Considere os dois excertos a seguir. O primeiro foi retirado da obra “O estado do Direito entre os Autochtones…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Problematizar hábitos e práticas individuais e coletivos de produção, reaproveitamento e descarte de resíduos em metrópoles, áreas urbanas e rurais, e comunidades com diferentes características socioeconômicas, e elaborar e/ou selecionar propostas de ação que promovam a sustentabilidade socioambiental, o combate à poluição sistêmica e o consumo responsável.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Considere os dois excertos a seguir. O primeiro foi retirado da obra “O estado do Direito entre os Autochtones do Brazil”, do intelectual Carl Friedrich Philipp von Martius (1794–1868), publicada em 1907; e o segundo, escrito pelo arqueólogo Eduardo Goés Neves. O passado remoto da humanidade americana se apresenta para nós como um abismo insondável. Nenhum raio de uma tradição, nenhum monumento de força intelectual anterior esclarece essa escuridão profunda, nenhum som de uma humanidade elevada, nenhum eco [...] escapa deste túmulo para chegar aos nossos ouvidos atentos. Milênios se resultado passaram por esta humanidade e o único testemunho da sua alta antiguidade é exatamente esta completa dissolução [...]. Nem ao menos o singelo e modesto musgo que como um símbolo da melancolia cobre as ruínas das grandezas antigas romanas e germânicas se estendeu sobre os restos daquela antiguidade sul-americana [...]. Levtizion, N.; Hopkins, J. Corpus of Early Arabic Sources for West African History. Princeton: Markus Wiener, 2011, p. 261-271. Adaptado. Os poucos relatos disponíveis sobre a Amazônia, produzidos por espanhóis e portugueses nos séculos XVI e XVII [...], falam de grandes assentamentos, com milhares de pessoas, localizados ao largo do Amazonas e de seus principais afluentes. [...] Praticamente em qualquer área da Amazônia onde há pesquisas, a arqueologia vem encontrando evidências de ocupações humanas no passado, mesmo em locais hoje cobertos por floresta aparentemente virgem. Atualmente sabemos que a Amazônia é habitada há pelo menos 12 mil anos, há tanto tempo quanto em outras partes das Américas, por diferentes povos, com distintas formas de organização social e política, desde bandos de caçadores-coletores até sociedades sedentárias hierarquizadas [...]. Neves, E. G. Sob os tempos do Equinócio: oito mil anos de História na Amazônia Central. São Paulo: Edusp/UBU, 2022, p. 183. Os textos representam visões divergentes sobre o passado dos indígenas da Amazônia. Com base nessas informações contrastantes e nos conhecimentos sobre sociedades indígenas no contexto da América Portuguesa, assinale a alternativa que identifica corretamente as perspectivas históricas sobre os povos originários. (UFPR 2026)
- A) Os projetos de nação bem como os modelos de identidade que estavam vigentes durante o período imperial e boa parte do período republicano anularam as conquistas e a agência histórica dos povos originários.
- B) Os relatos mais antigos, produzidos no início do período colonial, demonstram o desconhecimento dos portugueses e espanhóis, que atribuíam aos povos amazônicos características exageradas.
- C) A arqueologia contemporânea dialoga com a historiografia do século XIX ao corroborar a antiguidade indígena na Amazônia e ao negar a existência de sociedades complexas.
- D) Historiadores como von Martius acreditavam que romanos e germânicos poderiam ter colonizado a Amazônia na Antiguidade, fato esquecido pelos indígenas.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Os dois textos apresentam visões opostas. O de Martius (1907) descreve o passado indígena americano como um abismo sem tradição, sem monumentos e sem vestígios de grandeza, o que nega aos povos originários uma história própria. O de Neves (2022) afirma, com base na arqueologia, que a Amazônia é habitada há pelo menos 12 mil anos e que houve sociedades sedentárias hierarquizadas, além de grandes assentamentos relatados desde os séculos XVI e XVII. Passo 2: A alternativa A afirma que os projetos de nação e os modelos de identidade do período imperial e de boa parte da República anularam as conquistas e a agência histórica dos povos originários. Isso é coerente com o primeiro texto, que representa essa visão de apagamento, e com o contraste apresentado pelo segundo, que reconstrói a agência e a complexidade desses povos. Passo 3: Por que as outras estão erradas. B: os relatos dos séculos XVI e XVII são tratados pelo segundo texto como testemunhos de grandes assentamentos, e a arqueologia tem confirmado parte deles, não como exagero sem base. C: a arqueologia contemporânea não nega sociedades complexas; ao contrário, o texto de Neves afirma a existência de sociedades sedentárias hierarquizadas, e a visão do século XIX é que é contestada. D: von Martius não defendeu colonização romana ou germânica da Amazônia; ele comparou a ausência de vestígios amazônicos às ruínas romanas e germânicas, dizendo que nem o musgo as cobriu. Passo 4: Conclusão: a alternativa A é a única que identifica corretamente as perspectivas históricas em disputa, em concordância com o gabarito oficial.
💡 Dica: Compare as perspectivas dos textos e relacione com o conhecimento histórico sobre os indígenas.
Alternativa por alternativa
CORRETA. A alternativa reconhece que os projetos de nação e modelos de identidade do período imperial e republicano brasileiro apagaram a agência histórica dos povos originários, o que está em consonância com a crítica presente no primeiro texto e o reconhecimento da arqueologia contemporânea no segundo.
O aluno supõe que os primeiros relatos europeus sobre a Amazônia eram, em geral, fantasiosos e sem fundamento, tomando como verdade a ideia de exagero sem examinar as evidências arqueológicas citadas no segundo texto.
O aluno acredita que a arqueologia atual confirma a antiguidade indígena, mas também que nega a existência de sociedades complexas, confundindo a posição de Martius, ou uma leitura simplista, com a arqueologia contemporânea que o texto de Neves descreve.
O aluno entende que von Martius defendia uma colonização romana e germânica da Amazônia na Antiguidade, invertendo o sentido da comparação do excerto, que usa as ruínas romanas e germânicas apenas como contraste com o apagamento amazônico.
Raio-X da questão
perspectivas históricas indígenas
diagnostico
sociedades indígenas na América · história colonial portuguesa
estude as diferentes interpretações sobre sociedades indígenas na América Portuguesa
Confundir visões eurocêntricas com interpretações atuais baseadas em evidências arqueológicas.
multiculturalismo
pensamento_critico
historico
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