Ao percorrer uma exposição sobre explicações para o surgimento da vida, uma vitrine compara duas ideias…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e discutir modelos, teorias e leis propostos em diferentes épocas e culturas para comparar distintas explicações sobre o surgimento e a evolução da Vida, da Terra e do Universo com as teorias científicas aceitas atualmente.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao percorrer uma exposição sobre explicações para o surgimento da vida, uma vitrine compara duas ideias históricas: a “geração espontânea”, segundo a qual o calor do Sol faria a vida aparecer em materiais inanimados na superfície da Terra, e a “panspermia”, proposta em diferentes épocas, que sugere a chegada de “sementes” da vida vindas do espaço. No painel sobre panspermia, um exemplo atual é o transporte de microrganismos no interior de fragmentos rochosos ejetados por impactos. Para a travessia entre Marte e a Terra, o texto informa um tempo típico de 1,0 x 10^5 anos e uma taxa média de dose de radiação ionizante no espaço de 0,20 Gy/ano. A dose letal para esporos muito resistentes é estimada em 5,0 kGy (1 kGy = 10^3 Gy). O mesmo painel afirma que, a 0,50 m de profundidade na rocha, a dose recebida pode ser 100 vezes menor. Analise os dados do texto e identifique a conclusão que melhor avalia, do ponto de vista físico, qual versão da panspermia é tornada mais plausível pelas condições apresentadas.
- A) A panspermia com “sementes em rocha” é desfavorecida, pois mesmo dividindo por 100 a dose continua maior que 5,0 kGy.
- B) A panspermia com “sementes em rocha” é favorecida, pois a atenuação por 100 reduz 20 kGy para 0,20 kGy.
- C) A panspermia com “sementes em rocha” é desfavorecida, pois a rocha aumenta a dose por espalhamento e torna a irradiação maior.
- D) A panspermia com “sementes nuas” é favorecida, pois 5,0 kGy equivale a 5,0 Gy e o limite seria facilmente atendido.
- E) A panspermia com “sementes nuas” é favorecida, pois 0,20 Gy/ano por 1,0 x 10^5 anos fica abaixo de 5,0 kGy.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Calcule a dose total na travessia sem proteção. A taxa é 0,20 Gy/ano e o tempo é 1,0 x 10^5 anos, logo a dose total é 0,20 x 1,0 x 10^5 = 2,0 x 10^4 Gy. Como 1 kGy = 10^3 Gy, isso equivale a 20 kGy.
- Compare com a dose letal para esporos muito resistentes, de 5,0 kGy. Os 20 kGy são quatro vezes maiores que o limite, então sementes nuas (expostas diretamente à radiação) não sobreviveriam à viagem. Isso desfavorece a panspermia com sementes nuas.
- Considere a proteção da rocha. O texto diz que a 0,50 m de profundidade a dose é 100 vezes menor. Dividindo 20 kGy por 100 obtém-se 0,20 kGy, ou seja, 200 Gy, que está bem abaixo de 5,0 kGy. Assim, os esporos protegidos no interior da rocha teriam condições físicas de sobreviver.
- Conclua. A versão mais plausível é a panspermia com sementes em rocha, pois a blindagem reduz a dose a um valor compatível com a sobrevivência. O gabarito B está correto e sua justificativa numérica confere com os dados.
- Por que as outras estão erradas. A afirma que a dose continua acima de 5,0 kGy após a divisão, o que é falso porque 0,20 kGy é menor que 5,0 kGy. C afirma que a rocha aumenta a dose, o que contraria o texto, que diz que a dose é 100 vezes menor. D troca kGy por Gy, pois 5,0 kGy equivalem a 5000 Gy e não a 5,0 Gy. E compara a taxa anual de 0,20 Gy com o limite sem multiplicar pelo tempo, ignorando que a dose acumulada é de 20 kGy.
💡 Dica: Calcule a dose total recebida e compare com o limite letal considerando a atenuação da rocha.
Alternativa por alternativa
O aluno provavelmente calcula a dose total com erro de potência de dez (por exemplo, 200 kGy) ou acredita que dividir por 100 ainda deixa a dose acima de 5,0 kGy. Com isso conclui que a rocha não protege suficientemente.
Por que engana: Confundir unidades de dose ou não considerar a atenuação da radiação pela rocha ao calcular a dose recebida.
Com dose no espaço de 20 kGy, a rocha reduz para 20/100 = 0,20 kGy = 200 Gy, abaixo de 5,0 kGy, tornando-a fisicamente mais viável.
O aluno acredita que a rocha intensifica a radiação por espalhamento, invertendo o efeito de blindagem descrito no texto. O painel afirma que a profundidade reduz a dose, então a ideia contraria a informação dada.
O aluno confunde quilogray com gray e considera que 5,0 kGy equivalem a 5,0 Gy. Assim, o limite parece pequeno e facilmente atendido, quando na verdade é 5000 Gy.
O aluno compara a taxa anual de 0,20 Gy/ano diretamente com o limite de 5,0 kGy e esquece de multiplicar pelo tempo de 1,0 x 10^5 anos. A dose acumulada é de 20 kGy, que ultrapassa o limite, então a conclusão sobre sementes nuas está errada.
Raio-X da questão
radiação ionizante e panspermia
avaliacao
dose de radiação ionizante · atenuação de radiação em materiais
estude cálculo de dose de radiação e atenuação em materiais
Confundir unidades de dose ou não considerar a atenuação da radiação pela rocha ao calcular a dose recebida.
ciencia_tecnologia
pensamento_critico
cientifico
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