Leia o poema O Quinto Império, de Fernando Pessoa, a seguir, e responda às questões 40 e 41. Triste de quem…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Leia o poema O Quinto Império, de Fernando Pessoa, a seguir, e responda às questões 40 e 41. Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz – Ter por vida a sepultura. Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou. Grécia, Roma, Cristandade, Europa – os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião? PESSOA, Fernando. Melhores poemas de Fernando Pessoa. Seleção Teresa Rita Lopes. 12. ed. São Paulo: Global, 2004, p. 54-55. Com base no poema O Quinto Império, assinale a alternativa correta. UEL - 2025
- A) O poema fala sobre uma vida de sonhos, em que a brasa abandona a lareira, e em negação da verdade sobre D. Sebastião.
- B) As antíteses do poema triste x contente; triste x feliz; cegas x visão; dia claro x erma noite – assinalam a distância entre mentira e verdade sobre D. Sebastião.
- C) A referência à alma nos versos 8 e 15 denotam a religiosidade do eu-lírico, sobretudo porque o Quinto Império seria uma continuação da Cristandade.
- D) A metáfora "no erguer de asa" significa que o Quinto Império não seria conquistado pelos mares, como no período das navegações, mas pela conquista dos céus.
- E) Na última estrofe, Portugal seria o Quinto Império, sucedendo Grécia, Roma, Cristandade e Europa, porém isso só se daria após a aceitação da morte de D. Sebastião.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Leia o poema com atenção. Ele fala de uma sucessão de 'quatro tempos' (Grécia, Roma, Cristandade, Europa) que 'se vão', e pergunta quem virá 'viver a verdade que morreu D. Sebastião'. Isso indica um 'quinto' tempo, ainda por vir, ligado à aceitação da morte do rei. Passo 2: Na última estrofe, o eu-lírico anuncia que os quatro tempos passam e que o Quinto Império virá depois deles. Pelo contexto histórico e pela figura de D. Sebastião, esse Quinto Império é associado a Portugal, na leitura simbólica de Pessoa; o texto não cita Portugal explicitamente, mas a inferência é sustentada pelos versos. Passo 3: A condição para que esse novo tempo surja aparece no verso que pergunta quem vem viver a verdade da morte de D. Sebastião, ou seja, aceitar que o rei morreu e que o sebastianismo do passado deve ser superado. Passo 4: Análise das alternativas erradas. A: o poema não nega a verdade sobre D. Sebastião; ao contrário, a convoca e a afirma. B: as antíteses marcam contrastes de estados de espírito e de tempo, não a oposição entre mentira e verdade. C: a alma aparece nos versos, mas o Quinto Império não é apresentado como continuação da Cristandade, e sim como um tempo posterior a ela, distinto dela. D: 'no erguer de asa' é metáfora de sonho e aspiração, não de conquista dos céus nem de contraste com as navegações. Passo 5: Portanto, a alternativa E é a mais coerente com o poema, e o gabarito oficial está correto.
💡 Dica: Analise o conteúdo e a mensagem do poema para identificar a alternativa correta.
Alternativa por alternativa
Interpreta que o poema nega a verdade sobre D. Sebastião e valoriza a vida de sonhos, como se o eu-lírico rejeitasse a morte do rei.
Supõe que as antíteses opõem mentira e verdade, quando elas expressam contrastes de estados de espírito (triste/contente, triste/feliz) e de tempo ou luz (dia claro/erma noite).
Por que engana: Confundir a interpretação do Quinto Império como uma simples celebração da história portuguesa, sem perceber as nuances de crítica e reflexão presentes no poema.
Associa a religiosidade do poema ao Quinto Império como simples continuação da Cristandade, desconsiderando que o texto apresenta a Cristandade como um dos tempos que se vão, distinto do quinto.
Toma 'no erguer de asa' como metáfora de conquista dos céus, em oposição às navegações, quando a imagem se refere ao sonho que eleva a alma e tira da estabilidade do lar.
CORRETA. Esta alternativa sintetiza um dos pilares da concepção do Quinto Império em Fernando Pessoa. Portugal, na visão do poeta, estaria destinado a ser o Quinto Império, sucedendo os impérios da Grécia (razão), Roma (força), Cristandade (fé) e Europa (materialismo/ciência). No entanto, essa realização não se daria pela espera passiva do retorno de D. Sebastião (o sebastianismo ingênuo), mas sim pela aceitação da sua morte histórica. Ao aceitar a realidade da perda, Portugal poderia transcender o plano material e construir um império de ordem espiritual, cultural e mítica, onde o 'Encoberto' não é um rei físico, mas um ideal a ser construído pela nação. A aceitação da morte é o ponto de partida para a ressurreição do mito em um novo plano.
Raio-X da questão
interpretação de poema
avaliacao
interpretação de poema · análise de antíteses
Estude interpretação de textos poéticos e análise de temas em poesia.
Confundir a interpretação do Quinto Império como uma simples celebração da história portuguesa, sem perceber as nuances de crítica e reflexão presentes no poema.
cidadania_etica
pensamento_critico
literario
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