Leia os versos abaixo, de Gonçalves Dias e Basílio da Gama: O Gigante de Pedra (II, Estrofes 5 e 6) Tornam…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia os versos abaixo, de Gonçalves Dias e Basílio da Gama: O Gigante de Pedra (II, Estrofes 5 e 6) Tornam prados a despir-se, Tornam flores a murchar, Tornam de novo a vestir-se, Tornam depois a secar; E como gota filtrada De uma abóboda escavada Sempre, incessante a cair, Tombam as horas e os dias, Como fantasmas sombrias, Nos abismos do porvir! E no féretro de montes Inconcusso, imóvel, fito, Escurece os horizontes O gigante de granito. Com soberba indiferença Sente extinta a antiga crença Dos Tamoios, dos Pajés; Nem vê que duras desgraças, Que lutas de novas raças Se lhe atropelam aos pés! Gonçalves Dias A Tempestade (Estrofes 1-4) Um raio Fulgura No espaço, Esparso De luz; E trêmulo E puro Se aviva, S’esquiva, Rutila. Seduz! Vem a aurora Pressurosa, Côr-de-rosa, Que se cora De carmim; A seus raios As estrelas, Que eram belas, Têm desmaios, Já por fim. O sol desponta Lá no horizonte, Doirando a fronte, E o prado e o monte E o céu e o mar; E um manto belo De vivas cores Adorna as flores Que entre verdores Se vê brilhar. Um ponto aparece, Que o dia entristece, O céu, onde cresce, De negro a tingir; Oh! Vede a procela Infrene, mais bela, No ar s’encapela Já pronta a rugir! Gonçalves Dias O Uraguai (Canto IV, v. 30-52) Assim quem olha do escarpado cume Não vê mais do que o céu, que o mais lhe encobre A tarda e fria névoa, escura e densa. Mas quando o sol, de lá do eterno e fixo Purpúreo encosto de dourado assento, Co’a criadora mão desfaz e corre O véu cinzento de ondeadas nuvens, Que alegre cena para nossos olhos! Podem Daquela altura, por espaço imenso, Ver as longas campinas retalhadas De trêmulos ribeiros, claras fontes E lagos cristalinos, onde molha As leves asas o lascivo vento. Engraçados outeiros, fundos vales E arvoredos copados e confusos, Verde teatro onde se admira quanto Produziu a supérflua Natureza. A terra sofredora de cultura Mostra o rasgado seio; e as várias plantas, Dando as mãos entre si, tecem compridas Ruas, por onde a vista saudosa Se estende e se perde. O vagaroso gado Mal se move no campo, e se divisam Por entre as sombras da verdura, ao longe, As casas branquejando e os altos templos. Basílio da Gama Com base na análise dos versos acima e na leitura integral de O Uraguai e de Os últimos cantos, considere as seguintes afirmativas: 1. Embora as “Poesias Americanas” tenham alcançado grande destaque nas leituras posteriores da obra de Gonçalves Dias, em Últimos Cantos elas ocupam um espaço menor do que o conjunto das outras duas partes: “Poesias Diversas” e “Hinos”. 2. No poema “O gigante de pedra”, é a montanha, da sua altura, quem assiste aos acontecimentos da história. Os versos acima citados de O Uraguai, por sua vez, adotam a perspectiva do olhar humano para descrever a natureza que se descortina do alto de uma montanha. 3. O hino “A tempestade” recria em seus versos os efeitos do fenômeno atmosférico que deslumbra o poeta. Nas três estrofes citadas, podem-se perceber os recursos poéticos utilizados: métrica crescente, esquema de rimas diferente a cada estrofe, adjetivos e verbos que vão do claro ao escuro, do tranquilo ao agitado. 4. A reiteração sonora do verbo “tornar”, na mesma posição dos versos iniciais da estrofe 5 de “O Gigante de Pedra”, marca a variação das estações do ano, sendo que a mesma característica é atribuída à montanha na estrofe seguinte e ao longo de todo o poema. 5. A partir de acidentes geográficos de localização precisa, a cadeia de montanhas localizada ... (UFPR 2020)
- A) Somente a afirmativa 5 é verdadeira.
- B) Somente as afirmativas 4 e 5 são verdadeiras.
- C) Somente as afirmativas 1, 2 e 3 são verdadeiras.
- D) Somente as afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Analise cada afirmativa separadamente, pois a questão pede a alternativa que reúne todas as afirmativas verdadeiras. O gabarito C indica que apenas 1, 2 e 3 são verdadeiras. Passo 2: A afirmativa 1 é verdadeira. Em Últimos Cantos, as Poesias Americanas ocupam espaço menor do que o conjunto formado por Poesias Diversas e Hinos, embora sejam mais lembradas nas leituras posteriores da obra. Passo 3: A afirmativa 2 é verdadeira. Em O Gigante de Pedra, quem acompanha a história é a própria montanha, vista como testemunha imóvel e altiva dos acontecimentos. Já no trecho de O Uraguai, o eu lírico descreve a paisagem a partir do alto de um escarpado, isto é, adota a perspectiva de quem observa de cima a natureza. Passo 4: A afirmativa 3 é verdadeira. Em A Tempestade, o poeta recria o fenômeno atmosférico por meio de estrofes com esquemas de rimas variados e de palavras que vão do claro e sereno ao escuro e agitado, como o raio que fulgura, a aurora e a procela que ruge. Passo 5: A afirmativa 4 é falsa. O verbo tornar repetido marca a ideia de ciclos e da passagem do tempo, e não especificamente as estações do ano. Além disso, a montanha é descrita como inconcusso, imóvel e fito, ou seja, ela não sofre variação; a repetição de tornar descreve a natureza que muda, enquanto a montanha permanece indiferente. Passo 6: A afirmativa 5 não pode ser validada com base nos textos lidos, pois trata de um tema geográfico sem relação com os poemas analisados. Passo 7: Conclusão: como 1, 2 e 3 são verdadeiras e 4 e 5 não se sustentam, a alternativa correta é a C.
💡 Dica: Analise os versos e relacione com o contexto das obras para responder.
Alternativa por alternativa
O aluno considera verdadeira apenas a afirmativa 5, por ser de conteúdo geográfico e parecer mais objetiva, e descarta as afirmativas literárias sem analisar os versos.
O aluno acredita que o verbo tornar repetido marca as estações do ano e que essa variação também se aplica à montanha, aceitando a afirmativa 4 como correta.
CORRETA. As afirmativas 1, 2 e 3 estão corretas: 1) a menor presença das 'Poesias Americanas' em 'Últimos Cantos'; 2) a perspectiva da montanha em 'O Gigante de Pedra' e a visão humana em 'O Uraguai'; 3) os recursos poéticos em 'A Tempestade' que expressam a progressão do fenômeno atmosférico.
O aluno entende que a montanha sofre as mesmas transformações que a natureza ao longo do poema, sem perceber que ela é descrita como imóvel e indiferente, e por isso aceita a afirmativa 4.
Raio-X da questão
interpretação de poemas clássicos
diagnostico
interpretação de textos literários · análise de poesia clássica
estudo de análise literária e interpretação de textos poéticos
Confundir a perspectiva narrativa dos poemas e não relacionar corretamente os recursos poéticos utilizados.
pensamento_critico
literario
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