Universidade Federal do Mato Grosso do Sul vive no Brasil, país castigado pela doença nas últimas três décadas…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Construir questões, elaborar hipóteses, previsões e estimativas, empregar instrumentos de medição e representar e interpretar modelos explicativos, dados e/ou resultados experimentais para construir, avaliar e justificar conclusões no enfrentamento de situações-problema sob uma perspectiva científica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul vive no Brasil, país castigado pela doença nas últimas três décadas e por outras também transmitidas pelo Aedes aegypt. Essas epidemias, explica o pesquisador nesta entrevista, devem continuar décadas adiante: “Ainda utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz”. Nem as águas de março que acabaram de fechar o verão são promessa de uma trégua. “Temos observado que, em algumas localidades do Brasil, o padrão de ocorrência da dengue tem se mantido estável mesmo fora do verão. Isso aponta o óbvio: a população e as autoridades sanitárias têm de atuar durante todo o ano, e não somente no verão. Infelizmente, isso não ocorre em um padrão homogêneo”, ensina Cunha, que comemora, no entanto, abordagens promissoras para o controle do mosquito e vê uma melhora da vigilância nas últimas décadas. Ciência Hoje: O Brasil sofreu recentemente com grandes surtos de dengue, zika e febre amarela. Devemos esperar novos surtos em breve? O que dizem os dados epidemiológicos? Rivaldo Venâncio da Cunha: As doenças transmitidas pelo Aedes continuarão ocorrendo nos próximos 20 ou 30 anos. Por que continuarão ocorrendo? Porque utilizamos o modelo de controle do mosquito que foi exitoso há 110 anos com Oswaldo Cruz e, depois, com Clementino Fraga e outros. Se não houver uma nova abordagem para controle do vetor, continuaremos tendo epidemias, porque, infelizmente, as questões estruturais da sociedade permanecem praticamente inalteradas. Essa bárbara segregação social que o Brasil tem, esse apartheid social, que é fruto de séculos, criou condições para haver comunidades extremamente vulneráveis, onde a coleta do lixo, quando existe, é feita de forma inadequada, e nas quais o fornecimento de água é irregular. São lugares onde o Estado inexiste. Há comunidades em que policiais não podem entrar a qualquer hora, imagine um agente de controle de vetores. Essa complexidade urbana não aparenta que será modificada nos próximos anos. A entrevista marca-se como uma das formas de obtenção de fontes para notícias e reportagens a partir dos dados e argumentos expostos pelo(a) entrevistado(a). Em relação ao texto 2, é correto afirmar que a tese expressa pelo infectologista sobre os motivos da permanência das doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypt corresponde (UECE 2019)
- A) ao êxito do modelo de controle do mosquito que se encontra com 110 anos de utilização.
- B) à atuação da população e das autoridades sanitárias que ocorre durante todo o ano e não somente no verão, quando o mosquito está em evidência.
- C) à inexistência de uma nova abordagem para controle do mosquito que considere a complexidade urbana e seus problemas.
- D) à inoperância do Estado em muitos lugares, onde os policiais, que são agentes de saúde, não podem entrar a qualquer hora.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- A questao pede a tese do pesquisador sobre por que as doencas transmitidas pelo Aedes aegypt continuarao ocorrendo. Passo 2: Na entrevista, ele aponta duas causas. A primeira e que o Brasil ainda usa o modelo de controle do mosquito criado ha 110 anos por Oswaldo Cruz, sem uma nova abordagem. A segunda e que as questoes estruturais da sociedade permanecem inalteradas, com segregacao social, coleta de lixo inadequada, agua irregular e comunidades onde o Estado inexiste. Passo 3: A alternativa C resume exatamente essa tese: a falta de uma nova abordagem para controle do mosquito que considere a complexidade urbana e seus problemas. Passo 4: A alternativa A esta errada, pois o texto diz que o modelo foi exitoso no passado, e nao que seu uso atual seja a solucao; a tese e justamente a de que ele precisa ser renovado. Passo 5: A alternativa B esta errada, pois a atuacao da populacao e das autoridades durante todo o ano aparece no texto como recomendacao, e nao como causa da permanencia das doencas. Passo 6: A alternativa D esta errada, pois, embora mencione a ausencia do Estado, o texto fala de agentes de controle de vetores, e nao de policiais como agentes de saude, e a tese do pesquisador vai alem da inoperancia estatal, incluindo o modelo de controle ultrapassado. Passo 7: Portanto, o gabarito C esta correto.
💡 Dica: Analise os argumentos do infectologista sobre a persistência das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que, por o modelo ter sido exitoso e ainda estar em uso ha 110 anos, ele seria a solucao adequada, invertendo a critica do pesquisador.
O aluno confunde a recomendacao de atuacao durante todo o ano, feita pelo pesquisador, com a causa da permanencia das doencas.
CORRETA. O infectologista aponta que a permanência das doenças se deve à inexistência de uma nova abordagem para o controle do mosquito que leve em conta a complexidade urbana e os problemas sociais estruturais.
O aluno percebe a ausencia do Estado, mas le mal o texto ao tratar policiais como agentes de saude e reduz a tese apenas a inoperancia estatal, deixando de lado o modelo de controle ultrapassado.
Raio-X da questão
controle do vetor e vulnerabilidade social
diagnostico
transmissao de doencas por vetores · condicoes sociais e saude publica
Estude o papel do controle do vetor e fatores sociais na transmissão de doenças.
Confundir causas biológicas com fatores sociais e estruturais na persistência das doenças.
saude
pensamento_critico
cientifico
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