Em Raízes do Brasil (1936), Sérgio Buarque de Holanda analisa a formação histórica da sociedade brasileira e…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em Raízes do Brasil (1936), Sérgio Buarque de Holanda analisa a formação histórica da sociedade brasileira e afirma: “O Estado não é uma ampliação do círculo familiar e, ainda menos, uma integração de certos agrupamentos, de certas vontades particularistas, de que a família é o melhor exemplo. Não existe, entre o círculo familiar e o Estado, uma gradação, mas antes uma descontinuidade e até uma oposição.” Para o autor, a persistência de relações pessoais na vida pública dificultava a construção de instituições orientadas por regras gerais e impessoais. Com base no texto, qual interpretação explica adequadamente a crítica de Sérgio Buarque de Holanda ao individualismo e às relações pessoais na formação histórica do Brasil?
- A) Critica a transposição de interesses pessoais para a esfera pública, dificultando a impessoalidade das instituições.
- B) Explica os problemas políticos brasileiros pela ausência de vínculos familiares na vida pública.
- C) Defende a valorização de interesses pessoais na organização das instituições públicas.
- D) Sustenta que regras gerais impedem a participação dos indivíduos na construção do Estado.
- E) Propõe a substituição das instituições estatais por comunidades organizadas como famílias.
✅ Resposta correta: alternativa A
Resolução passo a passo
- Identifique a tese do trecho. Sérgio Buarque afirma que o Estado não é uma ampliação do círculo familiar. Entre a família e o Estado há descontinuidade e até oposição, pois a lógica das relações pessoais não deveria orientar a vida pública. Passo 2: Observe o problema apontado. Para o autor, a persistência de relações pessoais na vida pública dificultava a construção de instituições regidas por regras gerais e impessoais. A crítica, portanto, recai sobre a transposição da lógica privada e afetiva para o espaço público. Passo 3: Verifique a alternativa A. Ela afirma que a obra critica a transposição de interesses pessoais para a esfera pública, o que dificulta a impessoalidade das instituições. Isso corresponde exatamente ao argumento do texto, por isso a alternativa está correta e coincide com o gabarito oficial. Passo 4: Analise as alternativas erradas. B inverte o argumento, pois o autor critica a presença das relações familiares na vida pública, e não a sua ausência. C contradiz o texto, já que o autor defende a separação entre interesses pessoais e instituições públicas. D inverte a relação entre regras gerais e participação, sem apoio no trecho. E atribui ao autor uma proposta que ele não faz, pois ele não defende substituir o Estado por comunidades familiares.
💡 Dica: Reflita sobre as implicações do individualismo na sociedade brasileira.
Alternativa por alternativa
O texto distingue o círculo familiar do Estado e critica a transformação de interesses particulares em critérios de organização da vida pública. A análise não defende simplesmente o egoísmo nem propõe a substituição do indivíduo pela coletividade; ela evidencia o problema da confusão entre relações pessoais e regras institucionais gerais.
O aluno pode ter confundido a crítica do autor, achando que a ausência de vínculos familiares é a causa dos problemas, quando o texto aponta justamente o excesso de relações pessoais, de tipo familiar, na vida pública.
O aluno pode ter lido o trecho como uma defesa da família e dos interesses particulares, sem perceber que o autor critica essa lógica quando ela invade a esfera estatal.
O aluno pode ter invertido a causa e a consequência, supondo que as regras gerais impedem a participação, quando o texto afirma que a falta de impessoalidade dificulta a construção de instituições regidas por regras gerais.
O aluno pode ter entendido que, por a família ser o modelo criticado, o autor proporia um retorno ao modelo familiar como base da organização política, quando o texto apenas afirma a descontinuidade entre família e Estado.
Raio-X da questão
individualismo no Brasil
avaliacao
conceito de individualismo · historia social do Brasil
Estudar a obra de Sérgio Buarque e suas críticas ao individualismo.
Confundir a critica de Sergio Buarque como uma valorizacao do egoismo ou individualidade extrema, em vez de reconhecer sua defesa da coletividade.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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