Pode um cartaz colado no muro entrar no catálogo de um centro cultural? Em um edital de exposições, o coletivo…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os diálogos e os processos de disputa por legitimidade nas práticas de linguagem e em suas produções (artísticas, corporais e verbais).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Pode um cartaz colado no muro entrar no catálogo de um centro cultural? Em um edital de exposições, o coletivo ViraLataInsiste enviou fotos de seus lambe-lambes feitos com serigrafia e colagem, pensados para ruas de grande circulação. No parecer de recusa, a comissão avaliou que a proposta “não atende ao padrão de durabilidade e conservação exigido para o espaço expositivo” e sugeriu que o grupo “busque ações educativas, não artísticas”. Na resposta pública, o coletivo afirmou que a obra foi criada para existir “no ritmo da cidade”, que a remoção, o rasgo e a sobreposição por outros cartazes fazem parte do trabalho, e que o sentido depende do encontro com quem passa, não de uma moldura. Em redes sociais, moradores dividiram-se entre chamar a ação de “poluição visual” e defender que “o muro também é lugar de arte quando há intenção e linguagem”. Com base no texto-base, identifique a tomada de posição que melhor expressa a disputa por legitimidade do lambe-lambe como produção artística.
- A) Sustentar que a obra é válida porque agrada à maioria dos moradores da região.
- B) Afirmar que o reconhecimento depende apenas de assinar individualmente cada cartaz.
- C) Negar qualquer diálogo com instituições por considerar toda curadoria uma forma de censura.
- D) Defender que a obra se legitima ao afirmar a efemeridade e a rua como parte da linguagem.
- E) Reforçar que só a permanência material garante o valor de uma obra exposta.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- A questão pede a tomada de posição que melhor expressa a disputa por legitimidade do lambe-lambe como produção artística. Resolvi a partir do texto: a comissão recusou a obra por durabilidade e conservação e sugeriu ações educativas, não artísticas; o coletivo respondeu que a obra existe no ritmo da cidade, que remoção, rasgo e sobreposição fazem parte do trabalho e que o sentido depende do encontro com quem passa, não de uma moldura; e os moradores se dividiram entre poluição visual e a ideia de que o muro é lugar de arte quando há intenção e linguagem.
- A disputa, portanto, gira em torno de critérios de legitimidade: a durabilidade e a permanência (critério institucional) contra a efemeridade, a circulação pública e a intenção artística (critério da linguagem). A posição que expressa essa disputa precisa defender a legitimidade da obra a partir de seus próprios fundamentos, reconhecendo a efemeridade e a rua como parte da linguagem.
- A alternativa D faz exatamente isso: defende a legitimação da obra ao afirmar a efemeridade e a rua como parte da linguagem, o que dialoga diretamente com a resposta do coletivo e com a defesa de que o muro é lugar de arte quando há intenção e linguagem.
- Por que as outras estão erradas: A) apoia a validade da obra em agrado da maioria, critério que não aparece no texto como fundamento artístico; B) reduz o reconhecimento à assinatura individual, o que não responde à discussão sobre linguagem e espaço; C) nega o diálogo com instituições, algo que o texto não propõe, já que a disputa se dá justamente na relação com o edital; E) reforça a permanência material como único valor, exatamente a posição do parecer de recusa que o coletivo contesta.
- Conclusão: a resposta correta é D, que é também a indicada no gabarito oficial.
💡 Dica: Analise as posições apresentadas no texto para identificar a que legitima o lambe-lambe como arte.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que a aprovação popular é o critério que legitima a obra, confundindo popularidade com valor artístico.
Por que engana: Confundir opinião popular com legitimidade artística ou focar apenas na permanência material da obra.
O aluno entende que a autoria formal, a assinatura de cada cartaz, basta para tornar a obra artística, sem considerar a linguagem e o contexto da proposta.
O aluno interpreta que a defesa do coletivo implica rejeitar qualquer relação com instituições, quando o texto apenas questiona o padrão de conservação exigido.
Correta: o coletivo contesta o critério de durabilidade e propõe outro, ligado ao suporte urbano e ao modo de circulação.
O aluno adota o critério do parecer de recusa, que só reconhece valor à permanência material, sem perceber que é justamente essa posição que o coletivo contesta.
Raio-X da questão
legitimidade da arte urbana
avaliacao
interpretação de texto argumentativo
estude conceitos de arte urbana e efemeridade na arte contemporânea
Confundir opinião popular com legitimidade artística ou focar apenas na permanência material da obra.
multiculturalismo
pensamento_critico
cotidiano
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