Sociologia — Segundo Florestan Fernandes, como afirmações cotidianas do tipo “eu não vejo cor” contribuem para…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar as características socioeconômicas da sociedade brasileira – com base na análise de documentos (dados, tabelas, mapas etc.) de diferentes fontes – e propor medidas para enfrentar os problemas identificados e construir uma sociedade mais próspera, justa e inclusiva, que valorize o protagonismo de seus cidadãos e promova o autoconhecimento, a autoestima, a autoconfiança e a empatia.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Sociologia — Segundo Florestan Fernandes, como afirmações cotidianas do tipo “eu não vejo cor” contribuem para a manutenção do mito da democracia racial no Brasil? Indique de forma direta a função sociológica desse discurso.
- A) Negam e naturalizam a raça, desviando a atenção de desigualdades estruturais e legitimando o status quo.
- B) A desigualdade social é unicamente uma questão de esforço individual e não sistêmica.
- C) Pessoas negras não enfrentam barreiras raciais no mercado de trabalho atualmente.
- D) A educação é suficiente para eliminar a desigualdade racial no Brasil.
- E) O avanço educacional garante sempre a ascensão social, independentemente da raça.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique o que a questão pede. Ela quer a função sociológica do discurso 'eu não vejo cor' segundo Florestan Fernandes, que analisou o mito da democracia racial brasileira. Passo 2: Resolva por conta própria. Florestan mostrava que a democracia racial funcionava como um mito que escondia o preconceito e a discriminação. Ao dizer que não vê cor, a pessoa nega a existência da raça como critério social, o que parece generoso, mas apaga a diferença de tratamento que a sociedade dá a negros e brancos. Assim, a desigualdade é naturalizada, vista como fruto de acaso ou mérito, e as causas estruturais (herança da escravidão, exclusão do pós-abolição, racismo institucional) deixam de ser percebidas. Isso legitima o status quo. Passo 3: Compare com a alternativa A, que afirma exatamente isso: nega e naturaliza a raça, desvia a atenção das desigualdades estruturais e legitima a ordem existente. Esta é a alternativa correta, e coincide com o gabarito oficial. Passo 4: Analise as demais. A alternativa B apresenta a desigualdade como questão apenas individual, o que é uma consequência da ideologia, mas não responde à função específica do discurso sobre cor. A alternativa C nega a existência de barreiras raciais atuais, um conteúdo que o discurso produz, mas não explica o seu papel sociológico segundo Florestan. A alternativa D trata da educação como solução suficiente, afirmação que Florestan criticava por ignorar o racismo estrutural. A alternativa E sugere que a escolarização garante ascensão independentemente da raça, o que contradiz os dados sobre desigualdade racial mesmo entre pessoas com mesma escolaridade. Passo 5: Conclusão. A resposta é A, pois responde diretamente à pergunta sobre a função do discurso: negar e naturalizar a raça para manter as desigualdades estruturais sem questionamento.
💡 Dica: Analise a função do discurso em relação à democracia racial.
Alternativa por alternativa
Florestan Fernandes mostra que discursos que recusam a categoria racial atuam como mecanismo ideológico: transformam problemas sociais em questões individuais ou culturais, ocultam relações de poder e impedem a adoção de políticas públicas redistributivas dirigidas à correção da desigualdade racial.
O aluno entende que a desigualdade é apenas consequência do esforço individual, o que é uma ideia ligada ao mérito, mas perde a ligação com o discurso sobre cor.
Por que engana: Confundir a negação da raça com a eliminação das desigualdades raciais, ignorando as estruturas sociais que perpetuam a discriminação.
O aluno acredita que, se barreiras raciais não são percebidas atualmente, o discurso só nega fatos, sem considerar a função de legitimar a desigualdade. Ele confunde o conteúdo negado com a função sociológica pedida.
O aluno acredita que a educação resolveria sozinha a desigualdade racial, ideia que ignora o racismo estrutural e que Florestan criticava como ilusão sobre a integração do negro.
O aluno supõe que a escolarização garante ascensão social de forma automática e neutra em relação à raça, desconsiderando a discriminação que continua atuando mesmo entre pessoas qualificadas.
Raio-X da questão
democracia racial
avaliacao
mito da democracia racial · desigualdade racial
Revisar o conceito de democracia racial e suas implicações sociais.
Confundir a negação da raça com a eliminação das desigualdades raciais, ignorando as estruturas sociais que perpetuam a discriminação.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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