No programa de uma rádio comunitária, um vereador defendeu um “toque de recolher” para adolescentes após a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No programa de uma rádio comunitária, um vereador defendeu um “toque de recolher” para adolescentes após a divulgação de ocorrências de vandalismo em uma praça. Ele afirmou: “Depois que o grupo passou a se reunir lá, começaram os problemas; então eles são a causa”. Um comerciante concordou e pediu “uma medida imediata, antes que vire rotina”. Já uma moradora contestou: lembrou que a iluminação da praça está com defeito há meses e que, no mesmo período, foram fechados dois espaços de esporte no bairro. Ela sugeriu consultar registros de ocorrências de anos anteriores e comparar com outras praças com condições semelhantes, antes de decidir uma política que afete todos os jovens. Com base no texto, identifique a atitude mais compatível com a crítica de David Hume à passagem apressada da sequência de fatos para a afirmação de uma causa.
- A) Rejeitar toda discussão de causas sociais, alegando que somente opiniões morais importam na decisão pública.
- B) Exigir comparação com casos semelhantes e considerar outras variáveis antes de atribuir a causa a um grupo.
- C) Defender a medida porque autoridades locais têm experiência e, por isso, seu juízo basta como evidência.
- D) Concluir que, se os problemas começaram depois das reuniões, elas são necessariamente a causa principal.
- E) Apoiar a medida por prevenção, mesmo sem dados, pois qualquer risco já torna legítima a restrição.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- A questão pede a atitude mais compatível com a crítica de David Hume à passagem apressada da sequência temporal de fatos para a afirmação de uma causa, ou seja, ao erro de tomar a precedência temporal (um fato veio depois do outro) como prova de relação causal.
- Resolvendo por conta própria, a crítica humeana exige que não se confunda sucessão com causalidade. Para isso, é preciso observar a regularidade dos fatos em situações comparáveis, verificar se existem outras explicações possíveis (variáveis alternativas) e não atribuir a causa apenas porque um evento aconteceu antes de outro. No texto, a moradora faz exatamente isso: lembra da iluminação defeituosa e do fechamento de espaços de esporte, pede registros de anos anteriores e comparação com outras praças.
- A alternativa B descreve essa atitude: exigir comparação com casos semelhantes e considerar outras variáveis antes de atribuir a causa a um grupo. Esta é a resposta correta, coincidindo com o gabarito oficial.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Rejeita a discussão de causas, o que é o oposto da postura crítica de Hume, que pede investigação cuidadosa das causas e não sua recusa.
- C) Apoia a conclusão com base na autoridade do juízo, justamente o tipo de argumento que Hume criticaria por não ser evidência de causalidade.
- D) Repete o próprio erro criticado, pois conclui a causalidade apenas pela sucessão temporal.
- E) Defende restrição sem dados, o que contraria a exigência de evidência antes de afirmar causas.
- Conclusão: a resposta é B, pois é a única alternativa que aplica o cuidado de comparar casos e considerar outras variáveis antes de estabelecer uma causa.
💡 Dica: Analise a argumentação e identifique a crítica à causalidade apressada.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter entendido que a crítica de Hume desqualifica qualquer discussão sobre causas sociais, quando na verdade ela pede rigor na investigação causal.
Hume alerta que sucessão não prova conexão necessária; a alternativa propõe buscar evidências e hipóteses rivais antes da conclusão.
O aluno acredita que a experiência ou a posição de autoridade local dispensa a verificação dos fatos, confundindo prestígio com evidência.
O aluno considera que, se um fato ocorreu depois de outro, o primeiro é necessariamente a causa, exatamente o erro de confundir sucessão temporal com causalidade que Hume criticava.
Por que engana: Confundir correlação temporal com causalidade direta, aceitando conclusões sem análise crítica.
O aluno acha que qualquer possibilidade de risco justifica a restrição, sem exigir dados, o que ignora a necessidade de evidência antes de atribuir causa e decidir.
Raio-X da questão
falácia causal e crítica filosófica
diagnostico
argumentação lógica básica · falácias comuns em argumentos
estude falácias lógicas e o método crítico de David Hume
Confundir correlação temporal com causalidade direta, aceitando conclusões sem análise crítica.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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