Quando os auditores do Ministério do Trabalho entraram na casa de paredes descascadas num bairro residencial…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar objetos e vestígios da cultura material e imaterial de modo a identificar conhecimentos, valores, crenças e práticas que caracterizam a identidade e a diversidade cultural de diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Quando os auditores do Ministério do Trabalho entraram na casa de paredes descascadas num bairro residencial da capital paulista, parecia improvável que dali sairiam peças costuradas para uma das maiores redes de varejo do país. Não fossem as etiquetas da loja coladas aos casacos, seria difícil acreditar que, através de uma empresa terceirizada, a rede pagava 20 centavos por peça a imigrantes bolivianos que costuravam das 8 da manhã às 10 da noite. Os 16 trabalhadores suavam em dois cômodos sem janelas de 6 metros quadrados cada um. Costurando casacos da marca da rede, havia dois menores de idade e dois jovens que completaram 18 anos na oficina. Adaptado de Época, 04/04/2011 A comparação entre modelos produtivos permite compreender a organização do modo de produção capitalista a cada momento de sua história. Contudo, é comum verificar a coexistência de características de modelos produtivos de épocas diferentes. Na situação descrita na reportagem, identifica-se o seguinte par de características de modelos distintos do capitalismo: (UERJ 2012)
- A) organização fabril do taylorismo – legislação social fordista
- B) nível de tecnologia do neofordismo – perfil artesanal manchesteriano
- C) estratégia empresarial do toyotismo – relação de trabalho pré-fordista
- D) regulação estatal do pós-fordismo – padrão técnico sistêmico-flexível
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto descreve uma oficina clandestina terceirizada da rede de varejo, com pagamento por peça (20 centavos), jornada de 12 horas (das 8h às 10h), trabalho em cômodos sem janelas, imigrantes sem garantias e presença de menores de idade. Passo 2: Na situação aparecem duas características de modelos diferentes. A estratégia de terceirizar parte da produção para empresas subcontratadas e ajustar a oferta à demanda do varejo é traço do toyotismo, modelo de produção flexível e enxuto. Passo 3: As relações de trabalho (jornada extenuante, pagamento por produção sem vínculo formal, trabalho infantil, ausência de direitos sociais e ambiente insalubre) lembram o período pré-fordista, quando não havia legislação social protegendo o trabalhador. Passo 4: Logo, o par correto é estratégia empresarial do toyotismo com relação de trabalho pré-fordista, alternativa C, que confirma o gabarito oficial. Passo 5: Por que as outras estão erradas: na A, a legislação social é do fordismo, mas o caso mostra justamente a ausência de direitos trabalhistas; na B, o nível tecnológico neofordista não aparece na oficina, que é manual e de baixa tecnologia; na D, a regulação estatal do pós-fordismo pressupõe Estado atuante, enquanto o caso exige fiscalização para que a irregularidade fosse descoberta.
💡 Dica: Analise as características dos modelos produtivos do capitalismo para identificar o par correto.
Alternativa por alternativa
O aluno associa a legislação social ao cenário descrito e não percebe que a reportagem mostra a ausência de direitos trabalhistas. Também confunde a organização fabril taylorista com a presença de regras de proteção ao trabalhador.
O aluno acredita que o neofordismo é o nível de tecnologia de qualquer produção atual e que o perfil artesanal manchesteriano combina com uma oficina de costura clandestina. Não percebe que o caso mistura elementos de períodos distintos de forma incoerente com o par proposto.
Por que engana: Confundir características de modelos produtivos diferentes ou associar incorretamente termos técnicos a contextos históricos.
CORRETA. A estratégia empresarial do toyotismo (terceirização e flexibilização) convive com relações de trabalho precárias típicas do período pré-fordista, como exploração de mão de obra sem direitos.
O aluno entende que, como os auditores do Ministério do Trabalho atuaram, havia regulação estatal plena, o que caracterizaria o pós-fordismo. Ele lê a fiscalização como sinal de regulação eficaz, quando o texto mostra que a irregularidade só foi descoberta por intervenção externa.
Raio-X da questão
modelos produtivos do capitalismo
diagnostico
modelos produtivos capitalistas · relações de trabalho históricas
estude os modelos produtivos: taylorismo, fordismo, toyotismo e pós-fordismo
Confundir características de modelos produtivos diferentes ou associar incorretamente termos técnicos a contextos históricos.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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