Um servidor público afirma que apenas cumpriu ordens ao registrar medidas que prejudicaram uma minoria. Ele…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas de grupos, povos e sociedades contemporâneos (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Um servidor público afirma que apenas cumpriu ordens ao registrar medidas que prejudicaram uma minoria. Ele diz que não avaliou as consequências porque seguia procedimentos do órgão. — À luz da ideia de banalidade do mal em Hannah Arendt, como essa atitude deve ser interpretada?
- A) Como um caso de desvio individual de caráter, explicável principalmente por uma personalidade excepcionalmente má e violenta.
- B) Como um ato de crueldade consciente e deliberada, movido por intenção clara de prejudicar a minoria atingida pelas medidas.
- C) Como um exemplo de mal praticado sem reflexão crítica, no qual a obediência mecânica substitui o julgamento moral e a responsabilidade pessoal.
- D) Como uma postura administrativa neutra, em que seguir procedimentos técnicos elimina a necessidade de avaliar os efeitos éticos das decisões.
- E) Como uma demonstração de que a obediência às regras sempre justifica moralmente qualquer ação praticada por um servidor público.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- A questão trata da ideia de banalidade do mal, formulada por Hannah Arendt a partir do julgamento de Adolf Eichmann. Segundo essa ideia, o mal pode ser praticado por pessoas comuns que deixam de pensar criticamente e se limitam a cumprir ordens e procedimentos, sem refletir sobre as consequências morais de seus atos.
- No enunciado, o servidor registrou medidas que prejudicaram uma minoria, alegou que apenas cumpriu ordens e afirmou não ter avaliado as consequências porque seguia procedimentos. Esse é exatamente o quadro de ausência de juízo crítico descrito por Arendt.
- Resolvendo por conta própria, a alternativa correta é a C, pois descreve o mal praticado sem reflexão crítica, em que a obediência mecânica substitui o julgamento moral e a responsabilidade pessoal.
- A alternativa A está errada, pois associa o caso a um desvio de caráter e a uma personalidade excepcionalmente má, o que Arendt justamente contesta ao falar em banalidade.
- A alternativa B está errada, pois atribui ao servidor uma crueldade consciente e deliberada, enquanto o enunciado descreve ausência de avaliação das consequências.
- A alternativa D está errada, pois trata a neutralidade administrativa como algo que elimina a necessidade de avaliar efeitos éticos, justamente o oposto da responsabilidade pessoal defendida por Arendt.
- A alternativa E está errada, pois afirma que a obediência justifica moralmente qualquer ação, o que Arendt rejeita ao exigir que cada pessoa julgue e responda por seus atos.
- Conclusão: o gabarito oficial C está correto e coincide com a resolução feita de forma independente.
💡 Dica: Procure a relação entre obediência, ausência de reflexão e responsabilidade.
Alternativa por alternativa
O aluno associa o mal a uma personalidade monstruosa ou patológica, ignorando que Arendt sustenta que o mal pode ser praticado por pessoas comuns.
O aluno lê a situação como crueldade intencional, quando o enunciado descreve o servidor como alguém que não avaliou as consequências dos seus atos.
Expressa exatamente a ideia de Hannah Arendt: a atitude é interpretada como adesão automática a normas e ordens, sem exame moral das consequências, o que caracteriza a banalidade do mal.
O aluno entende que seguir procedimentos técnicos é uma posição neutra que dispensa avaliação ética, o que confunde neutralidade burocrática com ausência de responsabilidade.
O aluno toma a obediência a regras como justificativa moral absoluta, sem perceber que Arendt critica exatamente a renúncia ao juízo pessoal.
Por que engana: achar que obedecer ordens elimina culpa moral
Raio-X da questão
banalidade do mal
Identificar a banali
ética · responsabilidade moral
julgamento moral e responsabilidade
achar que obedecer ordens elimina culpa moral
direitos humanos
responsabilidade
Filosofia política e
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