ENEM - 2015 No ano de 1985 aconteceu um acidente muito grave em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, perto da…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
ENEM - 2015 No ano de 1985 aconteceu um acidente muito grave em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, perto da aldeia guarani de Sapukai. Choveu muito e as águas pluviais provocaram deslizamentos de terras das encostas da Serra do Mar, destruindo o Laboratório de Radioecologia da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, construída em 1970 num lugar que os índios tupinambás, há mais de 500 anos, chamavam de Itaorna. O prejuízo foi calculado na época em 8 bilhões de cruzeiros. Os engenheiros responsáveis pela construção da usina nuclear não sabiam que o nome dado pelos índios continha informação sobre a estrutura do solo, minado pelas águas da chuva. Só descobriram que Itaorna, em língua tupinambá, quer dizer “pedra podre”, depois do acidente. FREIRE, J. R. B. Disponível em: www.taquiprati.com.br. Acesso em: 1 ago. 2012 (adaptado). Considerando-se a história da ocupação na região de Angra dos Reis mencionada no texto, os fenômenos naturais que a atingiram poderiam ter sido previstos e suas consequências minimizadas se: Considerando-se a história da ocupação na região de Angra dos Reis mencionada no texto, os fenômenos naturais que a atingiram poderiam ter sido previstos e suas consequências minimizadas se:
- A) O acervo linguístico indígena fosse conhecido e valorizado.
- B) As línguas indígenas brasileiras tivessem sido substituídas pela língua geral.
- C) O conhecimento acadêmico tivesse sido priorizado pelos engenheiros.
- D) A língua tupinambá tivesse palavras adequadas para descrever o solo.
- E) O laboratório tivesse sido construído de acordo com as leis ambientais vigentes na época.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- O texto narra que os engenheiros da usina nuclear de Angra dos Reis não sabiam que o nome indígena Itaorna, em tupinambá, significava 'pedra podre', informação que indicava a fragilidade do solo, minado pelas águas da chuva. O acidente só foi compreendido depois que ocorreu.
- Logo, o conhecimento contido na língua e na tradição indígena sobre o terreno poderia ter servido como alerta prévio. Se esse acervo linguístico e cultural fosse conhecido e valorizado pelos responsáveis pela obra, o risco de deslizamento teria sido percebido antes da construção, permitindo prever os fenômenos e reduzir seus efeitos.
- Por isso a alternativa A é a correta, e ela coincide com o gabarito oficial.
- A alternativa B está errada, pois substituir as línguas indígenas pela língua geral eliminaria justamente o saber que poderia ter alertado os engenheiros.
- A alternativa C está errada, pois o texto mostra que o problema foi ignorar o saber local, e não falta de conhecimento acadêmico, já que os engenheiros tinham formação técnica.
- A alternativa D está errada, pois o problema não era a ausência de palavras na língua tupinambá, e sim o fato de que o sentido da palavra Itaorna não foi considerado.
- A alternativa E está errada, pois o texto não trata de legislação ambiental nem de cumprimento de leis da época; o foco está no saber indígena sobre o solo.
💡 Dica: Leia atentamente o texto para compreender o significado de Itaorna e sua relação com o acidente.
Alternativa por alternativa
A valorização do acervo linguístico indígena poderia ter evitado o acidente, pois o nome 'Itaorna' indicava a fragilidade do solo.
O aluno pode supor que a padronização linguística, com a língua geral, facilitaria a comunicação e o conhecimento técnico, sem perceber que ela apagaria o saber indígena sobre o terreno.
O aluno pode achar que a falha foi de ordem científica e que mais rigor acadêmico teria bastado, ignorando que o alerta estava no saber local, que não foi consultado.
O aluno pode imaginar que a dificuldade estava no vocabulário da língua tupinambá e que, com mais termos específicos, o solo teria sido descrito, desconsiderando que a palavra existente já continha a informação.
Por que engana: Confundir a importância do conhecimento indígena com a valorização de outras línguas ou conhecimentos acadêmicos, desconsiderando o contexto cultural.
O aluno pode associar prevenção de desastres apenas a normas legais e obras licenciadas, sem perceber que o texto trata de conhecimento sobre o terreno, e não de legislação.
Raio-X da questão
interpretação de texto e vocabulário indígena
diagnostico
interpretação de texto · vocabulário indígena
Revisar interpretação de textos históricos e vocabulário indígena.
Confundir a importância do conhecimento indígena com a valorização de outras línguas ou conhecimentos acadêmicos, desconsiderando o contexto cultural.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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