— Mas a Câmara não tinha maioria? — perguntou um tipógrafo, ao ver o jornal anunciar a troca do ministério. —…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas durante o Primeiro e o Segundo Reinado.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Mas a Câmara não tinha maioria? — perguntou um tipógrafo, ao ver o jornal anunciar a troca do ministério. — Tinha, sim — respondeu um comerciante, lembrando o que ouvira nas rodas políticas do Rio de Janeiro, no fim da década de 1860. — Mesmo assim, o imperador chamou outro grupo para formar governo. Depois, falou-se em nova eleição para “refazer” a Câmara. O tipógrafo comentou que, nas ruas, alguns diziam que votar não bastava, pois a escolha do ministério dependia de decisões acima dos deputados. Outros defendiam que essa intervenção evitava crises e mantinha a ordem, equilibrando interesses do trono, dos partidos e das elites provinciais. A conversa terminou com uma dúvida: afinal, quem mandava mais na política do Império — os eleitos ou quem podia trocar o governo? Analise a situação narrada e identifique o mecanismo político do Segundo Reinado que ajuda a explicar esse jogo de forças entre imperador, ministério e Câmara.
- A) Autonomia provincial plena que permitia às assembleias locais escolherem diretamente os ministros
- B) Realização de plebiscito nacional que decidiu substituir a monarquia por uma república
- C) Intervenção militar que destituiu o imperador e instalou governo provisório no Rio de Janeiro
- D) Uso do Poder Moderador para nomear gabinetes e dissolver a Câmara quando convinha
- E) Adoção do voto universal que obrigava o imperador a aceitar sempre a maioria eleita
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve um impasse entre o imperador, o ministério (gabinete) e a Câmara dos deputados. O imperador troca o governo mesmo com a Câmara tendo maioria, e fala-se em nova eleição para refazer a Câmara. Isso indica um mecanismo que dava ao monarca poder acima da vontade dos eleitos. Passo 2: Esse mecanismo é o Poder Moderador, previsto na Constituição de 1824, que permitia ao imperador nomear e demitir ministros, sancionar leis, dissolver a Câmara e convocar novas eleições. Passo 3: Por isso a alternativa D é a correta, pois descreve exatamente o uso do Poder Moderador para nomear gabinetes e dissolver a Câmara quando convinha. Passo 4: A alternativa A está errada, pois no Império as províncias tinham autonomia limitada, e os ministros eram nomeados pelo imperador, não pelas assembleias provinciais. Passo 5: A alternativa B está errada, pois não houve plebiscito que substituísse a monarquia no Segundo Reinado; a república só foi proclamada em 1889 por golpe militar. Passo 6: A alternativa C está errada, pois a intervenção militar que derrubou o imperador ocorreu em 1889 e não faz parte do jogo de forças descrito no texto, que é institucional. Passo 7: A alternativa E está errada, pois o voto no Império era censitário e restrito, não universal, e o imperador não era obrigado a aceitar sempre a maioria eleita. Conclusão: o jogo de forças narrado revela que quem podia trocar o governo tinha mais poder do que a maioria eleita, graças ao Poder Moderador.
💡 Dica: Analise o papel do Poder Moderador no Segundo Reinado para entender a relação entre imperador, ministério e Câmara.
Alternativa por alternativa
O aluno pensa que o Império era uma federação com províncias plenamente autônomas, capazes de escolher ministros. Confunde descentralização administrativa limitada com autonomia política total.
Por que engana: Confundir o Poder Moderador com autonomia provincial ou voto universal, ou interpretar incorretamente o papel do imperador na política.
O aluno associa a troca de governo a uma consulta popular direta e imagina um plebiscito que teria derrubado a monarquia. Confunde o Segundo Reinado com o período republicano.
O aluno pensa que crises políticas no Império se resolviam por golpe militar e que o imperador foi destituído no período narrado. Confunde o contexto do fim da década de 1860 com a Proclamação da República em 1889.
A troca de ministério e a possibilidade de novas eleições indicam a ação do imperador acima da maioria parlamentar, típica do Poder Moderador.
O aluno acredita que o voto era universal e que a maioria eleita tinha poder obrigatório sobre o imperador. Desconhece o voto censitário e restrito do Império e o papel do Poder Moderador.
Raio-X da questão
Poder Moderador no Segundo Reinado
diagnostico
Estrutura política do Império
Estude o funcionamento do Poder Moderador e a estrutura política do Império do Brasil.
Confundir o Poder Moderador com autonomia provincial ou voto universal, ou interpretar incorretamente o papel do imperador na política.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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