanente" e a outra "se sabe de repente", ou seja, muda e se descobre aos poucos.
- Essa alternância entre opostos (coletivo e vazio, permanência e mudança) não resolve o conflito em uma síntese. O sujeito se mostra, portanto, dividido e em movimento, sem uma identidade fixa e definitiva. Isso corresponde exatamente à alternativa D, que fala em identidade dividida e móvel, alternando entre pertencimento coletivo, vazio interior, permanência e mudança.
- Por que as outras alternativas estão erradas:
- A) Está errada porque o poema mostra um conflito interior evidente entre as duas partes, e não uma identidade explicada só pelo mundo externo.
- B) Está errada porque não há crescimento linear nem superação das contradições; o texto mantém a oscilação até o fim.
- C) Está errada porque o sujeito não se dissolve na coletividade: a outra parte é justamente o "ninguém" e o vazio, que mostram singularidade.
- E) Está errada porque o poema apresenta uma consciência dividida, e não coerente e estável, sem conflito entre o íntimo e o social.
- Conclusão: a alternativa correta é a D, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Observe a oposição entre partes do eu e o efeito de contradição
Alternativa por alternativa
Entendeu que a identidade do sujeito é totalmente determinada pelo mundo externo, ignorando que o poema encena um conflito interior entre as duas partes do eu.
Acreditou que as contradições mencionadas seriam superadas em um processo de amadurecimento, como se o poema narrasse uma evolução até uma identidade definitiva.
Confundiu a referência a "todo mundo" com dissolução total do sujeito na coletividade, esquecendo que a outra parte é o vazio e a singularidade do eu.
Por que engana: Tomar a presença do coletivo como anulação do conflito interior
Corresponde ao sentido global do poema: a oposição entre as partes de si indica subjetividade fragmentada, contraditória e em transformação, sem reduzir o eu a uma única essência fixa.
Tomou as duas metades do eu como partes harmonizadas e estáveis, sem perceber que a oscilação e o paradoxo expressam tensão e não conciliação.
Raio-X da questão
Identidade fragmentada do eu lírico
Identificar a constr
Leitura de linguagem figurada · Noção de eu lírico
Subjetividade poética e efeito de contraste
Tomar a presença do coletivo como anulação do conflito interior
Identidade
Autoconhecimento
Avaliação de literat
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