Atividades sobre Avaliação Crítica de Informação Científica com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CNT303)
Atividades e questões com gabarito comentado para trabalhar a leitura crítica de divulgação científica em Ciências da Natureza. Veja como desenvolver a habilidade EM13CNT303 em Biologia e Física.
Quando o código EM13CNT303 apareceu no meu planejamento, confesso que pensei: "mais uma habilidade abstrata para transformar em aula". Ela fala em avaliar textos de divulgação científica, e na prática isso significa ensinar o aluno a desconfiar, com método, do que circula no celular.
Foi preciso transformar esse código em atividade concreta: uma reportagem, um vídeo, um número e uma pergunta que obrigasse o aluno a pensar. É esse caminho que apresento aqui, com exemplos que você pode levar direto para a sua turma.
O que a habilidade EM13CNT303 pede, de verdade?
Em linguagem de sala de aula, a EM13CNT303 pede que o estudante leia uma notícia ou vídeo de divulgação científica sobre temas de Biologia ou Física e consiga verificar três coisas: se os dados apresentados (em texto, tabela, gráfico ou equação) sustentam o que é afirmado, se os argumentos são consistentes e se a conclusão decorre dos dados. Tudo isso para que ele construa critérios próprios para escolher fontes confiáveis.
"Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, tanto na forma de textos como em equações, gráficos e/ou tabelas, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações."
Note que não se trata de decorar conceitos: o foco é a leitura crítica. Por isso, a boa questão desse código quase sempre coloca o aluno diante de um dado e de uma conclusão, e pede que ele julgue a relação entre os dois.
Como trabalhar EM13CNT303 em sala?
Algumas ideias que testei e que não exigem material caro:
- Caça ao dado: leve duas manchetes sobre o mesmo tema (por exemplo, energia solar ou carregamento de celular) e peça que os alunos marquem, em cada uma, o dado que sustenta a afirmação e o que está faltando.
- Checagem por ordem de grandeza: escolha uma afirmação exagerada de um vídeo e peça estimativas com contas simples. Muitas vezes o número simplesmente não fecha, e essa descoberta engaja mais que qualquer explicação minha.
- Quem controlou o quê? em experimentos caseiros (temperatura de abrigos, tempo de aquecimento de água), faça a turma listar variáveis não controladas antes de aceitar a conclusão.
- Reescrita da conclusão: peça que o aluno reescreva a conclusão de uma reportagem de forma que os dados realmente sustentem, sem exagero.
Como avaliar essa habilidade?
Uma boa questão deste código precisa cobrar interpretação e julgamento, não apenas cálculo. Se a questão termina em um número que o aluno só precisa substituir numa fórmula, ela avalia Física, mas não avalia a habilidade. O ideal é que a resposta exija comparar a conclusão com os dados.
Erros comuns que vejo nas provas: confundir unidades (Wh com W, por exemplo), tratar a eficiência como se fosse a fração perdida, e elaborar alternativas erradas que são absurdas demais para exigir qualquer raciocínio. Alternativas plausíveis, que correspondem a erros reais de cálculo, separam melhor quem entendeu de quem chutou.
Questões prontas de EM13CNT303 (com gabarito comentado)
As seis questões abaixo são do acervo do GeraProva e estão alinhadas ao código. Tente resolvê-las antes de ver o gabarito.
Questão 1: carga da bateria portátil em 1 hora
— Dá para encher uma bateria portátil só com um painel solar pequeno? — perguntou um jovem em um grupo de trilha.
Um divulgador respondeu com um exemplo: um painel dobrável informa, na etiqueta, saída máxima de 5,0 V e 0,80 A quando está bem orientado ao Sol. No mesmo vídeo, ele usa uma bateria portátil cuja embalagem informa “energia armazenada: 37 Wh” e afirma que “em 1 hora dá para carregar tudo”. Para estimar, ele sugere desconsiderar perdas e usar a ideia de que a energia fornecida é dada pelo produto entre potência e tempo (E = P t).
Com base nos dados do texto e na relação E = P t, identifique a avaliação mais consistente sobre a afirmação de carga completa em 1 hora.
- ❌ A) Reconhecer que o tempo mínimo é cerca de 1 h, pois a tensão de 5,0 V garante carregamento rápido qualquer que seja a energia. — A tensão, sozinha, não determina o tempo de carregamento. É necessário calcular a potência usando também a corrente e relacioná-la à energia armazenada.
- ✅ B) Reconhecer que o tempo mínimo é cerca de 9 h, tornando 1 h incompatível com os valores informados. — A potência máxima do painel é 5,0 V × 0,80 A = 4,0 W. Desconsiderando perdas, o tempo mínimo para fornecer 37 Wh é 37 Wh ÷ 4,0 W = 9,25 h, aproximadamente 9 h. Portanto, 1 h não é suficiente.
- ❌ C) Reconhecer que o tempo mínimo é cerca de 40 min, pois 37 Wh equivalem a 37 W quando o carregador é solar. — Wh é uma unidade de energia, enquanto W é uma unidade de potência. Tratar 37 Wh como 37 W não permite calcular corretamente o tempo de carregamento.
- ❌ D) Reconhecer que o tempo mínimo é cerca de 46 h, tornando 1 h incompatível com os valores informados. — Esse cálculo divide a energia pela corrente, sem considerar a tensão. Para obter a potência em watts, é preciso multiplicar a corrente pela tensão antes de calcular o tempo.
- ❌ E) Reconhecer que o tempo mínimo é cerca de 7,4 h, tornando 1 h incompatível com os valores informados. — Esse resultado vem de dividir a energia armazenada, em Wh, apenas pelo valor numérico da tensão, 5,0 V. A tensão não é a potência: é preciso multiplicá-la pela corrente para obter a potência do painel.
Dica de resolução: calcule a potência do painel por P = V × I e divida a energia armazenada por essa potência.
Questão 2: a cobertura refletiva realmente resfria o abrigo?
Em um vídeo sobre o cuidado de coelhos durante o verão, um produtor comparou duas coberturas para os abrigos dos animais. Os dados apresentados foram:
Cobertura comum, medida na segunda-feira: temperatura máxima externa 36 °C e temperatura máxima interna 39 °C.
Cobertura refletiva, medida na quinta-feira: temperatura máxima externa 29 °C e temperatura máxima interna 31 °C.
Com base na diferença entre 39 °C e 31 °C, o produtor concluiu que a cobertura refletiva reduz em 8 °C a temperatura do abrigo e recomendou sua compra. O vídeo não informou umidade, ventilação, horário exato das medições nem repetição do teste.
Qual avaliação dos dados permite decidir de forma cientificamente adequada se a recomendação do vídeo é confiável?
- ❌ A) A recomendação é confiável, pois a diferença de 8 °C entre as temperaturas internas demonstra diretamente a eficiência térmica da cobertura refletiva. — A conclusão considera apenas as temperaturas internas e ignora que os valores foram obtidos em dias com temperaturas externas diferentes.
- ❌ B) A recomendação é confiável para qualquer abrigo de animais, pois os resultados obtidos com os coelhos podem ser aplicados diretamente a instalações de diferentes tamanhos e materiais. — O vídeo não fornece evidências suficientes nem mesmo para isolar o efeito da cobertura testada, muito menos para estender a conclusão a qualquer instalação.
- ✅ C) A recomendação ainda não é confiável, pois as medições ocorreram sob temperaturas externas diferentes; o teste deveria comparar abrigos equivalentes ao mesmo tempo e incluir repetições. — A alternativa identifica a variável externa não controlada e propõe controle experimental e repetição, necessários para avaliar o efeito da cobertura.
- ❌ D) A recomendação não é confiável porque uma cobertura refletiva aumenta necessariamente a absorção de radiação solar e, portanto, deveria aquecer mais o abrigo. — Materiais mais refletivos tendem a absorver uma parcela menor da radiação incidente, e não necessariamente maior. O problema dos dados é a falta de controle, não esse suposto efeito.
- ❌ E) A recomendação é confiável, pois a temperatura externa mais baixa no dia da cobertura refletiva confirma que esse material também resfriou o ambiente ao redor. — A cobertura de um abrigo não explica a temperatura externa do dia; a alternativa trata a condição ambiental como efeito do material testado.
Dica de resolução: compare as condições dos testes e procure variáveis não controladas e ausência de repetições.
Questão 3: quanto tempo 1 m³ de sal fundido sustenta a geração
Uma reportagem de divulgação científica discutiu um protótipo de usina solar de concentração em escala piloto. Um arranjo de espelhos parabólicos concentra a radiação solar sobre um tubo receptor, aquecendo um fluido térmico a 400°C. Em seguida, o calor é transferido para tanques de sal fundido, que servem de meio de armazenamento. Medições indicaram que 1 m³ de óleo térmico armazenou cerca de 800 MJ de energia, enquanto o mesmo volume de sal fundido alcançou 4800 MJ. O sistema opera com um ciclo Rankine de 42% de eficiência.
Interprete o texto-base e calcule quantas horas de geração contínua a energia armazenada em 1 m³ de sal fundido possibilita, considerando potência média de 500 kW.
- ❌ A) 3 h — Esse resultado corresponde a 180 minutos e pode decorrer de uma conversão incorreta entre a energia disponível e a potência de geração.
- ❌ B) 32 min — O cálculo aplica 20% à energia armazenada em vez da eficiência de 42% informada no texto.
- ❌ C) 6 h — Esse resultado pode surgir ao estimar o tempo como 360 minutos, sem relacionar corretamente a energia elétrica disponível à potência média informada.
- ❌ D) 2 h 40 min — O cálculo usa toda a energia armazenada como se ela fosse convertida em eletricidade, sem aplicar a eficiência de 42% do ciclo.
- ✅ E) 1 h 7 min — A energia convertida em eletricidade é 42% de 4800 MJ, ou 2016 MJ. Como 500 kW equivalem a 0,5 MJ por segundo, o tempo de geração é 2016/0,5 = 4032 segundos, isto é, 67,2 minutos, aproximadamente 1 h 7 min.
Dica de resolução: converta a energia armazenada em energia elétrica usando a eficiência e divida pela potência para obter o tempo.
Questão 4: o ultrassom aquece o músculo em 10 graus?
Pode um aparelho de ultrassom “cozinhar” o músculo? Em um vídeo nas redes sociais, um influenciador afirma que a fisioterapia com ultrassom “aumenta a temperatura do tecido em 10 graus em poucos minutos”. Um texto de divulgação científica contesta a frase e propõe uma checagem por ordem de grandeza. Segundo o texto, um equipamento típico opera em 1,0 MHz e aplica na pele uma intensidade média de 0,10 W/cm^2 sobre uma área de 12 cm^2 durante 10 min. Ainda de acordo com o autor, apenas cerca de 50% dessa potência é efetivamente absorvida na região tratada, cuja massa pode ser estimada em 0,25 kg. Para o tecido, o texto sugere usar calor específico c = 3,5 x 10^3 J/(kg.K) e desprezar, nessa estimativa, a perda de calor para as regiões vizinhas e para a pele.
Analise as informações do texto e estime o aumento máximo de temperatura do tecido ao fim dos 10 min, nas condições descritas, para avaliar a plausibilidade da afirmação do vídeo.
- ✅ A) 0,4 grau Celsius — Pabs=0,5*(0,10*12)=0,6 W; Q=0,6*600=360 J; DeltaT=360/(0,25*3500)˜0,41 C.
- ❌ B) 10 grau Celsius — Erro de leitura acrítica: toma a alegação do vídeo como resultado do cálculo, sem usar os dados numéricos do texto.
- ❌ C) 0,04 grau Celsius — Erro de conversão do tempo: trata 10 min como 10 s, reduzindo a energia absorvida por um fator 60.
- ❌ D) 4 grau Celsius — Erro de unidade: usa c como 3,5 x 10^2 J/(kg.K) ou desloca uma casa decimal, superestimando DeltaT.
- ❌ E) 40 grau Celsius — Erro de absorção: desconsidera a massa de 0,25 kg (ou usa 0,025 kg), inflando o aquecimento por fator 10.
Dica de resolução: calcule a energia absorvida e use a fórmula do calor para estimar o aumento de temperatura.
Questão 5: qual o comprimento de onda de um sinal de 156 MHz?
— “Se a gente muda o canal do rádio, muda também a ‘onda’ que chega na antena?”, perguntou um pescador durante um programa de rádio comunitária sobre comunicação em áreas isoladas. O convidado, um técnico de telecomunicações, explicou que esses rádios usam ondas eletromagnéticas e que cada canal é identificado por uma frequência. Na entrevista, ele citou que alguns comunicadores náuticos operam em torno de 156 MHz e lembrou que, no ar, essas ondas se propagam com velocidade próxima à da luz, c = 3,0 x 10^8 m/s. Segundo ele, conhecer o comprimento de onda ajuda a entender por que certas antenas têm dimensões típicas e por que obstáculos afetam de modo diferente sinais de frequências distintas.
Com base nos dados do texto, determine o comprimento de onda aproximado do sinal de 156 MHz, em metros.
- ❌ A) 0,19 m — Troca de ordem de grandeza: erra a conversão de MHz e reduz lambda por 10.
- ✅ B) 1,9 m — Aplicação direta: lambda = c/f = (3,0 x 10^8)/(1,56 x 10^8) ˜ 1,9 m.
- ❌ C) 5,2 m — Operação equivocada: usa f/c em vez de c/f, invertendo a relação.
- ❌ D) 19 m — Erro decimal: trata 156 MHz como 15,6 MHz, superestimando lambda em 10 vezes.
- ❌ E) 1,9 x 10^8 m — Confusão conceitual: toma o valor da frequência (em Hz) como se fosse comprimento.
Dica de resolução: use a fórmula λ = c / f para calcular o comprimento de onda.
Questão 6: o carregador rápido esquenta menos o celular?
— Se o carregador é “mais forte”, por que o celular esquenta? — perguntou um usuário em um fórum.
Uma postagem de divulgação científica respondeu usando números: um carregador de 25 W leva cerca de 30 min para levar a bateria de 20% a 80%; um de 10 W faz o mesmo em 75 min. O texto afirmou que “o rápido esquenta menos porque fica menos tempo ligado”. Para discutir isso, a postagem adotou um modelo simplificado: a eficiência elétrica do conjunto (carregador + circuito de carga) é 0,80, de modo que 20% da energia elétrica recebida vira calor no aparelho. Considerou ainda massa do celular de 0,20 kg e calor específico médio de 900 J/(kg K), desprezando perdas de calor para o ambiente. (Use 1 min = 60 s.)
Analise os dados do texto e estime a maior elevação de temperatura do aparelho, supondo que o calor gerado não se dissipe. Que interpretação sobre o argumento “carregador rápido esquenta menos” decorre dessa estimativa?
- ✅ A) Estima elevação de 50 K em ambos os casos, indicando que menor tempo não implica menor aquecimento total — Em ambos, P*t = 25*1800 = 10*4500 = 45000 J; calor = 0,20*45000 = 9000 J; DeltaT = 9000/(0,20*900)=50 K.
- ❌ B) Estima elevação de 50 K no rápido e menor no lento, pois maior potência transforma mais energia em calor — Desconsidera a compensação pelo tempo: maior potência atua por menos tempo, mantendo P*t igual no modelo do texto.
- ❌ C) Estima elevação de 20 K no rápido e maior no lento, pois o tempo de carga determina diretamente o calor gerado — Confunde potência/tempo com energia: o calor depende de (1-eta)P*t; como P*t é igual, o calor total não aumenta no lento.
- ❌ D) Estima elevação de 10 K em ambos os casos, pois 80% da energia recebida vira calor no aparelho — Interpreta eficiência ao contrário: 80% é a fração útil; a fração em calor é 20%, não 80%.
- ❌ E) Estima elevação de 100 K em ambos os casos, pois toda a energia elétrica recebida é convertida em calor — Ignora a energia armazenada na bateria: o texto assume eficiência 0,80, então apenas parte da energia elétrica recebida vira calor.
Dica de resolução: calcule a energia dissipada em calor e use a fórmula do calor sensível para estimar a elevação de temperatura.
Próximos passos
Se você quer trabalhar a EM13CNT303 com a sua turma, comece por uma caça ao dado com duas manchetes sobre o mesmo tema. Depois, use as questões acima como fechamento. Você pode consultar todas as questões alinhadas ao código na consulta completa do código EM13CNT303.
Para montar suas próprias provas com esse foco, use o gerador de provas do GeraProva. Se ainda não tem conta, o cadastro grátis leva poucos minutos.
As questões e estratégias deste texto são sugestões para apoiar seu planejamento; ajuste-as à realidade da sua turma e ao seu projeto pedagógico.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Avaliação Crítica de Informação Científica, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
