Quando o vapor atracava em Manaus, no início do século XX, a cidade exibia bondes, iluminação pública e…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar criticamente os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais – entre elas as indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais –, suas práticas agroextrativistas e o compromisso com a sustentabilidade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quando o vapor atracava em Manaus, no início do século XX, a cidade exibia bondes, iluminação pública e teatros financiados pela borracha. Entre 1890 e 1912, o látex respondeu por parcela expressiva das exportações brasileiras, atraindo migrantes para os seringais. No interior, muitos trabalhadores recebiam ferramentas e alimentos “adiantados” por comerciantes, comprometendo a produção futura para pagar dívidas. A extração avançava por rios e igarapés, ampliando a ocupação de áreas de floresta e o uso de recursos locais para sustentar acampamentos e rotas. A partir de 1913, com o aumento da oferta asiática obtida em plantações, o preço internacional caiu e a arrecadação encolheu; obras urbanas foram paralisadas e parte da população ficou sem ocupação estável. Interprete o texto-base e relacione esse episódio a um padrão histórico de cadeias produtivas de recursos naturais voltadas ao exterior. Que interpretação explica simultaneamente a prosperidade concentrada e a vulnerabilidade socioambiental descritas?
- A) Predomínio de industrialização regional que internaliza lucros e estabiliza empregos, reduzindo oscilações do mercado externo.
- B) Predomínio de reforma agrária com cooperativas autônomas, distribuindo renda e limitando a expansão predatória da extração.
- C) Predomínio de protecionismo comercial e inovação tecnológica local, tornando a produção competitiva frente às plantações asiáticas.
- D) Predomínio de planejamento estatal contínuo com fiscalização ambiental efetiva, garantindo exploração sustentável e receitas permanentes.
- E) Predomínio de exportação primária com crédito monopolizado por intermediários, repassando custos sociais e ambientais ao território.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O texto descreve o ciclo da borracha amazônico (1890 a 1912): um produto primário (látex) exportado em grande escala, que gerou prosperidade concentrada em Manaus (bondes, iluminação, teatros) enquanto os trabalhadores dos seringais ficavam presos a dívidas com comerciantes que adiantavam ferramentas e alimentos.
- Os trechos sobre o 'adiantamento' de mercadorias, o endividamento que comprometia a produção futura e a expansão da extração por rios e igarapés mostram que o crédito era controlado por intermediários e que os custos sociais (dependência, endividamento) e ambientais (ocupação e uso intenso da floresta) eram transferidos para o território e para quem trabalhava nele.
- O trecho final mostra a vulnerabilidade: quando o preço internacional caiu a partir de 1913, com a concorrência asiática das plantações, a arrecadação encolheu, obras foram paralisadas e a população ficou sem ocupação estável. Isso revela uma economia dependente da demanda e dos preços externos, típica de cadeias de recursos naturais voltadas ao exterior, em que a prosperidade é concentrada e os riscos ficam com a região.
- Por que as outras alternativas estão erradas: A) contradiz o texto, pois não há industrialização regional, e a economia dependia de um único produto primário; B) a reforma agrária com cooperativas não aparece no texto, que descreve trabalho endividado nos seringais; C) protecionismo e inovação local não correspondem ao quadro, já que a região perdeu competitividade frente à produção asiática sem proteção; D) planejamento estatal e fiscalização ambiental efetivos são o oposto do que o texto descreve, com expansão predatória e receitas instáveis.
- Conclusão: a interpretação que explica simultaneamente a prosperidade concentrada e a vulnerabilidade socioambiental é a da exportação primária controlada por intermediários, que repassa custos ao território, alternativa E, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o texto e relacione os aspectos econômicos e sociais do ciclo da borracha.
Alternativa por alternativa
O aluno pode imaginar que a riqueza da borracha gerou uma base industrial regional sólida, ignorando que o texto descreve apenas exportação de látex.
O aluno pode associar a 'distribuição de renda' do progresso urbano à ideia de reforma agrária, sem perceber que o texto descreve trabalho endividado e concentração de renda nos comerciantes.
O aluno pode supor que a região poderia ter se protegido e inovado para enfrentar as plantações asiáticas, ignorando que o texto mostra a queda de preço e o encolhimento da arrecadação sem qualquer medida desse tipo.
O aluno pode tomar como verdadeira a ideia de que o Estado planejou e fiscalizou a exploração, esquecendo que o texto aponta expansão predatória e receitas que desapareceram após 1913.
O aviamento concentra o controle do comércio e endivida o trabalhador; a dependência do preço externo gera boom e colapso, com pressão sobre recursos locais.
Raio-X da questão
ciclo da borracha, economia exportadora, vulnerabilidade socioambiental
diagnostico
economia colonial exportadora · impactos socioambientais
estude o ciclo econômico da borracha e suas consequências sociais e ambientais
Confundir prosperidade econômica com desenvolvimento social amplo, ignorando desigualdades e impactos ambientais.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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