Em uma atividade sobre ética religiosa, uma turma analisou dois textos normativos. No Alcorão, lê-se: “Ó vós…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar princípios e orientações para o cuidado da vida e nas diversas tradições religiosas e filosofias de vida.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma atividade sobre ética religiosa, uma turma analisou dois textos normativos. No Alcorão, lê-se: “Ó vós que credes! Sede firmes na justiça, testemunhas de Deus, ainda que contra vós mesmos, contra os pais e os parentes” (Alcorão, 4:135). Na Torá, encontra-se a orientação: “Não cometereis injustiça no julgamento; não favorecerás o pobre nem serás parcial com o grande; com justiça julgarás o teu próximo” (Levítico, 19:15). Embora pertençam a tradições religiosas distintas, os textos tratam da relação entre justiça, julgamento e interesses particulares. Com base nos textos, qual comparação entre os conceitos de justiça presentes no Islamismo e no Judaísmo é mais adequada?
- A) As duas tradições associam a justiça à obediência automática às autoridades, sem exigir avaliação dos interesses envolvidos.
- B) As duas tradições associam a justiça à imparcialidade no julgamento, mesmo quando interesses pessoais ou sociais poderiam influenciar a decisão.
- C) As duas tradições associam a justiça à aplicação de punições severas, independentemente das circunstâncias de cada julgamento.
- D) As duas tradições associam a justiça à defesa prioritária dos próprios familiares, mesmo quando outras pessoas forem prejudicadas.
- E) As duas tradições associam a justiça à proteção dos grupos pobres, ainda que isso implique favorecer um lado no julgamento.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Leia os dois textos com atenção. O Alcorão (4:135) pede que se seja firme na justiça, mesmo contra si mesmo, os pais e os parentes. A Torá (Levítico 19:15) proíbe cometer injustiça no julgamento, proíbe favorecer o pobre e proíbe ser parcial com o grande.
- Identifique o ponto comum. Nos dois textos, a justiça aparece ligada à imparcialidade: o julgamento não deve ser movido por laços familiares, por interesses pessoais, pela condição social das partes nem por simpatia pelo mais fraco ou pelo mais poderoso.
- Compare com as alternativas. A alternativa B afirma exatamente que as duas tradições associam a justiça à imparcialidade mesmo quando interesses pessoais ou sociais poderiam influenciar a decisão. Isso está de acordo com os dois trechos, e por isso é a resposta correta.
- Analise as demais. A alternativa A está errada porque os textos exigem julgar com justiça, e não obedecer automaticamente às autoridades. A alternativa C está errada porque os textos não tratam de punições severas e não falam em aplicá-las independentemente das circunstâncias. A alternativa D está errada porque o Alcorão exige justiça até contra os próprios pais e parentes, o oposto da defesa prioritária da família. A alternativa E está errada porque a Torá proíbe favorecer o pobre, e o texto não defende favorecer um lado no julgamento.
- Conclusão. O gabarito oficial B está correto, pois a comparação mais adequada entre os textos é a da justiça como imparcialidade no julgamento.
💡 Dica: Identifique os princípios éticos em cada religião antes de comparar.
Alternativa por alternativa
O aluno pode ter associado a religiosidade à submissão a autoridades e concluído que justiça significa obedecer sem avaliar os fatos. Os textos, porém, pedem julgamento justo e não obediência automática.
Por que engana: Confundir justiça com punição ou exclusão, ignorando o aspecto de igualdade e ética.
O texto corânico exige que a pessoa testemunhe com justiça até mesmo contra si própria ou contra familiares. O texto da Torá rejeita tanto o favorecimento dos pobres quanto a parcialidade em favor dos poderosos. Assim, os dois textos convergem ao apresentar a justiça como uma prática imparcial, que não deve ser subordinada a vínculos pessoais, posição social ou interesses particulares.
O aluno pode ter confundido justiça com rigor punitivo, imaginando que julgar com justiça é sempre punir com severidade. Os textos tratam de imparcialidade no julgamento, e não de penas.
O aluno pode ter interpretado a expressão 'contra vós mesmos, contra os pais e os parentes' de forma invertida, entendendo que a justiça exige defender a família. O sentido do texto é justamente não favorecer os parentes.
O aluno pode ter lido apenas a proibição de favorecer o grande e concluído que a justiça exige proteger o pobre, mesmo favorecendo um lado. A Torá proíbe favorecer o pobre, então esta leitura contraria o texto.
Raio-X da questão
justiça no Islamismo e Judaísmo
avaliacao
conceito de justiça · princípios éticos básicos
Revisar os princípios éticos do Islamismo e do Judaísmo.
Confundir justiça com punição ou exclusão, ignorando o aspecto de igualdade e ética.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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