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Atividades sobre Paternalismo, Autoritarismo e Populismo na Política com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CHS602)

Atividades sobre Paternalismo, Autoritarismo e Populismo na Política com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CHS602)

Quando recebo a EM13CHS602 no planejamento, sei que não basta listar conceitos no quadro. O desafio é fazer a turma perceber que paternalismo, autoritarismo e populismo não são palavras soltas do livro: eles ajudam a ler disputas de poder, discursos políticos, relações de favor e limites da democracia.

Na prática, eu preciso transformar uma habilidade longa em situações analisáveis, com fontes, comparação histórica e perguntas que obriguem os estudantes a argumentar. A seguir, compartilho um caminho possível para sair do planejamento e chegar a uma aula — e a uma avaliação — que faça sentido para o Ensino Médio.

O que a habilidade EM13CHS602 pede, de verdade?

Em termos de sala de aula, esta habilidade pede que o estudante reconheça como relações de proteção, dependência e personalização do poder podem aparecer na política e no cotidiano; identifique práticas autoritárias, como censura, repressão e restrição de direitos; e analise discursos ou lideranças populistas sem reduzir o conceito a um xingamento político. É preciso fazer isso comparando Brasil e América Latina, tanto em ditaduras quanto em democracias, e relacionando esses fenômenos às respostas da sociedade: movimentos sociais, imprensa, associações, sindicatos, mobilizações por direitos e participação cidadã. Portanto, uma boa aprendizagem vai além de decorar características da Era Vargas ou da ditadura militar. O aluno precisa interpretar fontes, observar permanências e mudanças, distinguir Estado de governo e discutir como autonomia, liberdade, diálogo, democracia e direitos humanos são defendidos no presente. Em História, eu trabalho essa habilidade como leitura crítica de relações de poder e das formas coletivas de resistir a elas.

“Identificar e caracterizar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na política, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e democráticos, relacionando-os com as formas de organização e de articulação das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade, do diálogo e da promoção da democracia, da cidadania e dos direitos humanos na sociedade atual.”

O objeto de conhecimento é Paternalismo, Autoritarismo e Populismo na Política, dentro de Ciências Humanas e Sociais. Para consultar o detalhamento e o banco disponível, vale acessar a consulta completa do código EM13CHS602.

Como trabalhar EM13CHS602 em sala?

  1. Comece com um mapa de conceitos. Eu proponho três colunas: paternalismo, autoritarismo e populismo. Em duplas, os alunos registram características, exemplos históricos e dúvidas. Depois, discutimos por que um mesmo governo pode combinar políticas trabalhistas, propaganda oficial e repressão, sem que isso autorize simplificações.
  2. Leia fontes curtas e compare contextos. Trechos do AI-5, materiais do DIP, cartazes políticos, letras de canções censuradas e notícias sobre mobilizações sociais permitem observar o poder em ação. A regra é sempre perguntar: quem fala, para quem, com qual interesse e quais direitos estão em jogo?
  3. Faça uma linha do tempo com tensões. A turma pode relacionar Crise de 1929, Revolução de 1930, Era Vargas, Estado Novo, golpe de 1964, AI-5 e redemocratização. Em cada marco, peço que indiquem centralização ou abertura política, propaganda, direitos sociais e possibilidades de participação.
  4. Organize um estudo de caso latino-americano. Sem material caro, cada grupo pesquisa um país e um período, usando livro didático e fontes confiáveis selecionadas por mim. O foco não é “dar rótulo” a governos, mas comparar mecanismos de poder e formas de resistência social.
  5. Feche com um debate regrado. A pergunta pode ser: “Direitos sociais oferecidos pelo Estado garantem, por si só, cidadania democrática?” Os estudantes precisam usar evidências históricas, ouvir a réplica e diferenciar proteção social de dependência política.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EM13CHS602 apresenta uma fonte, uma situação histórica ou um problema político e cobra relação entre evidência e conceito. Não basta perguntar a data do AI-5 ou pedir que a turma repita que Vargas criou leis trabalhistas. É mais potente perguntar como a censura amplia o controle estatal, como o clientelismo se relaciona com vínculos pessoais ou quais formas de organização coletiva defendem direitos.

Eu evito dois erros frequentes: tratar populismo como sinônimo de toda política popular e transformar autoritarismo em uma característica exclusiva de ditaduras. Também tomo cuidado com enunciados que induzem opinião partidária atual, sem fonte ou recorte histórico. Avaliar esta habilidade é cobrar análise, comparação e argumentação baseada em evidências, inclusive quando o aluno discorda de uma interpretação.

Questões prontas de EM13CHS602 (com gabarito comentado)

1. Em Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda emprega o termo “homem cordial” para caracterizar a predominância das relações pessoais e afetivas sobre regras impessoais na vida social. O autor não utiliza “cordial” como sinônimo de bondade ou gentileza. Em sociedades marcadas por esse traço, vínculos familiares, amizades e lealdades pessoais podem influenciar decisões que deveriam seguir critérios públicos e universais. No Brasil contemporâneo, essa lógica pode aparecer na expectativa de que autoridades atuem como protetoras, na preferência por líderes que estabelecem vínculos emocionais com a população e na dificuldade de separar interesses privados das funções públicas. Com base no texto, qual interpretação relaciona corretamente o conceito de “homem cordial” ao comportamento social e político brasileiro contemporâneo?

  • ❌ A) A defesa de relações sempre gentis explica a igualdade de tratamento nas instituições públicas. “Cordial” não significa gentileza, e o texto não afirma igualdade institucional.
  • ❌ B) A prática de favores pessoais explica exclusivamente os casos de corrupção administrativa. O conceito é mais amplo e não explica exclusivamente a corrupção.
  • ❌ C) A valorização dos interesses individuais explica o afastamento da população das decisões coletivas. O foco são vínculos pessoais influenciando instituições, não individualismo.
  • ✅ D) A valorização de vínculos pessoais pode favorecer práticas paternalistas, lideranças autoritárias e apelos populistas na esfera pública. A alternativa relaciona corretamente a personalização do poder aos conceitos da habilidade.
  • ❌ E) A preferência por regras formais explica o fortalecimento da burocracia impessoal na vida política. A alternativa inverte a predominância das relações pessoais indicada no texto.

2. Como a obra de Sérgio Buarque de Holanda pode ser aplicada para entender a política brasileira contemporânea?

  • ❌ A) As instituições não têm importância. Holanda destaca sua importância, embora problematize sua aplicação.
  • ✅ B) O clientelismo é uma herança cordial. Relações pessoais e favores ajudam a compreender práticas clientelistas.
  • ❌ C) As relações pessoais são irrelevantes. Elas são centrais na análise do autor.
  • ❌ D) A política é sempre formal. A obra evidencia o peso da informalidade e dos vínculos pessoais.
  • ❌ E) A história não influencia a política atual. A análise enfatiza continuidades históricas.

3. Descreva como a Crise de 1929 influenciou a política brasileira até 1930.

  • ❌ A) Fortaleceu a oligarquia cafeeira. A crise enfraqueceu sua base econômica e política.
  • ✅ B) Causou a Revolução de 1930. A crise aprofundou insatisfações e contribuiu para o processo revolucionário.
  • ❌ C) Aumentou a influência dos militares na política. Isso não é o impacto central apontado para aquele momento.
  • ❌ D) Consolidou a democracia no Brasil. O período foi de instabilidade, não de consolidação democrática.
  • ❌ E) Estabeleceu um governo socialista. O Brasil não se tornou socialista após a crise.

4. Em dezembro de 1968, o governo brasileiro editou o Ato Institucional nº 5 (AI-5). O ato permitia fechar o Congresso Nacional, suspender direitos políticos e restringir o direito de habeas corpus em casos considerados políticos. Nos anos seguintes, órgãos de segurança intensificaram a censura, as prisões e a vigilância sobre estudantes, trabalhadores, artistas e jornalistas. Essas medidas ocorreram em meio à ditadura militar, iniciada em 1964. Considerando as medidas descritas no texto, qual transformação social caracterizou a experiência brasileira no final da década de 1960?

  • ❌ A) Ampliação das liberdades de participação social. Censura, prisões e suspensão de direitos restringiram essas liberdades.
  • ✅ B) Ampliação do controle estatal sobre a participação social. O conjunto de medidas evidencia o aumento da repressão e da vigilância.
  • ❌ C) Substituição da censura pela liberdade de expressão social. O texto informa que a censura foi intensificada.
  • ❌ D) Preservação dos direitos políticos e da participação social. Os direitos políticos foram suspensos e o habeas corpus, restringido.
  • ❌ E) Redução do controle estatal sobre a participação social. As medidas mostram justamente maior intervenção estatal.

5. Identifique as principais características da Era Vargas e seus impactos na sociedade brasileira.

  • ❌ A) Descentralização do poder. O período foi marcado pela centralização política.
  • ❌ B) Apoio ao setor agrícola. A industrialização recebeu destaque na política varguista.
  • ✅ C) Reformas trabalhistas. Vargas implementou importantes leis trabalhistas.
  • ❌ D) Redução da intervenção estatal. Houve aumento da presença do Estado na economia e na sociedade.
  • ❌ E) Liberdade total de imprensa. A censura foi uma característica importante, especialmente no Estado Novo.

6. ENEM - 2022. Decreto-Lei n. 1 949, de 27/17/1937. Art. 1.o Fica criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), diretamente subordinado ao presidente da República. Art. 2.o O DIP tem por fim: h) coordenar e incentivar as relações da imprensa com os poderes públicos no sentido de maior aproximação da mesma com os fatos que se ligam aos interesses nacionais; n) autorizar mensalmente a devolução dos depósitos efetuados pelas empresas jornalísticas para importação de papel para imprensa, uma vez demonstrada, a seu juízo, a eficiência e a utilidade pública dos jornais ou periódicos por elas administrados ou dirigidos. Com base nos trechos do decreto, as finalidades do órgão criado permitiram ao governo promover o(a)

  • ❌ A) Diversificação da opinião pública. O DIP buscava alinhamento da imprensa aos interesses governamentais.
  • ❌ B) Mercantilização da cultura popular. A fonte trata de controle da informação, não desse processo.
  • ❌ C) Controle das organizações sindicais. A função descrita é relacionada à imprensa.
  • ✅ D) Cerceamento da liberdade de expressão. O órgão permitia controlar e condicionar a atuação dos meios de comunicação.
  • ❌ E) Privatização dos meios de comunicação. O objetivo era controle estatal, não privatização.

Próximos passos para a sua aula

Eu usaria essas questões depois de uma sequência com fontes e debate, não como ponto de partida isolado. Se quiser ampliar ou montar versões diferentes para as turmas, há 925 questões alinhadas a esta habilidade no acervo e você pode criar atividades no gerador de provas do GeraProva. Para salvar materiais e começar sem custo, faça seu cadastro grátis.

Use este roteiro como apoio e adapte exemplos, linguagem e nível de complexidade à sua turma. O objetivo não é entregar respostas prontas sobre política, mas criar condições para que os estudantes leiam criticamente fontes, direitos e relações de poder.

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