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Atividades sobre Práticas Socioambientais Sustentáveis com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CHS304)

Atividades sobre Práticas Socioambientais Sustentáveis com gabarito — 1ª série, 2ª série, 3ª série, ENEM, FUVEST, UEL, UNESP (EM13CHS304)

Quando recebo a EM13CHS304 no planejamento, sei que o desafio não é simplesmente falar de reciclagem ou pedir uma pesquisa sobre meio ambiente. Preciso levar a turma a enxergar decisões: quem decide, quem lucra, quem sofre os efeitos e quais práticas podem ser transformadas.

Em Sociologia, essa habilidade rende aulas muito concretas. Ela aproxima políticas públicas, empresas, hábitos de consumo e conflitos do território dos estudantes. Abaixo, compartilho caminhos que eu usaria para preparar aula e avaliação para 1ª, 2ª e 3ª séries, além de vestibulares.

O que a habilidade EM13CHS304 pede, de verdade?

Na prática, a EM13CHS304 pede que o estudante saia da explicação ambiental genérica e analise relações de poder envolvidas nos problemas socioambientais. Ele precisa reconhecer que governos, empresas e indivíduos tomam decisões com consequências diferentes sobre rios, florestas, bairros, trabalhadores e comunidades tradicionais; investigar de onde vêm essas escolhas, como incentivos econômicos, fiscalização frágil, busca de lucro ou padrões de consumo; e defender alternativas responsáveis. Não basta apontar que houve poluição ou desmatamento. A turma deve relacionar causas, agentes e efeitos sociais, percebendo, por exemplo, por que uma licença flexibilizada pode favorecer uma empresa e prejudicar moradores ribeirinhos. Também é necessário selecionar e promover práticas que expressem consciência e ética socioambiental: consumo responsável, participação pública, preservação, manejo sustentável e responsabilização pelos danos. É uma habilidade de análise, argumentação e posicionamento ético, muito útil para leitura de casos locais e questões de ENEM.

“Analisar os impactos socioambientais decorrentes de práticas de instituições governamentais, de empresas e de indivíduos, discutindo as origens dessas práticas, selecionando, incorporando e promovendo aquelas que favoreçam a consciência e a ética socioambiental e o consumo responsável.”

Para consultar o texto e o acervo completo, vale acessar a consulta completa do código EM13CHS304. O GeraProva reúne 147 questões alinhadas a essa habilidade.

Como trabalhar EM13CHS304 em sala?

  1. Mapa de impactos do bairro: proponho que a turma observe, por fotos, notícias ou caminhada curta no entorno, situações como lixo, enchentes, falta de árvores e descarte irregular. Em seguida, organizamos uma tabela: prática, agente envolvido, impacto, pessoas afetadas e possível solução.
  2. Júri simulado sobre um empreendimento: distribuo papéis de prefeitura, empresa, moradores, trabalhadores, órgão ambiental e comunidade tradicional. Cada grupo defende seus argumentos a partir de um caso fictício de instalação industrial, turismo ou mineração.
  3. Leitura crítica de uma notícia: uso uma reportagem local sobre queimadas, enchentes, licenciamento ou coleta de resíduos. Peço que grifem dados, identifiquem os atores sociais e diferenciem causa, consequência e proposta de reparação.
  4. Raio-X do consumo: escolhemos um produto cotidiano, como celular, carne, roupa ou garrafa plástica. A turma pesquisa rapidamente sua cadeia de produção, descarte e alternativas de consumo mais responsável.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa questão de EM13CHS304 apresenta uma situação concreta e cobra a relação entre prática e impacto. O estudante precisa identificar se a ação foi governamental, empresarial ou individual, reconhecer sua origem e analisar seus efeitos ambientais e sociais. Questões contextualizadas com licenciamento, resíduos, expansão agropecuária, turismo ou mineração funcionam muito bem.

Eu evito avaliações que reduzam sustentabilidade a decorar conceitos ou marcar comportamentos moralmente “certos”. Também tomo cuidado com alternativas que misturam causa e consequência, tratam um único agente como responsável por tudo ou ignoram conflitos sociais. Na correção de respostas abertas, observo se o aluno sustenta a análise com evidências do caso e propõe práticas viáveis, não apenas frases como “precisamos cuidar do planeta”.

Questões prontas de EM13CHS304 (com gabarito comentado)

1. Políticas públicas e expansão da soja no Cerrado

Em uma região do Cerrado, a produção de soja cresceu rapidamente nos últimos cinco anos. Nesse período, governos estaduais ofereceram crédito subsidiado, com juros inferiores a 1% ao ano, para grandes proprietários ampliarem monoculturas. A política não exigia estudos de impacto ambiental nem práticas de conservação do solo. Simultaneamente, a fiscalização em áreas de fronteira foi reduzida em 30%. Segundo o texto, esse conjunto de medidas esteve associado à ocupação de reservas legais, ao aumento de conflitos fundiários e ao esgotamento do solo provocado pelo uso intensivo de agrotóxicos.

A partir do texto, avalie como a falha nas políticas descritas contribuiu para o desequilíbrio socioambiental da região.

  • ❌ A expansão das monoculturas reduziu a fiscalização e provocou a ausência de exigências ambientais no crédito subsidiado. Essa alternativa inverte causa e consequência: as políticas favoreceram a expansão.
  • ✅ A combinação de crédito subsidiado sem condicionantes ambientais e fiscalização reduzida favoreceu a expansão predatória das monoculturas. Os incentivos econômicos sem proteção e o controle estatal fragilizado explicam conjuntamente os impactos.
  • ❌ A redução da fiscalização em áreas de fronteira, isoladamente, favoreceu a expansão predatória das monoculturas. Ela foi um fator, mas o crédito sem exigências ambientais também é central.
  • ❌ O uso intensivo de agrotóxicos, independentemente das políticas públicas, explicou o desequilíbrio socioambiental da região. O agrotóxico aparece associado à expansão estimulada pelas políticas.
  • ❌ A concessão de crédito subsidiado, por si só, favoreceu a expansão predatória das monoculturas. O problema inclui a ausência de condicionantes e a redução da fiscalização.

2. Gestão privada da incineração de resíduos

Após uma licitação, a prefeitura concedeu a uma empresa privada a gestão da usina municipal de incineração de resíduos. O edital estabelecia como prioridades reduzir os gastos públicos e gerar energia, e previa remuneração da empresa conforme a quantidade de resíduos incinerados. Por isso, 70% dos materiais potencialmente recicláveis passaram a ser queimados. A mudança reduziu o espaço de trabalho dos catadores, que não foram consultados, e coincidiu com aumento de 15% nos registros de doenças respiratórias na região. Em audiência pública, moradores questionaram a transferência de um serviço essencial para uma empresa orientada por metas de eficiência financeira.

Qual orientação político-econômica explica a origem do modelo de gestão adotado?

  • ❌ A priorização de critérios técnicos na proteção da saúde coletiva. Custos e remuneração empresarial, não saúde, orientaram o caso.
  • ✅ A adoção de princípios neoliberais na gestão de serviços públicos. Privatização, redução de gastos e metas financeiras caracterizam essa orientação.
  • ❌ A aplicação do princípio da responsabilidade ambiental compartilhada. Não houve divisão efetiva de responsabilidades entre os atores.
  • ❌ A valorização da participação comunitária na gestão de serviços públicos. Catadores e moradores não participaram das decisões.
  • ❌ A expansão da burocratização estatal na gestão de serviços públicos. O serviço foi transferido à empresa privada, e não ampliado pelo Estado.

3. Mineração e degradação do rio Paraúna

No rio Paraúna, a mortandade de peixes aumentou após a expansão das atividades de mineração. Dados do órgão ambiental indicam que, nos últimos cinco anos, o governo emitiu 15 licenças com critérios flexibilizados para grandes empresas. Na área de extração, a mineradora local passou a utilizar dragas de grande porte, movimentando toneladas de sedimentos. O relatório também registra o descarte de resíduos domésticos nas margens por moradores e o cultivo de espécies exóticas em propriedades vizinhas.

Qual prática empresarial exemplifica diretamente a lógica de expansão corporativa associada aos impactos?

  • ✅ Implantação de dragas de grande porte pela mineradora local. É uma ação operacional empresarial que amplia a extração e movimenta sedimentos.
  • ❌ Alteração do ecossistema ribeirinho pelas atividades locais. Trata-se de consequência, não de prática empresarial específica.
  • ❌ Descarte de resíduos domésticos nas margens pelos moradores. É uma prática individual, não da mineradora.
  • ❌ Plantio de espécies exóticas nas propriedades vizinhas. Pode afetar o ambiente, mas não é ação da empresa de mineração.
  • ❌ Emissão de licenças com critérios flexibilizados pelo governo. É condição institucional, não prática da empresa.

4. Licenciamento industrial no rio Pardo

Em uma região agrícola, o rio Pardo apresentou aumento da mortalidade de peixes e redução da qualidade da água. A prefeitura renovou autorizações para uma indústria química funcionar às margens do rio, embora laudos registrassem metais pesados nos resíduos. A fiscalização foi irregular, e as comunidades afetadas não participaram das decisões.

Qual prática institucional melhor explica a origem dos impactos socioambientais?

  • ❌ Recuperação pública das áreas afetadas pela atividade industrial. O texto não informa ações de recuperação.
  • ❌ Responsabilização empresarial pela reparação dos danos ambientais. Não há reparação descrita, mas continuidade das autorizações.
  • ❌ Participação comunitária na definição das políticas ambientais. As comunidades foram excluídas.
  • ❌ Descentralização da fiscalização ambiental para os moradores locais. Não houve atribuição formal de fiscalização aos moradores.
  • ✅ Flexibilização da regulação ambiental em favor de interesses econômicos. Autorizações, fiscalização irregular e prioridade a empregos e arrecadação explicam o caso.

5. Pecuária, mata ciliar e rio Verde

Em uma região cortada pelo rio Verde, áreas protegidas em suas margens vêm sendo ocupadas por fazendas de gado. Subsídios foram oferecidos a grandes pecuaristas, enquanto empresas de processamento de carne compravam animais sem exigir manejo sustentável. Houve desmatamento da mata ciliar, aumento de sedimentos, perda de habitats e redução de peixes usados por comunidades ribeirinhas.

Qual impacto socioambiental resulta diretamente dessas práticas?

  • ✅ O assoreamento do rio e a redução da pesca utilizada para a subsistência das comunidades ribeirinhas. O desmatamento da mata ciliar intensifica erosão, sedimentos e perda de peixes.
  • ❌ A recuperação da mata ciliar e a diminuição da erosão. O texto aponta desmatamento, não recuperação.
  • ❌ A conservação dos habitats aquáticos e o aumento dos peixes. Os efeitos relatados são exatamente os contrários.
  • ❌ A adoção de manejo sustentável pelas empresas compradoras. Elas não exigiam essa prática.
  • ❌ A diminuição do avanço das fazendas sobre áreas protegidas. O texto indica ocupação dessas áreas.

6. Turismo de massa e dunas litorâneas

Na cidade de Barra Azul, no litoral Norte, o turismo de massa avançou sobre dunas litorâneas e agravou a erosão. A cobertura vegetal caiu 40% em dez anos. Licenças foram concedidas sem avaliações completas, e o Estado autorizou hotéis e pavimentação até a faixa de areia sem contenção de sedimentos. As dunas deixaram de proteger residências e a pesca artesanal foi ameaçada.

Identifique a lógica socioeconômica que fundamenta as práticas responsáveis pela degradação.

  • ❌ Princípio democrático de mobilização popular sem aval técnico para licenciamento ambiental. Não há mobilização popular no caso.
  • ✅ Lógica capitalista de valorização do lucro por meio da expansão turística em áreas naturais. O licenciamento favorece exploração turística e rentabilidade, apesar dos danos.
  • ❌ Política de responsabilidade social corporativa voltada para marketing verde sem ações concretas. Não há elementos de marketing verde no texto.
  • ❌ Lógica burocrática de centralização administrativa sem critérios de sustentabilidade ambiental. Isso não explica a exploração turística voltada ao lucro.
  • ❌ Modelo de desenvolvimento sustentável sem mitigação de riscos nas zonas costeiras. Sustentabilidade exige justamente prevenir e mitigar riscos.

Próximos passos

Eu começaria por uma dessas questões como diagnóstico e, depois, pediria que a turma reescrevesse uma política ou prática do caso com critérios de justiça socioambiental. Para montar versões diferentes, ajustar dificuldade e gerar gabaritos, use o gerador de provas do GeraProva. Se ainda não usa a plataforma, faça seu cadastro grátis.

Estas questões são um ponto de partida para a minha aula e podem ser adaptadas à realidade da sua turma. O importante é transformar indignação em leitura crítica, argumento e ação responsável.

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