O que é um verbo de enunciação? Exemplos e questões comentadas
Verbos como “disse”, “perguntou” e “gritou” apresentam falas e ajudam a construir efeitos de sentido nos diálogos. Veja exemplos, estratégias de ensino e seis questões comentadas.
Quando trabalho diálogos com uma turma, costumo começar por uma pergunta simples: como sabemos quem está falando e de que jeito essa pessoa fala? A resposta quase sempre aparece em palavras pequenas, como “disse”, “perguntou” ou “gritou”. Já vi estudantes reconhecerem a fala entre aspas, mas deixarem passar o verbo que a introduz — e, com isso, perderem uma pista importante da narrativa.
Para mim, esse assunto rende mais quando sai da definição isolada e vai para a leitura de frases reais. A gente observa o verbo, compara versões e percebe como uma escolha muda o tom da cena. A seguir, compartilho uma explicação prática e questões que ajudam a verificar essa compreensão.
O que é um verbo de enunciação?
Verbo de enunciação é o verbo que apresenta ou acompanha uma fala, uma pergunta ou outra manifestação verbal de alguém, especialmente em diálogos e textos narrativos. Em “Lia disse: ‘Cheguei cedo’”, por exemplo, “disse” indica que as palavras seguintes foram pronunciadas por Lia. Verbos como “afirmar”, “perguntar”, “responder”, “sussurrar” e “gritar” também podem cumprir essa função, embora cada um acrescente uma pista sobre a maneira ou a intenção da fala. Na prática, eu explico que esses verbos não são a fala em si: eles ajudam a introduzi-la e a situá-la na narrativa. O leitor identifica quem fala pela combinação do verbo com o sujeito e o contexto. Na BNCC, esse trabalho se relaciona à observação dos diálogos e dos efeitos de sentido dos verbos de enunciação.
Também aparecem os nomes verbos de dizer ou verbos dicendi. Alguns são neutros, como “disse”; outros sugerem volume, intenção ou atitude, como “sussurrou”, “gritou”, “confessou” e “ordenou”. Essa nuance ajuda o leitor a imaginar a cena, mas não substitui a análise do contexto.
Como identificar esses verbos em uma narrativa?
Para identificar um verbo de enunciação, procure a fala citada ou o trecho de discurso indireto e pergunte qual verbo apresenta o ato de dizer, perguntar ou responder. Em “Pedro perguntou: ‘Você vem?’”, “perguntou” é o verbo de enunciação; em “Marta respondeu que chegaria depois”, “respondeu” introduz o conteúdo relatado sem reproduzir as palavras exatas. O sujeito e o contexto ajudam a descobrir quem fala, enquanto o verbo pode indicar como a fala foi produzida. Eu costumo pedir que a turma circule o verbo, sublinhe a fala e ligue os dois elementos com uma seta. Depois, proponho trocar o verbo por “disse” e comparar o resultado. Essa sequência torna visível a função do verbo e mostra que sua escolha interfere na interpretação, mesmo quando o conteúdo principal da fala permanece parecido.
Um passo a passo simples para a leitura:
- Localize a fala ou o conteúdo relatado.
- Procure o verbo que a introduz ou a acompanha.
- Identifique o sujeito e confira quem está falando.
- Observe se o verbo sugere intensidade, emoção ou intenção.
- Confirme a interpretação com as palavras e a situação do texto.
Vale lembrar: “gritou” pode indicar intensidade, mas não determina sozinho se a personagem está feliz ou com raiva. Para isso, leio também a fala e o contexto.
Como ensinar o efeito de sentido dos verbos de enunciação?
Para ensinar o efeito de sentido, eu comparo frases que mantêm a mesma fala, mas mudam o verbo que a apresenta: “Nina disse: ‘Consegui!’”, “Nina gritou: ‘Consegui!’” e “Nina sussurrou: ‘Consegui!’”. A fala permanece, enquanto o verbo orienta a imaginação do leitor sobre volume e modo de dizer. Em seguida, pergunto o que o verbo permite concluir e o que ainda depende do contexto. Essa distinção evita que a turma atribua emoções sem apoio no texto. Uma atividade rápida é entregar um diálogo sem os verbos e pedir que os estudantes escolham entre “perguntou”, “respondeu”, “murmurou” e “exclamou”, justificando cada escolha. Depois, comparo respostas: mais de uma opção pode funcionar, desde que a justificativa esteja coerente com a cena e com a pontuação.
Na avaliação, gosto de misturar reconhecimento e interpretação. Primeiro, o estudante localiza o verbo; depois, explica sua função ou analisa o efeito. Essa combinação permite perceber se ele apenas memorizou exemplos ou se consegue ler a construção no contexto. A habilidade EF35LP22 aborda justamente a percepção dos diálogos e dos efeitos de sentido desses verbos.
Questões prontas com gabarito comentado
As seis questões a seguir trabalham reconhecimento, função e efeito de sentido dos verbos de enunciação. Eu as usaria como leitura guiada, atividade individual ou revisão: antes de marcar uma alternativa, peço que o estudante localize a pista no enunciado e explique por que as demais não se sustentam. Cada item traz a dica de resolução, o conceito central, a habilidade BNCC e o nível de Bloom informado. Há uma questão em que o efeito deve ser interpretado com cuidado: um verbo pode indicar intensidade sem, por si só, provar uma emoção específica. Essa conversa é útil para diferenciar o que está escrito do que o leitor infere. As questões também ajudam a retomar a função de verbos como “disse” e “afirmou” na apresentação de falas diretas.
1. Qual é a função do verbo de enunciação em uma fala direta?
Dica de resolução: Relacione o verbo à identificação de quem pronuncia a fala. Conceito central: verbos de enunciação. Conceito para revisão: função desses verbos na introdução de falas diretas. BNCC: EF06LP12. Bloom: Compreender.
- ❌ A) Apontar o tempo verbal da frase. Essa não é a função específica do verbo que apresenta a fala.
- ❌ B) Modificar o conteúdo da fala. O verbo que introduz a fala não é o mesmo que as palavras pronunciadas.
- ❌ C) Mostrar a pontuação usada na fala. A pontuação organiza o texto, mas não é a função do verbo.
- ❌ D) Indicar o número de palavras da fala. O verbo não conta palavras.
- ✅ E) Identificar quem é o falante ou narrador. O verbo ajuda a mostrar quem disse a fala, junto do sujeito e do contexto.
2. Em um texto narrativo, a personagem grita: “Eu consegui!”. Qual é o efeito gerado pelo uso do verbo de enunciação nesse caso?
Dica de resolução: Analise o impacto emocional da fala. Conceito central: efeito do verbo de enunciação. Conceito para revisão: efeitos de estilo em textos narrativos. BNCC: EF35LP22. Bloom: Analisar.
- ❌ A) Mostra frustração. A fala apresenta uma conquista, não um sinal claro de frustração.
- ✅ B) Demonstra alegria. “Eu consegui!” sugere satisfação com a conquista, e “grita” reforça a intensidade da manifestação.
- ❌ C) Revela indiferença. A exclamação e o conteúdo não indicam desinteresse.
- ❌ D) Indica medo. O enunciado não oferece pistas de medo.
- ❌ E) Expressa tristeza. A conquista anunciada não sugere tristeza no contexto apresentado.
3. No trecho de um conto, um personagem diz: “Eu não quero sair de casa”. Qual é o efeito de sentido trazido pelo verbo de enunciação?
Dica de resolução: Analise a fala e o impacto do verbo no enunciado. Conceito central: efeito de sentido. Conceito para revisão: verbos de enunciação e seus efeitos em diálogos. BNCC: EF35LP22. Bloom: Compreender.
- ❌ A) O personagem deseja viajar. A fala indica o contrário: não quer sair.
- ❌ B) O personagem está feliz em casa. A frase não informa que ele está feliz.
- ❌ C) O personagem sente medo de sair. Medo não é explicitado; não devemos inferi-lo sem outra pista.
- ✅ D) O personagem quer ficar em casa. É o sentido direto de “não quero sair de casa”.
- ❌ E) O personagem está confuso sobre sair. A fala expressa uma recusa clara, não confusão.
Observação para discussão: no trecho fornecido, o verbo de enunciação é “diz”; a vontade de ficar em casa vem principalmente do conteúdo da fala.
4. Leia a frase: “Ela gritou: ‘Estou tão feliz!’”. Qual é o efeito de sentido do verbo de enunciação neste caso?
Dica de resolução: Relacione “gritou” à emoção e à intensidade da fala. Conceito central: efeito de sentido do verbo. Conceito para revisão: como os verbos indicam o tom e a intenção de uma fala. BNCC: EF35LP22. Bloom: Analisar.
- ✅ A) A fala é emotiva e intensa. “Gritou” indica intensidade, enquanto a fala explicita felicidade.
- ❌ B) A fala é calma e controlada. Gritar sugere volume e intensidade, não calma.
- ❌ C) A fala é monótona. O verbo não indica monotonia.
- ❌ D) A fala expressa dúvida. A frase afirma felicidade e não apresenta pergunta ou hesitação.
- ❌ E) A fala é inaudível. Gritar não significa falar sem ser ouvido; sugere voz alta.
5. Identifique a função do verbo de enunciação na frase: Ele afirmou: “Vou ao mercado amanhã”.
Dica de resolução: Observe o que “afirmou” introduz depois dos dois-pontos. Conceito central: verbo de enunciação. Conceito para revisão: introdução e caracterização de falas em narrativas. BNCC: EF35LP22. Bloom: Compreender.
- ❌ A) É uma pergunta sobre a ação. A fala não tem forma interrogativa.
- ❌ B) Reproduz o pensamento do personagem. “Afirmou” apresenta algo dito, não um pensamento.
- ✅ C) Apresenta a fala de alguém. “Afirmou” introduz o que ele disse.
- ❌ D) Mostra dúvida sobre a ação. A frase é apresentada como afirmação.
- ❌ E) Indica um desejo do personagem. A fala informa um plano, sem expressar necessariamente desejo.
6. Em um texto narrativo, os diálogos são importantes para a construção da história. Qual alternativa apresenta um exemplo de verbo de enunciação que pode introduzir um diálogo?
Dica de resolução: Pense em verbos que introduzem falas, como “disse” ou “perguntou”. Conceito central: verbo de enunciação. Conceito para revisão: verbos que introduzem diálogos em narrativas. BNCC: EF35LP22. Bloom: Lembrar.
- ❌ A) Correr. Indica uma ação física, não o ato de enunciar uma fala.
- ✅ B) Disse. É um verbo de enunciação que pode introduzir um diálogo.
- ❌ C) Cantar. Indica uma ação; neste item, não funciona como verbo que apresenta uma fala.
- ❌ D) Jogar. Indica uma ação, não a introdução de um diálogo.
- ❌ E) Ver. Indica percepção visual, não o ato de dizer algo.
Como planejar uma atividade rápida sobre o tema?
Uma atividade curta pode verificar se a turma reconhece o verbo de enunciação e interpreta o efeito sem confundir pista textual com suposição. Eu seleciono um parágrafo narrativo breve, peço que os estudantes circulem os verbos que apresentam falas e, em seguida, escolham um para substituir por outra opção. Depois, eles registram o que mudou: o volume, a intenção sugerida ou a relação entre personagens. Para fechar, cada estudante justifica uma resposta citando palavras do texto. Se você precisa montar uma avaliação com diferentes níveis de dificuldade, a página inicial do GeraProva apresenta a plataforma de geração de provas com IA; ela pode ajudar a economizar tempo na preparação e na organização de questões. Também é possível começar pelo cadastro grátis e adaptar os materiais ao objetivo da sua turma.
Eu não trataria a alternativa marcada como suficiente sem ouvir a justificativa. Um aluno pode acertar por eliminação; explicar que “gritou” sugere intensidade, mas que a felicidade vem também do conteúdo “Estou tão feliz”, mostra uma leitura mais cuidadosa. Essa diferença rende uma boa conversa sobre evidências no texto.
As questões podem servir como ponto de partida e devem ser ajustadas à turma e ao texto trabalhado. Se quiser experimentar uma forma de preparar provas e revisões com menos trabalho repetitivo, teste o GeraProva e veja se ele se encaixa na sua rotina.
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