No jornalismo do Rio de Janeiro, já se iniciou a revolução, que vai ser a nossa morte e a ‘opulência’ dos que…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Selecionar informações, dados e argumentos em fontes confiáveis, impressas e digitais, e utilizá-los de forma referenciada, para que o texto a ser produzido tenha um nível de aprofundamento adequado (para além do senso comum) e contemple a sustentação das posições defendidas.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No jornalismo do Rio de Janeiro, já se iniciou a revolução, que vai ser a nossa morte e a ‘opulência’ dos que sabem desenhar. Preparemo-nos para morrer, irmãos, sem lamentações ridículas, aceitando resignadamente a fatalidade das coisas, e consolando-nos uns aos outros com a cortesia de que, ao menos, não mais seremos obrigados a escrever barbaridades... Saudemos a nova era da imprensa! A revolução tira-nos o pão da boca, mas deixa-nos aliviada a consciência. Olavo Bilac Gazeta de Notícias, 13/01/1901. 1 ceci tuerá cela – isto vai matar aquilo 2 incontinentí – sem demora 3 animatógrafo – aparelho que passa imagens sequenciais 4 tonitruosa – com o volume alto 5 égide – proteção 6 gáudio – alegria extremada 7 opulência – riqueza, grandeza Vem perto o dia em que soará para os escritores a hora do irreparável desastre e da derradeira desgraça. (l.1-2) A profecia para os escritores, anunciada na primeira frase do texto de forma extremamente negativa, se opõe ao tom e à conclusão do texto. Considerando esse contraste, o texto de Bilac pode ser qualificado basicamente como: (UERJ 2014)
- A) irônico
- B) incoerente
- C) contraditório
- D) ultrapassado
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Leia o texto com atenção ao tom. Bilac anuncia a 'revolução' que será a morte dos escritores e fala de 'opulência' dos que sabem desenhar, o que soa catastrófico. Em seguida pede que se preparem para morrer 'sem lamentações ridículas', e afirma que não serão mais obrigados a escrever barbaridades, o que soa como alívio. Passo 2: O contraste entre a profecia terrível e a conclusão tranquila, que chega a saudar a 'nova era da imprensa', mostra que o autor não fala sério. Ele finge lamentar a situação dos escritores para criticar, com humor, a imprensa e a transformação dela. Esse recurso, que diz o contrário do que se quer dar a entender, é a ironia. Passo 3: Logo, a alternativa correta é a A, irônico, que foi também o gabarito oficial. Passo 4: A alternativa B está errada porque o texto é coerente internamente: a ironia sustenta uma crítica consistente do começo ao fim. Passo 5: A alternativa C está errada porque, embora haja contraste entre o anúncio e a conclusão, esse contraste é um recurso da ironia e não uma contradição lógica do texto. Passo 6: A alternativa D está errada porque o texto não é antiquado nem superado; ele é uma crônica jornalística de 1901 que continua legível e relevante como crítica.
💡 Dica: Analise o tom do texto e o contraste entre as ideias para identificar a figura de linguagem.
Alternativa por alternativa
CORRETA. O texto utiliza um tom aparentemente trágico para, ao final, revelar um alívio irônico diante da 'revolução' que mudaria o jornalismo, caracterizando o uso da ironia.
O aluno percebe o contraste entre a profecia sombria e o tom final, mas conclui que o texto é desconexo, sem unidade de sentido.
Por que engana: Confundir ironia com incoerência ou contradição, interpretando o texto literalmente.
O aluno vê o contraste entre o anúncio da morte e a saudação à nova era e entende que há uma contradição real no discurso, sem perceber que ela é intencional.
O aluno associa o texto a um período antigo (1901) e conclui que, por ser antigo, ele é ultrapassado, confundindo idade do texto com qualidade de sua crítica.
Raio-X da questão
ironia no texto literario
diagnostico
figuras de linguagem · analise textual
Estude figuras de linguagem, especialmente ironia e contraste textual.
Confundir ironia com incoerência ou contradição, interpretando o texto literalmente.
pensamento_critico
literario
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