Recorte histórico: desde o século XIX, a gramática tradicional classifica a partícula “que” segundo categorias…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar o tratamento dado pela gramática tradicional e pelas gramáticas de uso contemporâneas em relação a diferentes tópicos gramaticais, de forma a perceber as diferenças de abordagem e o fenômeno da variação linguística e analisar motivações que levam ao predomínio do ensino da norma-padrão na escola.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Recorte histórico: desde o século XIX, a gramática tradicional classifica a partícula “que” segundo categorias prescritas, atribuindo-lhe funções fixas como pronome relativo ou conjunção subordinativa. Dados ilustrativos: as gramáticas de uso contemporâneas, fundamentadas em corpora de linguagem real, defendem que a identificação de “que” deve levar em conta sua função semântica e sua frequência em contextos comunicativos distintos, distinguindo usos como conjunção integrante (introduzindo orações substantivas) de usos como pronome relativo ou conjunção coordenativa. Compare o tratamento dado pela gramática tradicional e pelas gramáticas de uso contemporâneas no uso da partícula “que”. A partir dessa comparação, identifique qual alternativa exemplifica corretamente o uso de “que” como conjunção integrante.
- A) Em “Ele demorou, que tinha muito trabalho”, “que” indica causa e atua como conjunção coordenativa causal
- B) Em “O livro que li é interessante”, “que” retoma o antecedente e funciona como pronome relativo
- C) Em “Que horas são?”, “que” expressa interrogação e funciona como advérbio interrogativo
- D) Em “Gosto de chá, que é suave”, “que” estabelece adição e funciona como conjunção coordenativa aditiva
- E) Em “Ela disse que viria amanhã”, “que” introduz uma oração completiva substantiva
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Identifiquei a função de 'que' em cada alternativa, sem recorrer ao gabarito. Conjunção integrante é a que introduz uma oração completiva (substantiva) que funciona como complemento de um verbo, como sujeito ou objeto. Passo 2: Em 'Ela disse que viria amanhã', a oração 'que viria amanhã' completa o sentido do verbo 'disse' e exerce função de objeto direto (o que ela disse). Logo, 'que' é conjunção integrante, introduzindo uma oração substantiva completiva. Passo 3: Em 'Ele demorou, que tinha muito trabalho', 'que' liga uma oração explicativa de causa; a gramática tradicional a classifica como conjunção subordinativa causal, e não coordenativa, pois a oração introduzida depende do sentido da anterior. Passo 4: Em 'O livro que li é interessante', 'que' retoma o antecedente 'livro' e exerce função de pronome relativo, uso correto, mas que não é integrante. Passo 5: Em 'Que horas são?', 'que' é uma palavra interrogativa que acompanha 'horas' e não introduz oração substantiva, portanto não é conjunção integrante. Passo 6: Em 'Gosto de chá, que é suave', 'que' retoma 'chá' como pronome relativo, e não expressa adição como conjunção coordenativa. Passo 7: Conclusão: a alternativa E é a única que exemplifica corretamente a conjunção integrante, o que coincide com o gabarito oficial. O contraste com a gramática de uso está em que a abordagem contemporânea analisa a função semântica de 'que' no contexto, e não apenas a classificação prescrita, o que permite identificar a oração completiva de 'disse que viria' pelo papel que ela cumpre no período.
💡 Dica: Compare os usos da partícula 'que' e identifique a função semântica correta.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter tomado a vírgula seguida de 'que' como marca de coordenação e concluído que a oração causal é coordenada, sem perceber que a oração depende semanticamente da anterior.
O aluno reconhece corretamente o pronome relativo, mas o associa à conjunção integrante por ser uma oração introduzida por 'que', confundindo subordinação adjetiva com subordinação substantiva.
Por que engana: Confundir as funções de 'que' como pronome relativo, conjunção subordinativa e coordenativa, levando a escolhas incorretas.
O aluno pode ter achado que, por se tratar de uma pergunta, 'que' deve ser classificado como conjunção, já que a frase não tem uma oração introduzida por ele, e assim associou a palavra a uma função introdutória.
O aluno pode ter interpretado 'que' como sinônimo de 'e' por causa da ideia de acréscimo de informação, sem perceber que ele retoma 'chá' e exerce função de pronome relativo.
Exemplifica uso de “que” como conjunção integrante, conforme gramáticas de uso que consideram a função semântica em orações substantivas.
Raio-X da questão
funções da partícula 'que'
diagnostico
funções sintáticas básicas · pronomes e conjunções
Estude as funções sintáticas e semânticas da partícula 'que' em diferentes contextos.
Confundir as funções de 'que' como pronome relativo, conjunção subordinativa e coordenativa, levando a escolhas incorretas.
pensamento_critico
abstrato
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