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Atividades sobre O eu, o outro e o nós com gabarito — Crianças bem pequenas (1a7m-3a11m) (EI02EO03)

Entenda como transformar a habilidade EI02EO03 em vivências e avaliações possíveis na rotina da Educação Infantil. Veja ideias práticas e seis questões com gabarito comentado.

Atividades sobre O eu, o outro e o nós com gabarito — Crianças bem pequenas (1a7m-3a11m) (EI02EO03)

Quando recebo o código EI02EO03 no planejamento, a primeira pergunta que me faço é: como isso aparece na rotina de verdade? Com crianças bem pequenas, não basta escrever “compartilhar” no plano e esperar que todo mundo saiba o que fazer. A habilidade precisa ganhar forma no tapete, na mesa de pintura, no parque e nas pequenas negociações do dia.

Também penso em como observar o desenvolvimento sem transformar a convivência em uma prova tradicional. Para essa faixa etária, a avaliação acontece principalmente nas interações, com mediação e propostas adequadas. Ainda assim, questões podem ajudar a conversar sobre situações, desde que sejam usadas como apoio e não substituam a experiência concreta de brincar junto.

O que a habilidade EI02EO03 pede, de verdade?

A habilidade EI02EO03 faz parte do campo “O eu, o outro e o nós” e propõe que a criança aprenda a conviver usando objetos e espaços junto de outras crianças da mesma faixa etária e de adultos. Em linguagem de sala, isso aparece quando ela percebe que o tapete, os blocos, os pincéis ou o escorregador não são de uso exclusivo de uma pessoa e começa, com apoio, a abrir lugar, entregar um material, esperar, aceitar a presença do outro ou convidá-lo para brincar. Não espero que uma criança pequena faça isso sempre, sem conflito ou sem ajuda: compartilhar é uma aprendizagem construída nas relações e na repetição de experiências acolhedoras. O papel do adulto é organizar ambientes possíveis, nomear o que acontece e mediar disputas sem humilhar nem forçar uma resposta. O texto oficial é:

Compartilhar os objetos e os espaços com crianças da mesma faixa etária e adultos.

Como trabalhar EI02EO03 em sala?

Eu priorizo propostas simples, usando o que já existe na sala e deixando tempo para as crianças explorarem. Algumas ideias que funcionam na rotina:

  • Construção no mesmo tapete: ofereço blocos em quantidade razoável e convido pequenos grupos a montar juntos. Ajudo a perceber onde cada um pode construir e como disponibilizar peças para quem está por perto.
  • Mesa de desenho ou pintura: organizo os materiais no centro, em vez de entregar um conjunto exclusivo para cada criança. Posso modelar frases como “quando terminar, coloque o pincel no pote para outra pessoa usar”.
  • Brincadeira de cuidar: bonecas, panelinhas e tecidos permitem combinar usos e dividir o espaço do faz de conta. Entro na brincadeira como participante, sem controlar cada ação.
  • Parque com combinados curtos: acompanho a alternância nos brinquedos e digo com clareza o que está acontecendo: “agora é a vez da Sofia; depois, você pode usar”. A espera deve ser possível para a idade, com suporte do adulto.
  • Arrumação compartilhada: ao guardar, distribuo pequenas tarefas: uma criança leva os livros, outra coloca os blocos no cesto. Assim, cuidar do espaço comum também vira experiência de participação.

Não preciso comprar materiais especiais. Caixas, potes, brinquedos da turma e móveis já disponíveis podem servir. O essencial é observar se o espaço permite aproximação e se há materiais suficientes para criar oportunidades de interação, sem provocar disputas desnecessárias.

Como avaliar essa habilidade?

Uma boa avaliação observa ações concretas em contextos variados: a criança usa o espaço junto de outras pessoas? Aceita a aproximação de um adulto? Entrega ou deixa um objeto acessível? Com mediação, consegue aguardar ou participar de uma brincadeira comum? Registro o que aconteceu e que apoio foi necessário, em vez de rotular a criança como “egoísta” ou concluir seu desenvolvimento por um único episódio.

Um erro comum é cobrar que a criança ceda imediatamente qualquer objeto, mesmo quando está usando-o, ou avaliar apenas se ela escolheu a alternativa considerada correta. Também evito confundir compartilhar com obedecer sem questionar, ou tratar toda disputa como fracasso. As questões abaixo podem apoiar uma conversa coletiva, uma leitura mediada ou o planejamento de situações de observação. Para esta idade, o professor pode ler os enunciados e acolher respostas orais, gestuais e apontamentos.

Questões prontas de EI02EO03 (com gabarito comentado)

1. Durante a manhã, o tapete azul da sala de atividades estava ocupado por quatro crianças: Gabriel, Ana, Mariana e Roberto. Elas empilhavam bloquinhos de madeira em diferentes formatos. A cuidadora levou mais peças e se aproximou, perguntando se poderia usar o mesmo espaço para organizar suas caixas. Gabriel abriu um espaço no tapete e disse: “Claro, pode colocar suas caixinhas aqui, vou terminar minha torre ao lado.” Em seguida, Roberto juntou todos os blocos para brincar sozinho, enquanto Ana ficou sentada fora do tapete, observando sem pedir para participar. Analise o texto-base e identifique a ação que exemplifica compartilhar o espaço e os objetos entre as crianças e a cuidadora.

  • ❌ A) A cuidadora trouxe mais peças de bloquinhos para que as crianças pudessem empilhar. Trazer material é iniciativa da cuidadora, mas não mostra, por si só, a criança compartilhando espaço ou objetos.
  • ✅ B) Gabriel abriu um espaço no tapete e convidou a cuidadora para organizar suas caixas ao lado de seus blocos. Ele acolheu a adulta no espaço comum e mostrou disposição para usá-lo junto com ela.
  • ❌ C) As crianças empilharam bloquinhos de madeira em diferentes formatos no tapete. A atividade em grupo não evidencia, sozinha, uma ação de dividir espaço ou objetos.
  • ❌ D) Roberto juntou todos os bloquinhos e os manteve consigo para brincar sozinho. Reter os materiais para si não demonstra compartilhamento.
  • ❌ E) Ana permaneceu fora do tapete, observando sem pedir para usar os blocos. Apenas observar não mostra que ela ofereceu ou dividiu espaço e objetos.

2. Nesta tarde, acompanhei três crianças no cantinho de artes da sala: havia uma bancada retangular com quatro cadeiras e um suporte com pincéis e potinhos de tinta. Primeiro, Bento pegou um pincel, pintou um desenho simples e guardou o material no potinho, ocupando duas cadeiras com seu corpo. Depois, Laura retirou um rolinho de espuma do suporte e permaneceu em um canto distante, sem interagir. Por fim, Clara terminou seu desenho, guardou o pincel no suporte central, removeu o caderno do colo e fez um gesto convidativo em direção à cadeira vazia, aproximando o pincel de outro potinho de tinta. A educadora Ana reforçou o convite com um sorriso e um aceno acolhedor. Analise o relato e identifique a ação que demonstra compartilhar os pincéis e o espaço de pintura com colega e a educadora.

  • ❌ A) Pintar um desenho simples e guardar o pincel no potinho, ocupando duas cadeiras com o corpo. Ocupar as duas cadeiras não abre espaço para que outra pessoa participe.
  • ✅ B) Guardar o pincel no suporte central e fazer gesto convidativo em direção à cadeira vazia. Clara deixou o material acessível e sinalizou que havia lugar para outra pessoa.
  • ❌ C) Retirar um rolinho de espuma do suporte e permanecer em um canto distante, sem convidar os colegas. Usar o material isoladamente não mostra que o espaço ou os objetos foram compartilhados.
  • ❌ D) Manter-se ao lado da educadora, observando sem utilizar os pincéis disponíveis. Observar não é a ação de oferecer ou dividir materiais e espaço.
  • ❌ E) Pegar o pincel de outra criança sem consultar a educadora, usando-o imediatamente. Tomar um objeto que outra pessoa está usando não demonstra cuidado com o compartilhamento.

3. Qual é a importância de dividir espaços durante as atividades em grupo?

  • ❌ A) Aumenta o número de brinquedos disponíveis. Dividir um espaço não cria novos brinquedos, embora possa permitir que mais pessoas participem.
  • ❌ B) Fomenta a competição entre as crianças. A proposta é favorecer a convivência, não aumentar a disputa.
  • ✅ C) Facilita a comunicação entre os participantes. Estar junto em uma atividade pode criar oportunidades para interagir e combinar ações.
  • ❌ D) Diminui a interação entre os adultos. A habilidade também envolve compartilhar espaços com adultos; afastá-los não é o objetivo.
  • ❌ E) Cria barreiras entre as crianças. Barreiras dificultam a convivência, em vez de favorecer a participação conjunta.

4. Quais materiais você prefere explorar com seus amigos durante as brincadeiras?

  • ❌ A) Materiais que são apenas meus. A pergunta trata de explorar materiais com amigos, e mantê-los apenas para si não favorece essa experiência.
  • ✅ B) Brinquedos que todos podem usar. Materiais acessíveis ao grupo podem apoiar a brincadeira compartilhada.
  • ❌ C) Apenas materiais novos. A novidade não é necessária para brincar junto; materiais conhecidos também oferecem possibilidades.
  • ❌ D) Apenas os mais caros. O preço não determina se um material é adequado ou divertido para compartilhar.
  • ❌ E) Qualquer material que eu gosto. A preferência individual, sem considerar a participação dos amigos, não responde tão bem à ideia de explorar juntos.

5. Como você pode compartilhar o espaço do parquinho com outras crianças?

  • ❌ A) Brincar sozinho e ignorar os outros. Ignorar as outras crianças não demonstra convivência no espaço comum.
  • ❌ B) Brigar pelo uso dos brinquedos. Brigar não ajuda a dividir o espaço nem a combinar o uso.
  • ✅ C) Esperar a vez e usar os brinquedos juntos. Aguardar com apoio e participar respeitando os outros são formas possíveis de compartilhar.
  • ❌ D) Usar todos os brinquedos ao mesmo tempo. Apropriar-se de todos impede que as outras crianças também os utilizem.
  • ❌ E) Evitar as outras crianças durante a brincadeira. Evitar o grupo não favorece a interação no espaço compartilhado.

6. Qual a melhor maneira de organizar uma brincadeira em grupo?

  • ❌ A) Fazer regras que só você segue. Regras que valem apenas para uma pessoa não ajudam o grupo a brincar junto.
  • ✅ B) Deixar todos falarem suas ideias. Ouvir as propostas das crianças favorece a organização e a participação coletiva.
  • ❌ C) Decidir tudo sozinho. Decidir sem considerar o grupo deixa os demais sem espaço para participar.
  • ❌ D) Ignorar os que não querem brincar. É importante acolher as escolhas e buscar formas de incluir sem obrigar ninguém.
  • ❌ E) Fazer grupos sem ouvir os outros. Organizar sem escutar as crianças não promove uma combinação compartilhada.

Um próximo passo para a rotina

Escolha uma situação que já acontece na sua turma e observe, durante alguns dias, como as crianças usam o espaço e os materiais. Anote também quais intervenções ajudam: às vezes, basta reorganizar as cadeiras ou deixar o cesto ao alcance de todos. Consulte a consulta completa do código EI02EO03 para ver as questões disponíveis e, se quiser montar avaliações para outras habilidades, conheça o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.

As questões são um apoio para o trabalho pedagógico; adapte a leitura e a mediação à sua turma. Experimente as propostas e conte com o GeraProva para preparar seus próximos materiais.

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