Vocacionadas ao campo desde o século XIX, as trabalhadoras rurais brasileiras enfrentaram mudanças no acesso a…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Vocacionadas ao campo desde o século XIX, as trabalhadoras rurais brasileiras enfrentaram mudanças no acesso a emprego e renda que refletem processos de estratificação social. Em 1910, 20% das mulheres no meio rural eram assalariadas, recebendo em média 40% da renda de seus colegas homens. Em 1960, a proporção de assalariadas caiu para 15%, enquanto aquelas que trabalhavam de forma autônoma passaram a representar 30% e auferiam 45% da renda masculina. Em 2010, 25% das mulheres rurais eram assalariadas, 50% atuavam de modo autônomo e a média de rendimento feminino alcançava 60% do rendimento masculino. Dados ilustrativos. Analise o texto-base e identifique o indicador que revela continuidade da desigualdade de gênero no mercado de trabalho rural brasileiro.
- A) Crescimento da participação feminina total no emprego rural no período
- B) Permanência da diferença salarial de aproximadamente 40% entre gêneros ao longo do século
- C) Elevação da renda média das mulheres rurais de 40% para 60% da renda masculina
- D) Aumento no percentual de mulheres autônomas entre 1960 e 2010
- E) Queda na proporção de mulheres assalariadas entre 1910 e 1960
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Resolvo a questão sem o gabarito. A pergunta pede o indicador que mostra continuidade da desigualdade de gênero, ou seja, algo que se mantém ao longo do tempo. Mudanças como aumento ou queda de percentuais mostram transformação, não permanência.
- Os dados do texto mostram que, em todos os três momentos (1910, 1960 e 2010), a renda feminina ficou abaixo da masculina: 40%, 45% (no grupo autônomo de 1960) e 60% da renda masculina. Ou seja, a desigualdade salarial persiste em todo o período analisado.
- A alternativa B expressa exatamente essa continuidade, a permanência de uma diferença salarial entre gêneros. Ressalva: o valor de aproximadamente 40% vale apenas para 1910; a diferença em 1960 e 2010 foi de cerca de 55% e 40%, respectivamente, e não é constante. Por isso a redação da alternativa é imprecisa, mas o conceito que ela traz é o que a questão pede.
- A alternativa A está errada porque o crescimento da participação feminina total no emprego não mede desigualdade de renda ou de condições entre homens e mulheres.
- A alternativa C está errada porque a elevação de 40% para 60% indica redução da desigualdade, ou seja, uma mudança positiva, e não sua continuidade.
- A alternativa D está errada porque o aumento de mulheres autônomas de 30% para 50% mostra uma transformação na forma de inserção no trabalho, não a permanência de uma desigualdade.
- A alternativa E está errada porque a queda de 20% para 15% das assalariadas entre 1910 e 1960 é uma mudança no percentual de assalariadas, e não revela continuidade da desigualdade.
- Conclusão: a alternativa B é a que melhor responde à pergunta, pois é a única que descreve uma desigualdade que se mantém ao longo do tempo, apesar da imprecisão do percentual indicado.
💡 Dica: Compare os dados de renda e participação para identificar a desigualdade persistente.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que, se a participação feminina total no emprego rural cresce, a desigualdade de gênero está se mantendo. Ele confunde quantidade de mulheres empregadas com a igualdade de condições de trabalho e de renda.
Por que engana: Confundir aumento da participação feminina com redução da desigualdade salarial.
Mantém-se um rendimento feminino inferior em cerca de 40% ao masculino em todos os anos, mostrando continuidade da desigualdade.
O aluno lê o aumento da renda feminina de 40% para 60% da masculina como sinal de continuidade da desigualdade, quando na verdade ele mostra redução da diferença. Ele não percebe que a pergunta pede o indicador que permanece, não o que melhora.
O aluno supõe que o crescimento do percentual de mulheres autônomas de 30% para 50% indica que a desigualdade se manteve. Ele não reconhece que se trata de mudança na forma de inserção no trabalho e não de permanência de uma diferença.
O aluno considera que a queda da proporção de assalariadas entre 1910 e 1960 demonstra persistência da desigualdade. Ele analisa um dado isolado, sem perceber que ele descreve uma transformação e não uma permanência.
Raio-X da questão
desigualdade de gênero no trabalho rural
diagnostico
interpretação de dados históricos · análise de indicadores sociais
Estude desigualdade salarial e participação feminina no mercado de trabalho rural.
Confundir aumento da participação feminina com redução da desigualdade salarial.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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