Atividades sobre Riscos e Segurança em Atividades Cotidianas com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CNT306)
Quando recebo a EM13CNT306 no planejamento, meu primeiro impulso é pensar em acidentes que os estudantes realmente reconhecem: choque elétrico, escorregão no corredor molhado, ruído alto em uma festa, faíscas perto de inflamáveis. O desafio é não transformar isso em uma aula de “listas de cuidados”, sem explicação científica.
Para mim, a habilidade funciona melhor quando o aluno precisa analisar uma situação, usar um conceito da Física e defender uma decisão segura. Assim, o cálculo deixa de ser um fim em si mesmo: ele ajuda a justificar por que aterrar um recipiente, usar proteção auditiva ou escolher um calçado adequado faz diferença.
O que a habilidade EM13CNT306 pede, de verdade?
A EM13CNT306 pede que o estudante avalie riscos de situações cotidianas com base nos conhecimentos das Ciências da Natureza e use essa análise para justificar equipamentos, recursos e comportamentos de segurança. Na prática, não basta decorar que piso molhado escorrega ou que eletricidade oferece perigo: o aluno precisa identificar o mecanismo envolvido, interpretar dados, calcular quando necessário e chegar a uma decisão argumentada sobre prevenção. Em Física, isso abre espaço para discutir atrito, corrente elétrica, diferença de potencial, campo elétrico e intensidade sonora em contextos concretos. Também vale pedir que a turma compare alternativas de ação: qual reduz o risco, por quê e em quais condições? A dimensão coletiva e socioambiental é central, porque uma escolha aparentemente individual — como armazenar solventes ou operar som muito alto — pode afetar muitas pessoas. Simulações digitais podem enriquecer o percurso, mas não são obrigatórias para construir boas experiências de aprendizagem.
“Avaliar os riscos envolvidos em atividades cotidianas, aplicando conhecimentos das Ciências da Natureza, para justificar o uso de equipamentos e recursos, bem como comportamentos de segurança, visando à integridade física, individual e coletiva, e socioambiental, podendo fazer uso de dispositivos e aplicativos digitais que viabilizem a estruturação de simulações de tais riscos.”
Na consulta completa do código EM13CNT306, encontro outras possibilidades de questões para aprofundar esse trabalho.
Como trabalhar EM13CNT306 em sala?
- Mapa de riscos da escola: peço grupos para observar, em imagens ou em uma caminhada orientada, locais como escadas, laboratório, quadra, cozinha e corredor. Eles registram perigo, explicação física e medida preventiva.
- Estações de investigação: organizo cartões com casos curtos: extensão sobrecarregada, piso molhado, uso de fones e produto inflamável. Em cada estação, a turma identifica o risco e propõe uma ação justificada.
- Atrito na prática: com uma rampa, pedaços de materiais e objetos simples, comparo o início do deslizamento. Depois, conecto a observação à escolha de solados e à sinalização de áreas molhadas.
- Segurança elétrica sem improviso perigoso: uso esquemas, etiquetas de aparelhos e problemas com a Lei de Ohm. Discuto aterramento, mãos molhadas e fuga de corrente sem pedir que ninguém manipule tomadas ou fios expostos.
- Decibéis no cotidiano: com um aplicativo de medição apenas como estimativa, ou com dados fornecidos, a turma analisa exposição sonora na quadra, no trânsito e em eventos. O foco é interpretar limites e medidas de proteção.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EM13CNT306 apresenta um contexto de risco plausível, oferece dados suficientes e exige uma conclusão de segurança ligada ao conceito físico. Eu procuro cobrar a cadeia completa: calcular ou interpretar uma grandeza, comparar com uma condição de risco e justificar uma conduta. Uma conta de corrente elétrica, por exemplo, precisa terminar na análise do risco; não faz sentido parar no valor numérico.
Um erro comum é avaliar somente memorização de regras, como “use EPI”, sem pedir o motivo. Outro é construir situações alarmistas ou tecnicamente imprecisas. Também evito alternativas em que todas parecem corretas por serem genéricas. A habilidade pede avaliação de riscos, então os distratores devem revelar confusões reais: inverter atração e repulsão, esquecer o quadrado da distância, somar decibéis linearmente ou confundir isolamento com segurança contra faíscas.
Questões prontas de EM13CNT306 (com gabarito comentado)
1. Purificador eletrostático e aerossóis
Um hospital testa um purificador eletrostático com placa positiva. Uma partícula positiva está a 0,20 m da placa. Considere Q = 1,0 × 10-7 C, q = 5,0 × 10-15 C e k = 9,0 × 109 N·m²/C². Calcule a força e avalie a coleta.
- ❌ A) 1,13 × 10-10 N para a placa: o módulo está correto, mas cargas de mesmo sinal se repelem.
- ✅ B) 1,13 × 10-10 N para longe da placa; a partícula não é coletada por esse mecanismo. Com E = kQ/r², obtém-se 2,25 × 104 N/C e F = qE = 1,125 × 10-10 N.
- ❌ C) 1,13 × 10-8 N: o sentido está correto, mas o módulo está duas ordens de grandeza maior.
- ❌ D) 2,25 × 10-11 N: usa incorretamente r no lugar de r².
- ❌ E) 5,0 × 10-15 N: apresenta apenas a carga da partícula, não a força.
2. Aterramento de tambores com solventes
Dois tambores de raio 0,10 m armazenam solventes inflamáveis. O plástico tem Q = 1,0 × 10-6 C; o metálico está aterrado. Use V = kQ/R, k = 9,0 × 109, e V = 0 para o aterrado.
- ❌ A) 9,0 × 104 V e 0 V, mas manter ambos isolados: contradiz a função protetiva do aterramento.
- ❌ B) Ambos com 9,0 × 104 V: ignora que o tambor aterrado tem potencial nulo.
- ❌ C) Preferir plástico por ser isolante: isolamento não elimina o risco associado ao potencial elevado.
- ✅ D) O plástico tem 9,0 × 104 V e o metálico aterrado, 0 V; deve-se preferir o metálico aterrado.
- ❌ E) 9,0 × 103 V: dividir por 0,10 aumenta, e não reduz, o valor em dez vezes.
3. Balão eletrizado e centelha
Um balão tem Q = 5,0 × 10-7 C e está a 2,0 × 10-2 m de uma esfera. Use k = 9,0 × 109; o ar rompe em cerca de 3,0 × 106 V/m.
- ❌ A) 4,5 × 103 V/m: calcula apenas kQ, sem dividir por r².
- ❌ B) 1,1 × 105 V/m: trata incorretamente o expoente negativo da distância.
- ✅ C) 1,1 × 107 V/m; supera a rigidez dielétrica e pode haver centelha.
- ❌ D) 2,3 × 105 V/m: confunde potencial elétrico com campo elétrico.
- ❌ E) 2,8 × 106 V/m: usa r, e não r², no denominador.
4. Calçados em piso molhado
Em testes com massa, força de contato e velocidade mantidas, alguns calçados exigiram maior força horizontal para começar a deslizar. Qual propriedade reduz o risco?
- ❌ A) Maior massa: a massa foi controlada e não explica o resultado.
- ✅ B) Maior coeficiente de atrito estático entre sola e piso: aumenta a resistência ao início do escorregamento.
- ❌ C) Menor espessura da sola: espessura isolada não determina o atrito.
- ❌ D) Maior flexibilidade: não é o fator diretamente associado no teste.
- ❌ E) Maior temperatura: não foi variável relevante na situação.
5. Fuga de corrente em aparelho elétrico
Uma pessoa com mãos molhadas toca um aparelho com fuga de corrente. Considere R = 1,0 × 103 Ω, V = 220 V e limiar de fibrilação próximo de 0,1 A.
- ❌ A) 220.000 A: multiplica V por R em vez de dividir.
- ❌ B) 4,5 A: inverte a relação da Lei de Ohm.
- ❌ C) 0,022 A: desloca a casa decimal e reduz indevidamente a corrente.
- ❌ D) 0,001 A: considera somente o inverso da resistência.
- ✅ E) 0,22 A ou 220 mA; supera 0,1 A e indica risco de fibrilação.
6. Som de 100 caixas acústicas
Uma caixa produz 70 dB. No mesmo ponto chegam sons de 100 caixas idênticas: L = L0 + 10 log N. Considere log 100 = 2 e proteção acima de 85 dB em exposição prolongada.
- ❌ A) 170 dB: decibéis não são somados linearmente.
- ❌ B) 72 dB: esquece multiplicar o logaritmo por 10.
- ✅ C) 90 dB; exige proteção auditiva, e a crítica frankfurtiana pode problematizar a padronização cultural do evento.
- ❌ D) 80 dB: o acréscimo é 20 dB, não 10 dB.
- ❌ E) 70 dB: fontes independentes somam intensidades, elevando o nível.
Próximos passos
Eu começaria escolhendo um risco próximo da rotina da turma e transformando-o em problema investigável. Para variar níveis de dificuldade e montar listas rapidamente, uso o gerador de provas do GeraProva. Quem ainda não usa a plataforma pode fazer o cadastro grátis e explorar o acervo.
As situações deste post servem para apoiar o planejamento e a avaliação; adapte linguagem, dados e mediações à sua turma, sempre priorizando práticas seguras e sem expor estudantes a riscos reais.
