Reportagem BRASILEIRO TRABALHA MENOS QUE A MÉDIA MUNDIAL Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Reportagem BRASILEIRO TRABALHA MENOS QUE A MÉDIA MUNDIAL Em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado. Veja os rankings a seguir: HORAS TRABALHADAS SEMANAIS POSIÇÃO | PAÍS | HORAS 1ª | Butão | 56,1 2ª | Sudão | 50,8 3ª | Emirados Árabes Unidos | 49,4 20ª | Jamaica | 43,4 37ª | República Dominicana | 40,1 38ª | Brasil | 40,1 39ª | Filipinas | 39,9 47ª | Estados Unidos | 38,6 51ª | Argentina | 37,3 57ª | Japão | 35,5 66ª | Itália | 34,1 78ª | França | 31,0 84ª | Dinamarca | 29,5 85ª | Noruega | 27,8 86ª | Holanda | 27,6 87ª | Moldávia | 23,0 Adaptado de folha.uol.com.br, 21/02/2026. Artigo de opinião O BRASILEIRO É PREGUIÇOSO? Para o estudo que fundamenta a reportagem publicada na Folha de S. Paulo, em 21/02/2026, o que explicaria o “desvio brasileiro” por menos trabalho seria, nota-se, uma “questão cultural”, isto é, “uma preferência por mais quantidade de lazer”. Da literatura à colonização, o mito da preguiça do brasileiro foi historicamente cunhado para justificar a exploração do trabalho alheio ou dela zombar. Massacrados, povos indígenas foram gradualmente substituídos no Brasil por africanos e seus descendentes não por uma inaptidão daqueles ao trabalho escravo, mas por ser mais conveniente controlar africanos traficados ao Brasil do que povos originários. Nas entrelinhas da objetividade econométrica, encontra-se escondido o reavivamento acrítico do mito colonial da preguiça em pleno século XXI. Deixo aos economistas e técnicos a crítica aos números: brasileiro trabalha mais do que países desenvolvidos europeus, mais do que os E.U.A., mais do que o esperado contando determinantes institucionais. E a pesquisa ignora tempo de deslocamento, que, em São Paulo, chega a mais de duas horas. Quando deixamos os números falarem sem contexto, o que nos resta é o mito, não a verdade. THIAGO AMPARO Adaptado de folha.uol.com.br, 26/02/2026. O ranking retirado da reportagem despertou críticas e reações, como a de Thiago Amparo, no artigo de opinião, que chamou a atenção para duas narrativas recorrentes na história brasileira. Essas narrativas são: (UERJ 2027)
- A) negação da ciência e fanatismo religioso
- B) orgulho da ignorância e baixa escolaridade
- C) normalização da violência e passividade política
- D) naturalização do preconceito e desqualificação elitista
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Identifique o que o enunciado pede. A questão quer saber quais narrativas recorrentes na história brasileira o autor do artigo de opinião, Thiago Amparo, destaca ao discutir o ranking de horas trabalhadas.
- Localize a ideia central do artigo. O autor afirma que o mito da preguiça do brasileiro foi cunhado historicamente para justificar a exploração do trabalho alheio ou para zombar dele. Ele mostra, ainda, que a substituição dos povos indígenas por africanos escravizados não se deu por inaptidão, mas por conveniência. Isso revela um preconceito contra grupos sociais e um olhar de desqualificação vindo de quem se beneficia da exploração.
- Relacione essas ideias às alternativas. A alternativa D, naturalização do preconceito e desqualificação elitista, corresponde ao que o texto denuncia: o preconceito contra povos e trabalhadores é tratado como algo natural, e a acusação de preguiça desqualifica os trabalhadores a serviço de interesses de elites.
- Analise as demais alternativas. A alternativa A (negação da ciência e fanatismo religioso) não aparece no texto, que usa justamente dados e estudos econométricos. A alternativa B (orgulho da ignorância e baixa escolaridade) não é tratada pelo autor, que critica o uso sem contexto dos números. A alternativa C (normalização da violência e passividade política) ultrapassa o tema, pois o artigo fala de mito, trabalho e preconceito, não de passividade política.
- Conclua. As narrativas identificadas pelo autor são a naturalização do preconceito (o mito da preguiça) e a desqualificação elitista (a exploração justificada pela suposta preguiça), por isso a resposta correta é a D.
💡 Dica: Analise as narrativas históricas mencionadas no texto para identificar as respostas.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado o artigo à crítica aos números do estudo, confundindo a análise econométrica com negação da ciência, e entendido que o texto critica a religião.
Por que engana: Confundir as narrativas históricas mencionadas com outras temáticas não relacionadas ao preconceito e desqualificação social.
O aluno pode ter achado que o texto trata de ignorância popular ou de baixa escolaridade do brasileiro, confundindo a ideia de preguiça com falta de instrução.
O aluno pode ter generalizado a leitura para temas de violência e apatia política, interpretando a exploração do trabalho como passividade diante do poder, sem perceber que o foco é o preconceito.
CORRETA. O artigo destaca a naturalização do preconceito (mito da preguiça) e a desqualificação elitista como narrativas históricas recorrentes na história brasileira, conforme criticado por Thiago Amparo.
Raio-X da questão
mitos históricos e preconceitos
avaliacao
interpretação de texto histórico · análise crítica de fontes
estude as narrativas históricas sobre preconceito e exclusão social no Brasil
Confundir as narrativas históricas mencionadas com outras temáticas não relacionadas ao preconceito e desqualificação social.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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