[O Morro do Castelo] ouve sempre cochichos suspeitos nos quais um estribilho soa insistente: precisamos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
[O Morro do Castelo] ouve sempre cochichos suspeitos nos quais um estribilho soa insistente: precisamos arrasar o Morro do Castelo! Percebe que virou negócio, que o verdadeiro tesouro oculto em suas entranhas não é a imagem de ouro maciço de Santo Inácio, e sim o panamá do arrasamento. Os homens de hoje são negociastas sem alma. Querem dinheiro. Para obtê-lo venderão tudo, venderiam até a alma se a tivessem. Como pode ele, pois, resistir à maré, se suas credenciais – velhice, beleza, pitoresco, historicidade – não são valores de cotação na bolsa? MONTEIRO LOBATO Adaptado de A onda verde. São Paulo: Monteiro Lobato & Cia Editores, 1922. Na administração do engenheiro e prefeito Carlos Sampaio (1920-1922), o Morro do Castelo foi totalmente demolido. A decisão causou muita polêmica, tendo sido criticada por vários intelectuais, como, por exemplo, Monteiro Lobato. De acordo com a crítica de Monteiro Lobato, transcrita acima, o arrasamento do Morro do Castelo expressou a seguinte perspectiva de intervenção urbana: (UERJ 2020)
- A) remoção de população pobre
- B) saneamento de área degradada
- C) desqualificação do passado colonial
- D) modernização do transporte público
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- Leia o trecho de Monteiro Lobato. O autor afirma que o verdadeiro tesouro do morro não é a imagem de ouro de Santo Inácio, e sim o negócio do arrasamento, e lista as credenciais do morro: velhice, beleza, pitoresco e historicidade. Ele pergunta como o morro pode resistir se essas qualidades não têm valor de cotação na bolsa.
- Identifique o que o texto valoriza. Lobato defende o morro justamente por seu valor histórico e estético, ou seja, por ser um testemunho do passado (velhice, historicidade) e do pitoresco. Assim, a crítica é contra a demolição que apaga esses valores.
- Relacione com a alternativa correta. Ao derrubar o morro, a administração de Carlos Sampaio apagou um dos mais antigos núcleos da cidade, ligado ao período colonial. Por isso a alternativa C, desqualificação do passado colonial, expressa a perspectiva de intervenção que Lobato criticava: tratar o passado como algo sem valor, substituível pelo lucro e pela modernização.
- Analise as demais alternativas. A: a crítica não fala de moradores pobres nem de remoção de população; o foco é o valor histórico e o interesse financeiro. B: o texto não fala de saneamento nem de área degradada, pois Lobato valoriza o morro, e não sua condição insalubre. D: o texto não menciona transporte público, e a crítica se concentra no patrimônio e na especulação.
💡 Dica: Analise a crítica de Monteiro Lobato sobre o Morro do Castelo e relacione com a perspectiva urbana.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a demolição de morros a remoções de população pobre, algo historicamente real no Rio, mas que não aparece no trecho de Lobato, que fala apenas de valor histórico e negócios.
Por que engana: Confundir a crítica com aspectos sociais ou técnicos, como remoção de população ou saneamento, em vez de reconhecer a crítica à desvalorização do passado colonial.
O aluno acha que, por ser uma intervenção urbana, a demolição deve ser sanitária, pensando que o morro era uma área degradada a ser limpa, sem perceber que Lobato o defende.
CORRETA. A crítica de Monteiro Lobato aponta para a desqualificação do passado colonial representado pelo Morro do Castelo, que foi demolido em nome de interesses econômicos e modernização, desconsiderando seu valor histórico e cultural.
O aluno associa a reforma urbana da década de 1920 à modernização da cidade e pensa que o arrasamento visava melhorar o transporte, sem reconhecer que o texto trata de patrimônio e especulação.
Raio-X da questão
intervenção urbana e memória histórica
diagnostico
história do urbanismo brasileiro
estude o impacto das intervenções urbanas no patrimônio histórico e cultural
Confundir a crítica com aspectos sociais ou técnicos, como remoção de população ou saneamento, em vez de reconhecer a crítica à desvalorização do passado colonial.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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