Atividades sobre Uso Indevido da Ciência e Discriminação com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CNT305)
Quando recebo a EM13CNT305 no planejamento, sei que o desafio não é só escolher um conteúdo de Física. Preciso criar uma aula em que a turma perceba que fórmulas, sensores e dados não são licença para rotular pessoas ou justificar exclusões.
Na prática, eu parto de situações que parecem técnicas — uma câmera térmica, um termômetro infravermelho, um barco, uma catraca — e peço que os estudantes investiguem onde termina a explicação física e onde começa um salto sem evidência. É uma conversa necessária para a escola e para a vida.
O que a habilidade EM13CNT305 pede, de verdade?
A EM13CNT305 pede que eu ajude os estudantes a reconhecer, investigar e contestar situações em que conhecimentos das Ciências da Natureza são usados de modo distorcido para sustentar discriminação, segregação ou retirada de direitos. Não basta memorizar que há empuxo, radiação infravermelha, pressão ou refletância: a turma precisa analisar se a conclusão social tirada de uma medida tem base nos dados, nas condições do experimento e no próprio conceito físico. Em sala, isso significa discutir evidências, variáveis de controle, limites de instrumentos e consequências éticas de decisões aparentemente neutras. Uma leitura de sensor não define condição socioeconômica; uma diferença de sinal não torna uma revista adicional inevitável; uma fórmula não comprova inferioridade, risco ou incapacidade de grupo algum. O foco é usar a Física com rigor para promover equidade, respeito à diversidade e decisões justificadas.
“Investigar e discutir o uso indevido de conhecimentos das Ciências da Natureza na justificativa de processos de discriminação, segregação e privação de direitos individuais e coletivos, em diferentes contextos sociais e históricos, para promover a equidade e o respeito à diversidade.”
O objeto de conhecimento é Uso Indevido da Ciência e Discriminação, na unidade temática Ciências da Natureza. A habilidade pode ser mobilizada da 1ª à 3ª série e também em preparações para ENEM, FUVEST, UEL e UNESP.
Como trabalhar EM13CNT305 em sala?
- Leitura crítica de notícias fictícias. Eu entrego uma justificativa curta de exclusão baseada em um conceito físico e peço: qual é a afirmação? Que evidência foi apresentada? O que precisaria ser medido?
- Estações de análise. Organizo grupos com cartões sobre termometria, flutuação, luz e calor. Cada grupo identifica a grandeza envolvida, as variáveis ignoradas e o direito afetado pela decisão proposta.
- Teste de instrumento e protocolo. Sem equipamento caro, podemos comparar medições com termômetros disponíveis ou discutir manuais técnicos. A ideia é perceber que distância, emissividade, calibração e ambiente interferem na leitura.
- Debate com papéis definidos. Um grupo representa a equipe técnica, outro a comunidade afetada e outro uma comissão de revisão. Eu cobro argumento físico e proposta de procedimento justo, não apenas opinião.
Para ampliar o banco de itens e adaptar nível, tema e quantidade, uso o gerador de provas do GeraProva. Também vale consultar a consulta completa do código EM13CNT305, que reúne todas as questões alinhadas à habilidade.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão de EM13CNT305 apresenta um contexto social concreto e um conceito físico real, mas exige que o estudante examine a inferência feita. Ela deve cobrar identificação de variáveis relevantes, limites de uma medição, necessidade de evidências e recusa de uma conclusão discriminatória sem fundamento. Não é uma habilidade para avaliar somente cálculo, embora o cálculo possa ajudar, como no caso da potência óptica.
Eu evito dois erros comuns: transformar a atividade em debate moral sem Física e, no extremo oposto, propor conta descontextualizada que apaga a discriminação. Também não considero suficiente perguntar se uma atitude é “certa” ou “errada”; é preciso pedir que a turma explique fisicamente por que a justificativa não se sustenta.
Questões prontas de EM13CNT305 (com gabarito comentado)
1. Catraca infravermelha e refletância
Uma catraca usa LED infravermelho de 850 nm e fotodiodo. Pessoas de pele mais escura eram mais encaminhadas à revista, e o gestor disse que isso seria inevitável porque refletiriam menos luz. No modelo, Pr = P0RA/(4πd²), com A = 0,90 cm², d = 1,5 m e alarme para Pr < 60 nW. Para R = 0,20, qual potência única deve ser adotada para todas as pessoas?
- ❌ A) 40 mW — não atinge 60 nW para R = 0,20.
- ❌ B) 30 mW — mantém o sinal abaixo do limiar.
- ❌ C) 120 mW — excede o valor necessário sem justificativa nos dados.
- ✅ D) Aproximadamente 95 mW — usando A = 9,0 × 10⁻⁵ m², resulta P0 ≈ 9,4 × 10⁻² W. O projeto deve atender ao menor sinal com o mesmo critério.
- ❌ E) 60 mW — ainda é insuficiente para a menor refletância.
2. Embarque acessível e estabilidade de lancha
Uma lancha pode transportar com segurança a massa total prevista, incluindo um passageiro que usa cadeira de rodas. Um organizador quer impedir o embarque porque a massa extra elevaria o arrasto e poderia causar capotamento. Qual é o uso indevido da Física?
- ✅ A) Associar massa maior, por si só, a arrasto capaz de capotar a lancha, ignorando empuxo e estabilidade — arrasto depende também de velocidade, casco e fluido; a estabilidade depende da distribuição de massas.
- ❌ B) Dizer que a massa reduz o empuxo — em equilíbrio, a embarcação desloca mais água e o empuxo aumenta.
- ❌ C) Dizer que toda elevação da linha d’água provoca capotamento — isso não decorre automaticamente da carga.
- ❌ D) Dizer que a massa elimina a influência da velocidade no arrasto — velocidade continua relevante.
- ❌ E) Dizer que capacidade nominal impede toda mudança de equilíbrio — a distribuição de massa ainda pode mudar.
3. Radiação térmica como pretexto para barreiras
Uma prefeitura propõe barreiras em parques contra pessoas em situação de rua, alegando que metabolismo elevado emitiria 15% mais radiação térmica e aqueceria bancos. Não há medições ou análise dos materiais. Qual análise refuta a relação causal?
- ❌ A) O aumento de emissão elevaria exatamente 15% a temperatura dos bancos — transferência de calor não funciona assim.
- ❌ B) Qualquer infravermelho extra é prejudicial — intensidade, distância, tempo e materiais importam.
- ❌ C) O calor se acumularia necessariamente nos bancos — há radiação, condução, convecção e trocas com o ambiente.
- ❌ D) Infravermelho seria ionizante — radiação térmica ambiente é não ionizante.
- ✅ E) A nota transforma possível emissão em prova de dano sem medições nem relação física que justifique restringir acesso — é uma conclusão excludente sem evidência.
4. Câmera infravermelha e condição socioeconômica
Uma câmera térmica foi calibrada e mede a mesma região do rosto, à mesma distância. Ainda assim, pretende-se bloquear pessoas de determinado grupo socioeconômico com base no valor registrado. Qual é o equívoco?
- ❌ A) Afirmar bloqueio completo por qualquer cobertura — não responde à classificação social.
- ✅ B) Supor que radiação térmica determine diretamente condição socioeconômica — a medida não contém essa informação física.
- ❌ C) Supor temperatura idêntica em todos — isso trata de variação térmica, não da inferência social.
- ❌ D) Confundir emissão com reflexão — é erro conceitual, mas não explica a classificação.
- ❌ E) Achar que calibração elimina toda variação física — calibração não cria vínculo com classe social.
5. Pressão atmosférica e segregação
Em debate sobre abrigo para pessoas em situação de rua, qual justificativa usa indevidamente um conceito físico para segregar?
- ❌ A) Aumentar iluminação natural para conforto — não apresenta justificativa física segregadora.
- ❌ B) Oferecer Wi-Fi para integração — trata de comunicação, não de pseudociência física.
- ❌ C) Instalar câmeras 24h — envolve vigilância, não o conceito físico citado.
- ✅ D) Transferir pessoas para túneis alegando benefício respiratório da maior pressão atmosférica — usa P = P0 + ρgh sem base fisiológica plausível para privar direitos.
- ❌ E) Melhorar ventilação contra umidade e mofo — é medida ambiental, não pretexto de segregação.
6. Termômetro infravermelho e filas separadas
Na entrada de um evento, um segurança separa pessoas após leituras acima de 37,5 °C e afirma que o aparelho “pega mais forte” em pessoas de pele mais escura. O manual recomenda 5 cm e emissividade ε = 0,98; o aparelho está em ε = 0,95, a 30 cm, com iluminação, maquiagem e óleos na testa. Qual ponto físico invalida a separação?
- ✅ A) A temperatura inferida depende de emissividade e condições de medição; sem calibração e protocolo, leitura maior não comprova febre — P = εσAT⁴ não autoriza segregação.
- ❌ B) A cor da pele altera σ — σ é constante universal; a grandeza material é ε.
- ❌ C) Maior massa implica maior temperatura — massa e temperatura são grandezas distintas.
- ❌ D) Um limite único em Celsius elimina viés — não corrige erro sistemático de medição.
- ❌ E) P variar com T⁴ prova diferença biológica permanente — ignora emissividade, distância e reflexos.
Próximos passos
Eu começaria por uma questão, pediria que a turma destacasse a evidência ausente e fecharia com uma proposta de procedimento mais justo. Depois, montaria uma avaliação combinando análise conceitual e argumentação. Se você ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis e encontre itens para a sua turma.
O objetivo não é usar a Física para dar aparência técnica a preconceitos, mas ensinar estudantes a reconhecer evidências, limites e direitos. Adapte as questões ao seu contexto e conte com o GeraProva para ganhar tempo no planejamento.
