É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquiriram seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar. A silhueta antiga do senhor de engenho perde aqui alguns dos seus traços característicos, desprendendo-se mais da terra e da tradição – da rotina rural. A terra de lavoura deixa então de ser o seu pequeno mundo para se tornar unicamente o seu meio de vida, sua fonte de renda [...]. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.) O “caráter próprio” das fazendas de café do Oeste paulista de 1840 pode ser explicado, em parte, pelo UNESP - 2019
- A) menor isolamento dessas fazendas em relação aos meios urbanos.
- B) emprego exclusivo de mão de obra imigrante e assalariada.
- C) desaparecimento das práticas de mandonismo local.
- D) maior volume de produção de mantimentos nessas fazendas.
- E) esforço de produzir prioritariamente para o mercado interno.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto de Sérgio Buarque de Holanda descreve os cafezais do Oeste paulista de 1840 como uma forma de exploração agrária que se libertou do modelo do engenho de açúcar. O senhor de engenho perde traços característicos, desprende-se da terra e da rotina rural, e a terra passa a ser apenas meio de vida e fonte de renda. Passo 2: A ideia central é que essas fazendas estavam mais integradas à lógica do mercado e menos presas ao universo rural fechado e tradicional. Por isso, a alternativa A, menor isolamento dessas fazendas em relação aos meios urbanos, explica bem o 'caráter próprio' descrito. Passo 3: A alternativa B está errada, porque em 1840 a mão de obra dominante no café ainda era escrava, e o trabalho imigrante assalariado só se expandiu depois de 1880. Passo 4: A alternativa C está errada, porque o texto não afirma que o mandonismo local desapareceu; apenas diz que a figura do senhor perde alguns traços. Passo 5: A alternativa D está errada, porque o texto fala de desprendimento da lavoura de subsistência, e não de maior produção de mantimentos. Passo 6: A alternativa E está errada, porque o café dessa região era produzido principalmente para o mercado externo, por meio da exportação, e não prioritariamente para o mercado interno. Passo 7: Conclusão: a resposta correta é a alternativa A, coincidindo com o gabarito oficial.
💡 Dica: Analise o texto para identificar a característica das fazendas de café no Oeste paulista em 1840.
Alternativa por alternativa
O 'caráter próprio' das fazendas de café do Oeste paulista de 1840 está relacionado à sua maior integração com os meios urbanos, diferente das antigas fazendas de açúcar (engenhos) que eram mais isoladas. Isso significa que os cafeicultores dessa região passaram a estar mais conectados com mercados e centros urbanos através de infraestrutura, transportes e atividades comerciais, tornando a terra mais uma fonte de renda do que centro de um modo de vida tradicional. Assim, a lógica de produção se modernizou e se afastou do antigo modelo colonial de autossuficiência e isolamento.
O aluno supõe que a modernização das fazendas de café significava trabalho exclusivamente imigrante e assalariado, aplicando à década de 1840 um quadro que só vale para o período posterior a 1880. Ele ignora a presença maciça de escravizados nessa época.
Por que engana: Confundir características do café no Oeste paulista com outras regiões ou períodos históricos.
O aluno interpreta que a perda de traços do senhor de engenho significa o fim do poder local e do mandonismo. O texto fala apenas de mudança no perfil da figura do senhor, não do desaparecimento das relações de poder.
O aluno associa a lavoura de café a uma maior produção de alimentos, talvez por imaginar que a fazenda se tornou mais produtiva em geral. Ele não percebe que o texto trata de uma fuga da lavoura voltada à subsistência.
O aluno confunde produzir para o mercado, expressão presente no texto como fonte de renda, com produzir para o mercado interno. Ele desconhece que o café paulista de 1840 era voltado sobretudo à exportação.
Raio-X da questão
características das fazendas de café
diagnostico
história do café no Brasil · economia colonial brasileira
Estude a história econômica e social do café no Oeste paulista no século XIX.
Confundir características do café no Oeste paulista com outras regiões ou períodos históricos.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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