Por quê? Porque pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, identificar os progressos e entraves à concretização desses direitos nas diversas sociedades contemporâneas e promover ações concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos em diferentes espaços de vivência, respeitando a identidade de cada grupo e de cada indivíduo.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Por quê? Porque pensar em direitos humanos tem um pressuposto: reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo. (...) Nesse ponto as pessoas são frequentemente vítimas de uma curiosa obnubilação. Elas afirmam que o próximo tem direito, sem dúvida, a certos bens fundamentais, como casa, comida, instrução, saúde, coisas que ninguém bem formado admite hoje em dia que sejam privilégio de minorias, como são no Brasil. Mas será que pensam que seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven? (...). Ora, o esforço para incluir o semelhante no mesmo elenco de bens que reivindicamos está na base da reflexão sobre os direitos humanos. CANDIDO, Antonio. Vários escritos. 3ª ed. revista e ampliada. São Paulo: Duas Cidades, 1995. Com base na leitura do texto, pode-se afirmar que Antonio Candido defende que o acesso a bens como a literatura e a música [FUVEST 2024 - Questão 10] FUVEST - 2024
- A) É privilégio de minorias, pois são bens que exigem reflexão.
- B) Deve ser reivindicado como um direito, e não como um privilégio.
- C) Vitimiza as pessoas que não têm acesso a bens fundamentais para viver.
- D) Humaniza as minorias privilegiadas, incentivando-as a compartilhar seu conhecimento.
- E) É indispensável para quem luta pelos direitos humanos.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O texto de Antonio Candido parte do pressuposto de que pensar em direitos humanos exige reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós também o é para o próximo. Passo 2: O autor critica a visão de que bens como casa, comida, instrução e saúde devem ser direitos, mas bens culturais como ler Dostoievski ou ouvir Beethoven seriam privilégio de quem os pode consumir. Passo 3: Ao perguntar se o semelhante pobre teria direito a esses bens, Candido defende que a literatura e a música também são direitos humanos, e não luxo de minorias. Passo 4: Logo, a alternativa correta é a B, pois o acesso a esses bens deve ser reivindicado como direito. Passo 5: A alternativa A está errada, pois o texto afirma justamente o contrário: esses bens não são privilégio de minorias. Passo 6: A alternativa C está errada, pois o texto não fala em vitimizar pessoas, e sim em mostrar que a própria visão sobre quem merece esses bens é que cria uma espécie de cegueira. Passo 7: A alternativa D está errada, pois o texto não trata de humanizar as minorias nem de incentivá-las a compartilhar conhecimento. Passo 8: A alternativa E está errada, pois o texto não afirma que esses bens sejam indispensáveis apenas para quem luta pelos direitos humanos, e sim para todas as pessoas.
💡 Dica: Analise o texto para identificar a posição do autor sobre direitos humanos e acesso a bens culturais.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado bens culturais a algo sofisticado que exige reflexão e, por isso, concluído que seriam privilégio de minorias, sem perceber que o texto critica exatamente essa ideia.
É a resposta que o enunciado sustenta.
O aluno pode ter entendido que o texto fala em vitimizar as pessoas sem acesso aos bens, quando na verdade o autor usa a palavra vítimas para falar da cegueira de quem não reconhece o direito do outro.
O aluno pode ter supostamente imaginado que a crítica do texto dirige-se às minorias privilegiadas e que a solução seria elas compartilharem seu conhecimento, o que não aparece no texto.
O aluno pode ter generalizado a ideia de direitos humanos e concluído que os bens culturais são indispensáveis apenas a militantes, quando o texto afirma que são indispensáveis para o próximo em geral.
Raio-X da questão
direitos humanos e acesso cultural
avaliacao
direitos humanos · acesso cultural
Revisar conceitos sobre direitos humanos e inclusão cultural.
Confundir a ideia de que o acesso a bens culturais é um privilégio, em vez de um direito universal.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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