No poema "Vou-me embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira, o eu lírico imagina um lugar idealizado em que "lá…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No poema "Vou-me embora pra Pasárgada", de Manuel Bandeira, o eu lírico imagina um lugar idealizado em que "lá sou amigo do rei" e onde pode viver sem as limitações do cotidiano. A linguagem cria uma fuga para um espaço de liberdade e satisfação, em contraste com a realidade vivida. No texto-base, a construção de Pasárgada produz qual efeito de sentido na leitura do poema?
- A) A construção de Pasárgada evidencia a valorização de um mundo objetivo e histórico, em que a linguagem poética serve para registrar fielmente a realidade vivida pelo eu lírico.
- B) A idealização de um espaço de liberdade funciona como fuga simbólica da realidade frustrante, revelando o desejo do eu lírico de escapar das limitações do cotidiano por meio da imaginação poética.
- C) A criação de Pasárgada destaca uma crítica direta ao governo e às injustiças sociais, tornando o poema um protesto político explícito contra a realidade brasileira.
- D) A imagem de Pasárgada mostra que o eu lírico encontra na vida ideal um modo de aceitar serenamente o cotidiano, sem necessidade de escapar dele ou compensá-lo pela fantasia.
- E) A construção de Pasárgada reforça a saudade de um lugar concreto e conhecido, mostrando que o eu lírico deseja apenas retornar a uma experiência real do passado.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O poema de Manuel Bandeira apresenta Pasárgada como um lugar idealizado, onde o eu lírico é amigo do rei e pode viver livremente, sem as limitações do cotidiano. O enunciado já indica que a linguagem cria uma fuga para um espaço de liberdade e satisfação, em contraste com a realidade vivida.
- Analisando o efeito de sentido, a criação de Pasárgada é uma construção imaginária. O eu lírico não descreve um lugar real; ele inventa um espaço perfeito para compensar a frustração com o mundo concreto. Isso caracteriza uma fuga simbólica, realizada pela imaginação poética.
- A alternativa B expressa exatamente isso: a idealização de um espaço de liberdade funciona como fuga simbólica da realidade frustrante, revelando o desejo de escapar das limitações do cotidiano por meio da imaginação. Esta é a resposta correta, e coincide com o gabarito oficial.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Está errada porque Pasárgada não registra a realidade objetiva; ela é uma construção idealizada, não um retrato fiel do mundo vivido.
- C) Está errada porque o poema não faz crítica direta ao governo nem protesto político explícito; a leitura centra-se no desejo de evasão pessoal.
- D) Está errada porque o eu lírico não aceita serenamente o cotidiano; ele busca justamente compensá-lo pela fantasia.
- E) Está errada porque Pasárgada não é um lugar concreto e conhecido do passado; é um espaço imaginado, sem existência real.
💡 Dica: Observe se o espaço criado é real ou imaginário e qual função ele cumpre no poema.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a linguagem poética serve para registrar fielmente a realidade, confundindo a idealização de Pasárgada com um relato objetivo do cotidiano.
Corresponde ao efeito de sentido solicitado: Pasárgada aparece como espaço idealizado que compensa, simbolicamente, a insatisfação com a realidade e expressa fuga pela imaginação.
O aluno associa o poema a um protesto político, interpretando a menção ao rei e à realidade como crítica social explícita que o texto não apresenta.
O aluno entende que a fantasia representa conformação com o cotidiano, quando na verdade ela expressa justamente o desejo de escapar e compensar a realidade.
O aluno supõe que Pasárgada é um lugar real do passado do eu lírico, o que contradiz seu caráter imaginário e idealizado.
Por que engana: Tomar a fantasia poética como referência literal ou denúncia direta.
Raio-X da questão
Fuga simbólica pela idealização
Identificar o efeito
Interpretação de sujeito lírico · Idealização e subjetividade
Função da linguagem poética
Tomar a fantasia poética como referência literal ou denúncia direta.
Imaginação
Literatura do modern
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