Em 1913, jornais do Sul do Brasil noticiavam que a nova estrada de ferro encurtava o caminho entre o interior…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais –, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em 1913, jornais do Sul do Brasil noticiavam que a nova estrada de ferro encurtava o caminho entre o interior e os portos, atraindo serrarias e comerciantes. A empresa responsável pela ferrovia recebeu do governo o direito de explorar uma larga faixa de terras ao longo dos trilhos, onde passaram a ser derrubadas araucárias e extraída erva-mate em ritmo acelerado. Parte da madeira seguia em vagões para ser vendida fora da região, enquanto a população que já vivia na área relatava cercamentos, despejos e trabalho temporário, com pagamento irregular. Moradores também descreviam mudanças nos cursos d’água, assoreamento e diminuição de áreas de coleta e roça, alimentando tensões que, pouco depois, desaguariam em conflito armado. Analise o texto-base e identifique o traço da organização dessa cadeia produtiva que ajuda a explicar, ao mesmo tempo, o enriquecimento localizado e o aumento de conflitos sociais e danos ambientais na região.
- A) A concentração de terra e transporte em uma concessionária, orientando a extração para mercados externos e precarizando moradores.
- B) A aplicação de legislação ambiental protetiva e de terras comunais, impedindo a derrubada de árvores e a expulsão de moradores.
- C) A substituição da ferrovia por rodovias, descentralizando o controle da produção e reduzindo os impactos sobre rios e matas.
- D) A difusão de pequenas propriedades policultoras, ampliando a autonomia camponesa e estabilizando o uso do solo no longo prazo.
- E) A prioridade ao investimento industrial urbano, deslocando empregos para as cidades e diminuindo a pressão sobre as florestas locais.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto descreve a construção de uma estrada de ferro cuja empresa recebeu do governo o direito de explorar uma larga faixa de terras ao longo dos trilhos. Nessa área, araucárias eram derrubadas e erva-mate extraída em ritmo acelerado, e a madeira era levada de vagões para venda fora da região.
- O traço organizador da cadeia é a concentração da terra e do transporte nas mãos de uma única concessionária, que orienta a extração para mercados externos. Esse controle explica o enriquecimento localizado, já que o lucro fica com a empresa, e também os conflitos, pois a população que já vivia na área sofre cercamentos, despejos e trabalho temporário com pagamento irregular, além dos danos ambientais como assoreamento e mudança nos cursos d'água.
- A alternativa B está errada, pois o texto mostra exatamente o oposto: não há proteção ambiental nem garantia de terras para os moradores, que são expulsos.
- A alternativa C está errada, pois a ferrovia é o eixo da dinâmica descrita e não há substituição por rodovias nem descentralização do controle.
- A alternativa D está errada, pois o texto descreve grandes derrubadas e concentração, não a difusão de pequenas propriedades policultoras.
- A alternativa E está errada, pois o texto não trata de investimento industrial urbano; a pressão sobre as florestas locais aumenta com a exploração da região.
- Conclusão: o gabarito A está correto e coincide com a análise feita a partir do enunciado.
💡 Dica: Identifique os elementos que relacionam exploração econômica e conflitos sociais no texto.
Alternativa por alternativa
A concessão de terras e da ferrovia favorece um “enclave” exportador: lucros concentrados, expulsões e exploração predatória dos recursos.
O aluno pode supor que a expansão ferroviária veio acompanhada de regras de proteção ambiental e de garantia de terras comunais, invertendo a situação descrita no texto.
O aluno pode imaginar que rodovias teriam substituído a ferrovia e descentralizado a produção, quando o texto mostra justamente a ferrovia como eixo de concentração e exploração.
O aluno pode associar a ocupação da terra apenas à agricultura familiar e à autonomia camponesa, ignorando que o texto descreve derrubada em larga escala e expulsão de moradores.
O aluno pode relacionar a questão ao desenvolvimento industrial urbano e à migração de empregos para as cidades, desconsiderando que o texto trata da exploração econômica na própria região.
Raio-X da questão
exploração econômica e conflitos sociais
diagnostico
cadeias produtivas históricas · impactos socioambientais
estude relações entre economia, sociedade e meio ambiente no contexto histórico
Confundir causas econômicas com consequências sociais ou ambientais, ou não relacionar os elementos do texto.
pensamento_critico
historico
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