ENEM - 2012 Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará. Ele está comprometido de monge. De tarde deambula no azedal…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar relações de intertextualidade e interdiscursividade que permitam a explicitação de relações dialógicas, a identificação de posicionamentos ou de perspectivas, a compreensão de paráfrases, paródias e estilizações, entre outras possibilidades.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2012 Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará. Ele está comprometido de monge. De tarde deambula no azedal entre torsos de cachorro, trampas, trapos, panos de regra, couros, de rato ao podre, vísceras de piranhas, baratas albinas, dálias secas, vergalhos de lagartos, linguetas de sapatos, aranhas dependuradas em gotas de orvalho etc. etc. Pote Cru, ele dormia nas ruínas de um convento Foi encontrado em osso. Ele tinha uma voz de oratórios perdidos. BARROS, M. **Retrato do artista quando coisa**. Rio de Janeiro: Record, 2002. Ao estabelecer uma relação com o texto bíblico nesse poema, o eu lírico identifica-se com Pote Cru porque Ao estabelecer uma relação com o texto bíblico nesse poema, o eu lírico identifica-se com Pote Cru porque
- A) Entende a necessidade de todo poeta ter voz de oratórios perdidos.
- B) Elege-o como pastor a fim de ser guiado para a salvação divina.
- C) Valoriza nos percursos do pastor a conexão entre as ruínas e a tradição.
- D) Necessita de um guia para a descoberta das coisas da natureza.
- E) Acompanha-o na opção pela insignificância das coisas.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O poema retoma o Salmo 23 ('O Senhor é meu pastor, nada me faltará'), mas o pastor agora é Pote Cru, figura que vive entre restos, objetos descartados, animais mortos e podridão.
- No texto bíblico, o pastor representa proteção e salvação. No poema, Pote Cru conduz a um espaço de degradação e insignificância, o que inverte o sentido religioso original.
- O eu lírico se identifica com Pote Cru pela escolha da insignificância: ambos valorizam coisas pequenas, desprezadas e aparentemente sem utilidade, como trapos, vísceras, baratas e dálias secas.
- Logo, a alternativa correta é a E, pois o eu lírico acompanha Pote Cru na opção pela insignificância das coisas.
- A alternativa A está errada, pois o poema não afirma que todo poeta deve ter voz de oratórios perdidos; essa voz é uma característica de Pote Cru.
- A alternativa B está errada, pois o poema inverte o sentido bíblico do pastor e não trata de salvação divina.
- A alternativa C está errada, pois as ruínas do convento aparecem como espaço de degradação, e não como elo com a tradição; o foco é o descartado.
- A alternativa D está errada, pois Pote Cru é quem guia, e não quem precisa de guia, e o foco do poema não é a descoberta da natureza.
- Observação: o gabarito oficial E está coerente com a análise feita.
💡 Dica: Leia o poema atentamente para compreender o sentido das imagens e expressões.
Alternativa por alternativa
O aluno pode entender que o poema generaliza a voz de oratórios perdidos como condição de todo poeta, ignorando que essa característica pertence a Pote Cru.
O aluno pode ler o trecho de forma literal, associando o pastor ao Salmo 23 e à salvação divina, sem perceber a inversão de sentido proposta por Manoel de Barros.
O aluno pode supor que as ruínas e o convento remetem à tradição religiosa valorizada, quando o poema apresenta esses espaços como degradados e ligados ao descartado.
Por que engana: O aluno pode confundir a valorização da insignificância com a busca por significados profundos, escolhendo uma alternativa que sugere uma interpretação mais literal.
O aluno pode inverter os papéis do poema, achando que o eu lírico precisa de um guia para descobrir a natureza, quando na verdade é Pote Cru quem conduz.
O eu lírico se identifica com Pote Cru na valorização da insignificância, refletindo a poética do cotidiano.
Raio-X da questão
interpretação de poema literário
fixacao
interpretação de poema · análise de metáforas
Estude análise e interpretação de poemas e linguagem figurada.
O aluno pode confundir a valorização da insignificância com a busca por significados profundos, escolhendo uma alternativa que sugere uma interpretação mais literal.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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