Como a distinção agostiniana entre 'Cidade de Deus' e 'cidade dos homens' impacta a compreensão da…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Como a distinção agostiniana entre 'Cidade de Deus' e 'cidade dos homens' impacta a compreensão da legitimidade política?
- A) A 'Cidade de Deus' e a cidade dos homens são iguais em significado.
- B) A autoridade política é contingente e legitima-se apenas por servir bens temporais; ela não substitui o fim último, que é a comunhão com Deus.
- C) A cidade dos homens é o objetivo último da vida humana.
- D) A legitimidade política vem da força e poder militar.
- E) As instituições humanas são eternas e supremas.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique o tema. A questão trata de Santo Agostinho, autor de A Cidade de Deus, que distingue duas comunidades: a Cidade de Deus, formada por quem ama a Deus até o desprezo de si, e a cidade dos homens (ou cidade terrena), formada por quem ama a si mesmo até o desprezo de Deus.
- Resolva por conta própria. Na visão agostiniana, a cidade terrena existe e tem valor prático, pois garante paz, ordem e justiça temporais. Porém, seus bens são passageiros e a política serve a essa função intermediária. O fim último do ser humano é a comunhão com Deus, na Cidade de Deus, que é eterna. Logo, a autoridade política é contingente, isto é, poderia não existir na forma atual, e sua legitimidade depende de servir a bens temporais como a paz e a justiça, sem substituir o fim último.
- Analise a alternativa B. Ela afirma exatamente isso: a autoridade política é contingente, legitima-se por servir bens temporais e não substitui o fim último, que é a comunhão com Deus. Por isso está correta.
- Por que as outras estão erradas.
- A) Está errada, pois Agostinho opõe as duas cidades justamente por se diferenciarem quanto ao amor que as funda e ao seu fim.
- C) Está errada, pois, para Agostinho, o objetivo último da vida humana é Deus, e não a cidade terrena.
- D) Está errada, pois a força não funda a legitimidade para Agostinho; a justiça é o critério decisivo, e ele chega a dizer que sem justiça os reinos seriam grandes bandos de ladrões.
- E) Está errada, pois as instituições humanas são temporais e passageiras, sendo a Cidade de Deus a única realidade eterna.
- Conclusão. O gabarito oficial B está correto e coincide com a resolução independente.
💡 Dica: Analise as implicações da distinção entre as duas cidades na política atual.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que as duas cidades são apenas nomes diferentes para a mesma realidade, ignorando que Agostinho as distingue pelo tipo de amor que as fundamenta e pelo fim a que se orientam.
Na obra agostiniana, as instituições humanas têm valor relativo; sua legitimidade é avaliada segundo se promovem ordem e paz temporais, não como expressão final da verdade divina.
O aluno confunde o fim último da vida humana com a vida social e política terrena, invertendo a hierarquia agostiniana entre o temporal e o eterno.
Por que engana: Confundir a ideia de que a cidade dos homens é o objetivo final, ignorando a primazia da 'Cidade de Deus' na visão agostiniana.
O aluno associa a legitimidade ao poder coercitivo, entendendo intuitivamente que quem tem mais força é quem deve governar, sem considerar o critério da justiça defendido por Agostinho.
O aluno supõe que a ordem política, por ser estável e necessária, tem caráter eterno e supremo, confundindo a permanência histórica das instituições com a eternidade própria da Cidade de Deus.
Raio-X da questão
legitimidade política
avaliacao
legitimidade política · distinção entre cidades
Revisar a obra de Santo Agostinho sobre a Cidade de Deus.
Confundir a ideia de que a cidade dos homens é o objetivo final, ignorando a primazia da 'Cidade de Deus' na visão agostiniana.
cidadania_etica
pensamento_critico
abstrato
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