Atividades sobre leitura crítica de discursos com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, MACKENZIE, UEL, UERJ, UNESP (EM13LGG302)
Quando recebo a EM13LGG302 no planejamento, eu sei que não basta separar um texto de opinião e perguntar “qual é a ideia principal?”. O desafio é levar a turma a perceber quem fala, de onde fala, para quem fala e quais interesses atravessam aquela fala. Isso aparece o tempo todo na sala: no vídeo que viraliza, na propaganda, na notícia compartilhada no grupo da família e até na discussão sobre um livro.
Para transformar esse código em aula e avaliação, eu parto de discursos que os estudantes reconhecem, mas sem tratar a opinião deles como resposta pronta. Meu foco é ajudá-los a comparar perspectivas, identificar silenciamentos e justificar um posicionamento com base no contexto. A seguir, reuni caminhos práticos e questões que podem entrar diretamente na sua sequência.
O que a habilidade EM13LGG302 pede, de verdade?
A EM13LGG302 pede que o estudante vá além de concordar ou discordar de um texto: ele precisa analisar criticamente diferentes visões de mundo que circulam em linguagens variadas — notícia, postagem, debate, imagem, campanha, carta aberta, fala pública — e entender que nenhum discurso surge no vazio. Na prática, eu ensino a turma a perguntar: quem produziu isso, em qual situação, para qual público, em qual meio circula e com quais interesses ou consequências? A habilidade também exige confronto de perspectivas: dados econômicos podem conviver com experiências comunitárias; uma promessa de segurança pode trazer riscos à privacidade. O aluno deve reconhecer essas tensões e construir uma posição própria, argumentada e responsável, sem reduzir o debate a “um lado está certo e o outro está errado”. É uma habilidade mobilizada em Língua Portuguesa, Inglês, Espanhol e Educação Física, da 1ª à 3ª série, e muito pertinente a vestibulares e ao ENEM.
“Posicionar-se criticamente diante de diversas visões de mundo presentes nos discursos em diferentes linguagens, levando em conta seus contextos de produção e de circulação.”
Para consultar o recorte completo e as 197 questões disponíveis no acervo, acesse a consulta completa do código EM13LGG302.
Como trabalhar EM13LGG302 em sala?
- Faça uma comparação de manchetes. Levo duas ou três manchetes sobre o mesmo fato, de veículos ou perfis distintos. A turma marca escolhas de palavras, imagens, fontes ou dados destacados e discute o efeito dessas escolhas.
- Use o protocolo “quem, onde, para quê?”. Antes de analisar um post, uma propaganda ou um artigo, peço que os grupos respondam: quem produziu, onde circulou, qual público pretende alcançar e o que pode ganhar com essa circulação.
- Organize um júri de temas próximos. Vigilância por câmeras, uso de celulares, IA ou alimentação escolar rendem bons debates. Cada grupo representa uma voz social, mas precisa usar argumentos e reconhecer limites da própria perspectiva.
- Trabalhe com comentário e reescrita. Depois de ler um conteúdo enviesado, a turma escreve um comentário crítico ou reescreve uma manchete deixando explícito o ponto de vista. Não exige laboratório nem recurso caro: quadro, impressos ou celular já resolvem.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EM13LGG302 não cobra apenas identificação de tema ou opinião. Ela apresenta discursos em contraste e pede que o estudante relacione argumentos aos seus contextos de produção e circulação. A melhor alternativa costuma considerar mais de uma voz, reconhecer interesses, efeitos sociais e limites dos dados apresentados.
Eu evito dois erros comuns: transformar a avaliação em caça à palavra “crítica” e considerar crítica qualquer resposta que seja contra algo. Posicionamento crítico exige justificativa. Também tomo cuidado para não exigir que o aluno concorde com a minha opinião: ele precisa analisar evidências, perspectivas e condições de circulação, não adivinhar a preferência do professor.
Questões prontas de EM13LGG302 (com gabarito comentado)
1. Trabalho remoto, produtividade e saúde mental
Em uma reunião sobre o trabalho remoto, uma gerente de projetos afirmou que metas diárias claras e tarefas sincronizadas ajudam a manter a produtividade e o alinhamento da equipe. Uma psicóloga organizacional, porém, destacou que pausas regulares e respeito aos ritmos individuais são necessários para reduzir a sobrecarga mental e preservar o foco. As duas profissionais concordaram que o ambiente virtual exige a conciliação entre organização das atividades e cuidado com a saúde mental.
Com base no texto, qual proposta concilia as estratégias de organização defendidas pela gerente com os cuidados recomendados pela psicóloga para o trabalho remoto?
- ❌ A) Definir metas diárias claras e sincronizar tarefas, priorizando a produtividade sem prever pausas regulares. Ignora a recomendação da psicóloga.
- ✅ B) Definir metas diárias claras e sincronizar tarefas, preservando pausas regulares e ritmos individuais. Concilia organização e saúde mental.
- ❌ C) Definir metas diárias rígidas e sincronizar tarefas, reduzindo pausas. Contraria o cuidado com a sobrecarga.
- ❌ D) Preservar pausas e ritmos individuais, sem metas nem sincronização. Abandona a dimensão organizacional.
- ❌ E) Programar pausas iguais para todos e manter metas claras. Desconsidera ritmos individuais.
2. Viralização e veracidade nas notícias
— Na internet, informação viral é mais valiosa que factual; assim, criar narrativas emocionais sobeja veracidade, afirmou o publicitário Rafael durante um seminário sobre comunicação digital. Em contraste, a jornalista Marina comentou em um artigo: “Ao compartilhar notícias, devemos considerar a fonte, o contexto de publicação e os interesses econômicos por trás dos veículos de mídia.” Ambos os discursos têm repercussão entre jovens internautas, mas trazem visões distintas sobre a circulação de conteúdos online.
Analise as opiniões apresentadas no texto-base e identifique em qual autor há posicionamento crítico quanto ao contexto de produção das notícias e aos interesses econômicos envolvidos.
- ✅ A) Em Marina há posição crítica quanto aos interesses econômicos por trás das notícias. Ela cita fonte, contexto e interesses.
- ❌ B) Em Rafael há posição crítica quanto aos interesses econômicos. Ele valoriza viralização, sem essa crítica.
- ❌ C) Em nenhum autor há posicionamento crítico. Marina o apresenta explicitamente.
- ❌ D) Em Marina há defesa da viralização em detrimento da veracidade. É o oposto de sua fala.
- ❌ E) Em Rafael há defesa da veracidade. Rafael prioriza narrativas emocionais virais.
3. Elitização do acesso à literatura
— Você foi ao clube literário ontem?
— Fui. Mas percebi que a maioria fala numa linguagem inacessível. Um estudo recente indica que 68% da população não se sente representada nas discussões de literatura.
— Exato. Acho ótimo o espaço, mas ele deveria acolher autores populares e temas do cotidiano.
— Concordo. O evento valoriza apenas autores consagrados; isso exclui leitores sem formação acadêmica.
— Precisamos ampliar o repertório cultural, tornando a leitura menos excludente.
Analise o diálogo e identifique a alternativa que indica a postura crítica em relação à elitização do acesso à literatura.
- ❌ A) Reproduz visão de que a literatura é acessível apenas a elites acadêmicas. O diálogo critica essa exclusão.
- ✅ B) Apresenta crítica à valorização exclusiva de autores consagrados. Essa escolha evidencia a elitização.
- ❌ C) Expressa apoio à ampliação do repertório de leitura. É positivo, mas não nomeia a crítica direta.
- ❌ D) Manifesta preocupação com a formação acadêmica dos leitores. Não focaliza a exclusão cultural.
- ❌ E) Adota postura de reconhecimento de diversidade cultural. Não implica, por si, crítica à elitização.
4. Inteligência artificial e direitos culturais
Como garantir que o avanço da inteligência artificial (IA) sirva ao bem comum? Em um artigo de opinião publicado em revista tecnológica, uma pesquisadora afirma que a adoção rápida de sistemas automatizados é inevitável e deve ocorrer sem entraves regulatórios, pois acelera a inovação e o desenvolvimento econômico. Em contraponto, em carta aberta de lideranças comunitárias, ressalta-se que decisões tecnológicas sem consulta prévia às populações afetadas agravam desigualdades, ampliam riscos de vigilância e violam direitos culturais.
Analise o texto-base e identifique a alternativa que expressa uma postura crítica ao confrontar as perspectivas sobre o avanço da IA levando em conta seus diferentes contextos.
- ❌ A) Defender a implantação irrestrita da IA. Ignora impactos sociais e consulta às comunidades.
- ❌ B) Sugerir que a comunidade se adapte ao mercado sem questionar. Elimina a postura crítica.
- ❌ C) Usar a inevitabilidade da IA para suprimir regulação. Considera apenas uma perspectiva.
- ✅ D) Reconhecer riscos de desigualdade e violação de direitos culturais ao promover IA sem consulta. Confronta inovação e impactos sociais.
- ❌ E) Priorizar ganhos econômicos sobre riscos sociais. Desconsidera a carta aberta.
5. Câmeras de vigilância em praças
Pergunta retórica: Por que as câmeras de vigilância instaladas nas praças geram tanto debate? Dados ilustrativos mostram que, após a instalação de 150 equipamentos no centro da cidade, a ocorrência de furtos reduziu em 30% no primeiro semestre do ano. Em entrevista, o secretário de Segurança afirmou que o monitoramento amplia a sensação de proteção dos moradores. Já uma representante de um coletivo de direitos civis criticou o projeto, alegando que a vigilância excessiva pode ameaçar a privacidade e o direito à livre manifestação nas áreas públicas.
A partir do texto-base, identifique a alternativa que apresenta uma posição crítica equilibrada diante dos discursos, considerando o contexto de produção de cada argumento.
- ❌ A) Promover campanhas sem considerar os dados de furtos. Omite a eficácia apontada.
- ❌ B) Suspender as câmeras somente pelo risco à liberdade. Desconsidera a redução de criminalidade.
- ❌ C) Valorizar apenas a queda de furtos. Ignora privacidade e manifestação.
- ✅ D) Reconhecer a redução da criminalidade, mas ponderar riscos à privacidade e participação social. Equilibra as vozes.
- ❌ E) Aumentar o efetivo policial sem avaliar os discursos. Foge da análise solicitada.
6. Usina solar, investimento e comunidade local
Em um debate virtual sobre a instalação de uma usina solar no interior, surgiram dois registros distintos. No portal de notícias, o artigo destacou dados de investimento: “Empresas do setor destinaram R$ 500 milhões ao projeto, prometendo geração de 200 empregos em dois anos.” No blog de moradores locais, circulou um post opinativo: “Sentimos medo de perder as terras férteis e a identidade cultural. Ninguém nos consultou antes das medições”, comentou um agricultor familiar.
Analise os dois trechos e identifique qual alternativa apresenta posicionamento crítico que considera os contextos de produção dos discursos.
- ✅ A) Questionar a objetividade do relato jornalístico diante de interesses empresariais que o financiam. Relaciona discurso e contexto econômico.
- ❌ B) Valorizar a opinião local apenas por ser mais autêntica. Não analisa contexto ou viés.
- ❌ C) Tratar o texto jornalístico como somente técnico e sem opinião. Ignora interesses envolvidos.
- ❌ D) Afirmar igual base factual sem reconhecer origens distintas. Apaga os contextos de produção.
- ❌ E) Desconsiderar o blog por ser subjetivo. Rejeita uma voz social sem analisá-la.
Próximos passos para sua aula
Eu sugiro escolher uma questão como diagnóstico, discutir os critérios que tornam uma resposta crítica e, depois, pedir que a turma analise um discurso do próprio cotidiano. Se quiser variar enunciados, níveis cognitivos e componentes curriculares, use o gerador de provas do GeraProva e faça seu cadastro grátis.
Estas questões são um ponto de partida: adapte os exemplos à sua turma, preserve o debate respeitoso e incentive os estudantes a sustentar suas leituras com contexto, evidências e escuta das diferentes vozes.
