Marcha a ré Um grupo de ativistas promoverá neste sábado, em São Paulo e em outras 200 cidades, a "Marcha da…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Marcha a ré Um grupo de ativistas promoverá neste sábado, em São Paulo e em outras 200 cidades, a "Marcha da Família com Deus", para fazer frente a um "golpe comunista marcado para este ano" – a ser dado, segundo eles, pelo PT e seus aliados. A passeata será uma reedição da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", que, no dia 19 de março de 1964, protestou contra a "ameaça comunista" e contribuiu para a queda do presidente João Goulart. É difícil imaginar um "golpe comunista" em que os aliados são Sarney, Collor, Maluf, Renan Calheiros e outros. Mas, quando se trata dessa turma, tudo é possível. A exemplo de 1964, os ativistas vão conclamar os militares a tomar o poder, fechar os partidos, varrer a subversão e a corrupção e, com tudo saneado, nos devolver o país – ou o que sobrar dele. Pessoalmente, acho a pauta até modesta. Eu pediria também a volta de Claudia Cardinale, Stefania Sandrelli e Vera Vianna. Dos cigarros Luiz XV e Mistura Fina e dos fósforos marca Olho. Da cuba-libre, do hi-fi e da vaca preta. Dos LPs do Tamba Trio, do Henry Mancini e do Modern Jazz Quartet. Das cuecas samba-canção, ideais para um bate-coxa, e dos penteados femininos armados com Bom Bril. Do sexo à milanesa (de noite, na praia) e das corridas de submarino. Tudo isso era 1964. Do "Correio da Manhã", do pente Flamengo e do concretismo. Da Gillette Mono Tech, da pasta d'água e da Coca-Cola como bronzeador. Do Toddy em lata, dos tróleibus e das bicicletas Monark com pneu balão. Da Parker 21, do papel almaço e da goma arábica. Dos currículos com latim, francês e canto orfeônico. Tudo isso também era 1964. Já os militares que a "Marcha" quer chamar de volta, não recomendo. Sob eles, a família se esgarçou, a liberdade acabou e, em pouco tempo, o próprio Deus saiu de fininho para não se comprometer. Nos 3º e 4º parágrafos, ao dizer que considera a pauta da manifestação modesta, o autor sugere uma lista de itens e pessoas a serem incorporados às reivindicações dos manifestantes. Com isso, ele enfatiza (UFPR 2015)
- A) o anacronismo da proposta.
- B) a insignificância da proposta.
- C) a contemporaneidade da proposta.
- D) a sobriedade da proposta.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O enunciado pede o efeito de sentido produzido pelo autor ao dizer que considera modesta a pauta da manifestação e, em seguida, sugerir a volta de itens e pessoas dos anos 1960 (Claudia Cardinale, cigarros Luiz XV, fósforos Olho, Tamba Trio, pente Flamengo, Parker 21, goma arábica etc.). Passo 2: A ironia está no contraste entre a suposta modéstia da pauta e a lista de elementos que, segundo o próprio texto, pertencem a 1964, ou seja, a um tempo passado. Passo 3: Ao propor que se resgatem coisas e pessoas de mais de meio século atrás, o autor mostra que a reivindicação está deslocada no tempo, o que caracteriza anacronismo. Passo 4: Por isso a alternativa correta é a A, o anacronismo da proposta, e o gabarito oficial está correto. Passo 5: A alternativa B está errada, pois o autor não diz que a proposta é irrelevante; ele ironiza a volta ao passado. A alternativa C está errada, porque o texto mostra justamente o oposto, que a proposta é antiga e não contemporânea. A alternativa D está errada, pois a lista de itens nostálgicos não expressa sobriedade, mas sim deslocamento no tempo, e a palavra modesta aparece apenas na ironia do autor.
💡 Dica: Analise o tom e a intenção do autor nos parágrafos indicados.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O autor usa a lista de itens e pessoas do passado para mostrar que a proposta dos manifestantes é anacrônica, ou seja, fora de seu tempo.
O aluno toma a palavra 'modesta' em sentido literal, como sinônimo de pouco importante ou insignificante, e acredita que o autor critica a pequenez da reivindicação.
O aluno não percebe que os itens listados pertencem a 1964 e entende que a lista de reivindicações é atual e pertinente ao momento da manifestação.
O aluno associa modéstia à sobriedade e à moderação, como valores positivos do senso comum, e deixa de perceber o tom irônico do autor.
Raio-X da questão
interpretação de texto crítico
diagnostico
interpretação de texto · análise crítica textual
estudo de ironia e crítica textual
Confundir a ironia do autor com apoio às manifestações ou não perceber a crítica implícita.
pensamento_critico
cotidiano
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